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Advogada usa o bom humor na luta contra o câncer

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Eva Haig Adourian Colombo Arnold – Foto Rafael Cautella

Câncer de mama. Três palavras que assustam as mulheres, que as fazem alterar sua rotina, prioridades e cuidados. Três palavras que correspondem à 28,1% do total de diagnósticos cancerígenos por ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). Além disso, é o principal tipo de neoplasma que atinge o sexo feminino.

Os fatores de risco ficam por conta da idade (acima de 50 anos), histórico familiar ou questões pessoais, como uso de hormônios externos, obesidade, e consumo e álcool. Com o avanço da medicina, hoje o diagnóstico positivo para o tumor não significa mais uma sentença negativa, mas mesmo assim continua mexendo com o estado emocional da paciente, já que a intervenção cirúrgica altera a estética feminina. Ainda assim a forma com a qual se lida com o tratamento é fundamental.

E um bonito exemplo é o da Eva


Eva Haig Adourian Colombo Arnold é mestre em direito pela Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (Unesp) em direito organizacional público e privado, é ex-pesquisadora da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi aprovada em primeiro lugar no concurso público para cargo permanente de professora universitária, é coautora do Código Civil Interpretado da editora Manole e membra do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração (IPDCI), desde 1998. Recentemente, foi aprovada no concurso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e é professora titular do Centro Universitário Moura Lacerda.

Dona de um currículo extenso, a advogada, que se sentiu parte de um “seleto grupo de pessoas condenadas à morte”, escolheu passar por todo o tratamento de uma forma diferente: usar perucas coloridas! Foi isso que levou esperança e alegria aos filhos, que viam a mãe sempre feliz, apesar do processo quimioterápico. “Isso alimentou os corações devastados pela notícia e deu esperança de que tudo poderia melhorar. Não tive dúvidas de que a única pessoa que poderia ter me inspirado, com esta ideia da alegria da escolha pela felicidade, fosse a pessoa de Deus na sua infinita misericórdia”, destacou Eva.

Mesmo com as reações causadas pela quimioterapia, como náusea, dores e vômitos, a vida profissional não foi deixada de lado. Paralelo com suas aulas e palestras, a advogada procurou saber se na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) havia alguma representação para as pessoas que passam por este mesmo tratamento e, ao descobrir que não havia sequer uma comissão, ela foi, mais uma vez, à luta. Foi neste momento que ela pediu essa representação para o presidente da OAB, na 12ª subseção de Ribeirão Preto, tornando-se coordenadora deste projeto. Com a ideia firme de levar ao maior número de pessoas essa sua nova conquista, escreveu o “Manual de Direitos da Pessoa com Câncer”, que foi digitalizado e está disponível no portal da Ordem dos Advogados, com o intuito de esclarecer aos portadores da doença o seu direito a um advogado sempre que necessário.

A estratégia para conseguir ajudar o outro foi simples: parar de olhar só para si e começar a enxergar as outras pessoas que estavam na mesma situação. “Isso me fortaleceu, me tirou da condição de vítima. Me colocou na altura de uma nova história de vitórias. Mas creio que isso não partiu de mim, mas de um coração grato a Deus e pronto a obedecer o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo”. Observando que o apoio ao próximo é fundamental, na década 1990 nasceu o movimento conhecido internacionalmente por Outubro Rosa, que visa estimular a participação popular da conscientização e do controle do câncer de mama. É um trabalho desenvolvido durante todo o mês, todos os anos, com o objetivo de compartilhar informações sobre a doença, levando o maior acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento, o que contribui com a redução de mortalidade feminina. O Inca participa deste movimento desde 2010 promovendo ações técnicas e ajudando com a produção de materiais usados durante a movimentação anual e sobre a importância do auto exame, que ajuda a detectar precocemente a doença, facilitando o tratamento.

Inclusive, a avaliação é bem simples e conta com apenas três passos, sendo eles observação em frente ao espelho, palpar a mama de pé e repetir a palpação deitada. Em frente ao espelho é preciso observar os seios com os braços caídos, levantados e com as mãos na cintura. Já para palpar, tanto em pé quanto deitado, é necessário levar uma das mãos na nuca e fazer movimentos circulares nas mamas, assim como palpar de fora para dentro e de baixo para cima. Ao sentir alterações, a procura por um ginecologista deve ser imediata. Além disso, os médicos incentivam o exame todos os meses após a menstruação, sendo o período mais fácil para o reconhecimento.

E, fora o autoexame, é recomendado a mamografia preventiva, que se torna obrigatória a cada dois anos, após completados os 50 anos de idade. A campanha também tem incentivado uma melhor qualidade no estilo de vida das mulheres, que inclui alimentação cada vez mais saudável, cheia de frutas e verduras, evitando sempre alimentos industrializados, e a prática de exercícios físicos, que contribuem no combate da obesidade, um dos fatores de risco da neoplasia. Também é legal lembrar que neste mês, sempre se incentiva o uso de camisetas e laços rosas e corridas solidárias, que simbolizam o caminhar rumo à vitória do tratamento.

Mas para saber como realmente ajudar mulheres próximas que estão enfrentando a doença, nada melhor que o conselho de alguém que pôde tirar uma grande lição deste difícil tratamento. Aliás, muito mais que aprender a ajudar e aconselhar, este é um tratamento que deixa lições de gratidão e empatia. Lições aprendidas e colocadas em prática por uma mulher que se colocou no lugar do outro em um momento difícil de sua vida. Ela foi empática. E Eva consegue deixar bem claro como fazer isso. Ela, que é professora e ensina por ofício, também ensina por amor. Questionada sobre o maior aprendizado que o tratamento deixou em sua vida, ela diz que continua ser, justamente, ensinar. Ensina seus alunos que, ao se deparar com alguém que recebeu o diagnóstico, a maior e melhor ajuda é perguntar “você sabia que você tem direitos?”

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Por: Letícia Agostinho – Revista Empreende