Fotografia que Capta o Melhor das Pessoas

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Fotógrafa Bianca Lemos conta como a vida a levou para a fotografia de partos e para o trabalho como doula e ressalta que, para ela, o cenário mais bonito é a casa de uma família

A fotografia é a arte de registrar em uma imagem um momento único e inesquecível. O fotógrafo nada mais é que um contador de histórias só que, em vez de usar as palavras, ele usa sua câmera e seu olhar. Bianca Lemos tem muita experiência em contar histórias, pois como ela mesma se define, Bianca é “jornalista por forma­ção e fotógrafa de coração e alma”. A fotografia chegou de mansinho, assim como o encanto pelo universo infan­til e pela maternidade. Isso tudo a levou para uma nova atividade: doula (profissional que presta apoio físico e emocional para alívio da dor durante o trabalho de parto). Aliás, seus conhecimentos como doula são fundamentais durante as fotografias de parto. “No parto, o mais impor­tante é saber a hora de não clicar, de fazer uma oração e dar apoio para o marido e para a gestante”.

A paixão pela fotografia começou na época da faculdade de Jornalismo. Mas, foi no parto de sua prima que passou a enxergar a fotografia com outros olhos. “A pedido de uma prima, fui para o hospital esperar junto com ela o seu nenê chegar. O marido dela me entregou a câmera e pediu que eu registrasse os bastidores. Quando vi o resultado, pensei: uau, isso ficou legal. Eu não imaginava que con­seguiria fazer fotos tão bonitas e com tantos sentimentos”.

O destino não deu trégua e continuou encaminhando Bianca para o universo da maternidade. Quando traba­lhava em um shopping, ela foi fotografar um evento do Dia das Mães e algumas dessas mães pediram seu cartão e perguntaram quanto cobrava pelas fotos. “Respondi que eram fotos do shopping e que estariam disponíveis nas redes sociais do estabelecimento”.

Nessa época, Bianca já estava pensando em ter seu primeiro filho, mas sabia que conciliar a carreira de jornalista com a maternidade seria algo difícil. “Não queria trabalhar oito horas por dia e de segunda a sexta. Estava buscando novas alternativas”. Após o parto de sua prima e depois do episódio com as mães no shopping, a fotógrafa pensou: “se eu quero ter filho e parar por um tempo com o jornalismo, posso traba­lhar com mães e registrar esses momentos. Foi uma virada na minha carreira!”.

A partir daí, ela começou a investir em equipamentos fotográficos e a se posicionar no mercado. Uma semana após registrar o primeiro parto de sua carreira e em meio a um workshop de fotografia, Bianca se descobriu grávida. Hoje, é autônoma e vive apenas de fotografia, principal­mente, de festas infantis, partos e fotografia documental de família. “A minha linha de trabalho não tem estúdio. Trabalho com a vida real. Acho incrível quem trabalha com temas e cenários, mas não é meu estilo. Para mim, o cenário mais bonito é a casa da família”.

Bianca comenta que um dia estava com problemas para conciliar sua agenda com a de uma mãe que estavas pres­tes a ganhar o bebê, até que definiram uma data para fazer o ensaio de gestante. Porém, neste dia, a mãe não estava bem, mas mesmo assim decidiu fazer as fotos. “Ela disse que não queria fazer poses e que não estava legal. Falei para ficar tranquila e comecei meu trabalho. Quando ela viu o resultado, ficou surpresa e disse: ‘você tirou o melhor de mim’”. Depois disso, Bianca ainda fotografou o nascimento e o batizado do bebê, além dos aniversários dele e do irmão mais velho.

A fotógrafa acredita que o diferencial do seu trabalho é justamente o amor e a sensibilidade que aplica em cada registro. “Eu carrego todo o amor que sinto por minha família para a família que vou atender. Esse amor está em cada detalhe que eu registro”. Um dos motivos por não trabalhar com um segundo fotógrafo é a dificuldade de passar essa sensibilidade e percepção materna para outras pessoas. “Quando estou fotografando uma festa infantil, por exemplo, não consigo ver uma criança precisando de qualquer tipo de ajuda e não fazer nada. Eu paro o que estou fazendo e vou atendê-la”.

A fotografia trouxe para Bianca tudo aquilo que almejava. “Hoje, eu sou dona da minha agenda, fotografo os eventos nos finais de semana e durante a semana, enquanto meu filho [o pequeno Pedro, que tem quase 3 anos] está na escola, eu trato as imagens e produzo os álbuns”. Quando é necessário, o marido também entra em ação e ajuda nas entregas dos materiais. “É uma empresa familiar”, diz.

Mesmo com a crise que o país vive, ela comenta que o mercado está aquecido, porém tem potencial para melho­rar ainda mais. “Ribeirão Preto [SP] é uma cidade que gosta muito de festa e tem um público diversificado”. Bianca vive na cidade há quase dois anos e teve que reposicionar e divulgar sua marca nas redes sociais para encontrar seu público-alvo em Ribeirão.

“Quando cheguei não sabia por onde começar. Aí, repo­sicionei minha marca, investi em posts patrocinados nas redes sociais, fiz contatos com alguns fotógrafos da cidade e tive duas grandes parceiras que são decoradoras de fes­tas”. Esses caminhos levaram aos seus primeiros clientes na cidade. Hoje, são seus clientes antigos que trazem os novos. “Quando a gente trabalha direitinho e com cari­nho, as coisas dão certo”.

Bianca acredita que para se destacar do mercado, além de o fotógrafo dar o melhor de si e colocar amor em cada “clique”, é preciso ter uma boa estratégia de comunica­ção, contratar um social media, investir na imagem pes­soal e na marca. E acrescenta que um dos grandes desafios dos profissionais autônomos é ter agenda fechada todos os meses, principalmente, quem desempenha uma única ati­vidade. Em contrapartida, ela pondera que o mercado de fotografia é muito amplo e diversificado. “Não vai parar de ter jogos, portanto, o fotógrafo esportivo sempre terá trabalho. As pessoas não vão deixar de fazer festas, sejam de aniversário ou de casamento, e assim por diante. Tem muito trabalho para todo mundo”.

Por Bruna Zanuto

 

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