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E o Sonho de uma Profissão se Torna Realidade

Anésio Antunes França Eletricista Ribeirão Preto
Anésio Antunes França – Foto Rafael Cautella

Não importa para onde se olha, uma coisa é certa: a energia elétrica sempre estará lá. Ao mesmo tempo em que ela é necessária para todas as atividades cotidianas e industriais de um país, também exige cuidados e, principalmente, mão de obra especializada. O eletricista é o profissional responsável pelas instalações elétricas e sua manutenção em qualquer edificação seja ela comercial, industrial ou residencial. Aliás, esta última é a área preferida do eletricista Anésio Antunes França.

A profissão de eletricista surgiu por acaso em sua vida. Os primeiros trabalhos de Anésio foram como auxiliar de limpeza em alguns condomínios de Ribeirão Preto (SP), onde também desempenhava serviços de zeladoria. Ele e um amigo do trabalho sempre faziam pequenos consertos nesses locais. E quando o problema era mais complexo, acompanhavam o trabalho dos profissionais especialistas chamados.

Essas experiências permitiram que Anésio aprendesse seus primeiros conhecimentos de manutenção de instalação elétrica. Habilidades essas que foram fundamentais para o exercício da nova profissão, além de garantir uma renda extra no fim do mês. Parte dos serviços de manutenção era de moradores que sempre tinham pequenos consertos para fazer em suas casas.

Nessa época, Anésio tinha um grande sonho: mudar de profissão. O desejo ficou ainda mais forte quando o seu amigo do trabalho saiu do emprego para ser eletricista. Isso o animou muito para investir em sua carreira de eletricista iniciante. Então, decidiu conciliar seu emprego no condomínio com o trabalho de eletricista. Tempos depois, sua demissão tornou-se uma grande oportunidade, pois era possível investir 100% do seu tempo batalhando para conquistar seu sonho.

Anésio já fazia vários serviços de manutenção em instalações elétricas, mas ainda não se considerava eletricista. “Não queria ser um trocador de tomadas e ser chamado de eletricista. Eu queria estar preparado. Eletricista é aquele que abre um projeto elétrico, entende e executa tudo corretamente”. A partir daí, ele começou a fazer cursos rápidos em instituições como Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) para se profissionalizar.

Mesmo conquistando uma clientela fiel, Anésio queria se especializar ainda mais para poder se posicionar como um profissional qualificado no mercado. Foi quando, após algumas tentativas, passou no curso de Eletrotécnica, no Centro Paula Souza. Mesmo não sendo seu carro-chefe, ele tinha o sonho de poder assinar projetos elétricos e, principalmente, de ter o registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) – órgão que habilita profissionais da área técnica para atuarem em suas áreas de formação. Nessa época, Anésio chegou a trabalhar como estagiário para um professor, sempre com foco em adquirir mais experiência.

Anésio se formou e sua clientela aumentou, foi quando precisou de um ajudante. “Trabalhei durante um bom tempo com um senhor muito bacana e que ficou comigo até se aposentar”. O eletricista agora tinha outro sonho: de ter sociedade com um primo, que é técnico em telecomunicações. “Sempre tive em mente que daria certo trabalharmos juntos”. Quando seu primo foi demitido, perceberam que a hora tinha chegado.

Em janeiro de 2018, iniciaram essa sociedade que tem um leque diversificado de serviços. Além das instalações elétricas, os primos também prestam serviços nas áreas de telecomunicações e câmeras de segurança. “Hoje, nós dois somos MEI [Microempreendedor Individual], porém temos um nome fantasia para nossa empresa, a MF Instalações Elétricas e Telecom, temos uniforme personalizado, tudo direitinho”.

O eletricista orgulha-se de falar que, hoje, tem três obras em andamento. “Prestamos serviços, principalmente, em condomínios. Porém, não deixamos os chamados de manutenção de lado”. Aliás, essas manutenções foram fundamentais para Anésio durante a estagnação do setor da construção. Ele comenta que muitos profissionais abandonam os clientes pequenos quando tem um ‘boom’ de obras. “Só que quando não tem ficam desesperados. Nunca deixo de atender meus clientes pequenos. Durante essa última crise, consegui manter minha família através desses pequenos chamados”.

Durante sua trajetória, Anésio cogitou estudar Engenharia Elétrica, mas hoje não mais. “Gosto mesmo é da execução, de elétrica residencial e trabalhar com famílias. Costumo dizer que hoje é uma obra, mas depois será um lar”. O eletricista comenta que quando finaliza o serviço, ele cola sua etiqueta (com todos os seus contatos) no quadro de energia da casa e isso faz com que sempre retorne a essas antigas obras, agora lares, quando são necessários serviços de manutenção.

É com orgulho que ele fala que todos os seus clientes vieram por indicação. “Quando trabalhamos direito, as pessoas gostam e indicam”. O eletricista trabalha em média nove horas por dia, mas, muitas vezes, passa disso. “Atendo, por exemplo, um dono de padaria e para ele o melhor é que eu faça os reparos à noite”. Anésio brinca que não tem uma agenda física onde anota os compromissos, mas que os organiza de acordo com a urgência e garante que não deixa nenhum cliente desatendido. “Eletricista é igual médico, quando alguém liga tem que sair correndo”.

Segundo ele, além de faltar mão de obra especializada em sua área, outro grande problema é a falta de responsabilidade de alguns profissionais. “Tem muitos que agendam com o cliente, não vão e nem avisam. Procuro trabalhar com qualidade em vez de quantidade. Se eu abraçar o mundo, não conseguirei prestar um serviço de qualidade”. Aliás, uma das grandes vantagens de ser autônomo, segundo Anésio, é poder organizar seu tempo. “Você define seus horários sem precisar pedir permissão ou atestado e, sem contar, que ganhamos mais também. Nessa área, nunca falta trabalho”.

Hoje, ele e esposa, que formou-se recentemente em Arquitetura, moram na parte térrea de um sobrado que estão construindo. “Sou casado há cinco anos, estou construindo aos poucos minha casa e planejando o primeiro filho. Tudo o que conquistei foi através do meu trabalho como eletricista. Trabalho todos os dias e não fico sem serviço. Adoro minha profissão!”

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Por: Bruna Zanuto – Revista Empreende