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Dança: quando o Hobby vira Profissão

mara dias bailarina
Mara Dias – Foto Rafael Cautella

Mara Dias entrou na dança por acaso, mas não foi o acaso que a fez continuar. Conheça a história da professora de dança que sonha em cursar Medicina para ajudar as pessoas que passam pelo mesmo problema que ela

Existem pessoas que nascem sabendo qual profissão seguir e outras que descobrem na véspera do vestibular. Porém, existem outras que o destino vai encaminhando para uma área e o que era apenas diversão torna-se um trabalho sério, próspero e cheio de fru­tos, aliás, de bons frutos. Mara Dias pode ter entrado no universo da dança por acaso, mas não foi o acaso que a fez continuar, investir nessa área como profissão e se tornar sócia e diretora de uma escola de dança.

“A dança entrou em minha vida, aos 11 anos, por indicação médica. Eu tinha uma doença autoimune e os exercícios ajudavam a controlá­-la”. A mãe de Mara tentou levá-la para vários esportes, mas foi ela que decidiu sozinha se inscrever em uma escola de dança. “No iní­cio, não tinha aptidão para dança, pois comecei tarde. No caso do balé clássico, principalmente, quanto antes começar é melhor”.

Mara se sentia acolhida nas aulas de dança e, após sua graduação em Pedagogia, decidiu que a dança entraria profissionalmente na sua vida. Durante a faculdade, ela participou do projeto Escola da Família, que abria as escolas nos finais de semana para a comunidade. O universitário que participava do programa tinha bolsa de estudo e em contrapartida ministrava alguma atividade nas escolas. Foi quando Mara decidiu compartilhar todo o seu conhecimento sobre dança e deu seus “primeiros passos” como professora. “Eu ensinava tudo o que sabia. Dei aula de axé, jazz, danças urbanas. Isso fez com que eu aprendesse sempre mais para ensinar a eles”.

Nenhum artista ou membro familiar inspirou Mara a trabalhar com dança. “Mas, tive três professores de dança que foram fundamentais durante minha trajetória”. O que eles tinham em comum? O amor ao trabalho. “Eles amavam o que faziam, se sentiam bem na sala de aula e felizes de estar com os alunos. Isso me motivou a querer trabalhar com dança e de transformar um hobby em minha profissão”.

Sua sede por conhecimento e a vontade de aprender sempre mais fizeram com que Mara não parasse de investir em sua formação aca­dêmica: além de Pedagogia, fez pós-graduação em Psicopedagogia e em Psicomotricidade. Nessa época, além de ministrar aulas de dança e dirigir sua própria escola, também dava aulas em uma universidade de Ribeirão Preto (SP) e iniciou um mestrado. “Por um tempo, tentei manter os dois trabalhos. Eu amava o que fazia. Mas, sen­tia que não tinha tempo para nada e isso me incomodou”. Até que chegou a hora de fazer uma escolha. “Escolhi a escola de dança, porque é minha e estava precisando de mim naquele momento. Porém, tenho prazer de lecionar e de levar o conhecimento às outras pessoas. Foi uma esco­lha dolorosa”.

Antes de se dedicar exclusivamente à dança, Mara adqui­riu experiência em várias outras profissões, pois, traba­lhou em banco, teve empresa de cerimonial e assessoria de casamento, foi promotora de venda, recepcionista e fez trabalhos pontuais como modelo. “Sustentar-se 100% com dança é muito difícil”. Isso fazia com que escutasse, frequentemente, comentários do tipo “não vá viver de dança, faça outra coisa”. Só que a bailarina pensava de outra forma. “Ter tra­balhado em vários lugares e em outras áreas só agregou e fez com que eu aplicasse toda essa experi­ência adquirida na dança”.

Hoje, Mara é diretora artística e pedagógica de sua própria escola de dança (Centro Avançado de Dança-CAD), ministra aulas de dança em grupos e aulas parti­culares para eventos como, por exemplo, casamentos. O longo currículo e a grande experiência profissional não são suficientes para ela. “Sonho em trabalhar com projeto para terceira idade e com crianças especiais”.

Como uma boa professora, Mara não podia deixar de compartilhar um conhecimento importante com os futuros empreendedores. “O maior problema que percebo em alguns é a falta de planejamento. É preciso saber aonde quer chegar e ter um planejamento para curto, médio e longo prazo. Esse foi um erro no início da minha car­reira”. A professora comenta que o artista, geralmente, tem dificul­dade para administrar um negócio. “Se não sabe, contrate um profissional. Não é porque você é dono que tem que fazer tudo sozinho. Cada profissional tem que atuar na sua área. Isso garante qualidade no serviço”.

Assim como vários outros profissionais, Mara foi ampliando sua carteira de cliente através de indicação. “Na dança, o maior destaque é o seu trabalho. Desenvolvo meu trabalho com muito amor e carinho. É o que gosto de fazer e isso faz toda a diferença”. Ela acrescenta que são muitos os desafios para se administrar um negócio. “As dificuldades vão desde tentar viver apenas de arte até atender as expectativas de cada aluno”.

A identidade do negócio, segundo Mara, tem que ser fiel àquilo que o profissional faz e fala. O conhecimento empresarial também é importante. “É preciso ter uma boa administração, fazer investimentos inteligentes e fidelizar clientes”. A professora acrescenta que outro grande desa­fio de trabalhar com arte é a criatividade. “O tempo todo temos que produzir arte e nos reinventarmos”.

Além dos desafios empresariais e artísticos, Mara tam­bém teve alguns obstáculos na vida pessoal. Aos 21 anos, foi diagnosticada com câncer de mama. “Passei por cinco médi­cos e todos disseram que não era nada. Até que relatei que tinha casos na família e que estava pre­ocupada. Pediram alguns exames e veio a confirmação”. A notícia foi um choque, porém, ela pen­sava que ainda tinha muito sonho para conquistar. Sua opção para vencer mais esse desafio foi levar a vida normalmente, como se não estivesse doente.

“Não parei de trabalhar, conti­nuei com minhas atividades e com a dança. Preenchi todo o meu tempo”. Neste mês, que acontece o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre o câncer de mama, Mara deixa um recado para todas as mulheres. “Não tenha medo de se tocar. Foi isso que ajudou eu descobrir o pro­blema. O diagnóstico logo no iní­cio e o tratamento rápido faz toda a diferença”.

A dança sempre foi a grande protagonista na história escrita e interpretada por Mara. Porém, um episódio recente em sua vida fez com que Mara quisesse “escre­ver” uma nova história. Após, descobrir uma nefropatia grave e ficar um tempo internada, a professora sentiu a necessidade de ajudar as pessoas de outra forma. A dança fez, faz e sempre fará parte de sua vida. Mas, o coração de Mara descobriu uma segunda paixão: a medicina. “Fiquei muitos dias internada, acompanhei o dia a dia dos médicos e isso fez com que eu os admirasse muito. Estou estudando e me preparando para isso”. E os sonhos não param por aí: “um dia, quero poder escrever um livro, afinal é muita história para contar”.

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Por Letícia Agostinho – Revista Empreende