O Futuro pode Garantir Trabalho , mas não Emprego

 

beia futurista.jpg

 

As palavras trabalho e emprego já foram muito usadas como sinônimo.Hoje, as pessoas perceberam a grande diferença entre elas. Segundo a futurista e palestrante Beia Carvalho, o trabalho é algo que existe e sempre existirá. “Onde haverá transformações será no emprego”. Diante disso, Beia discorda de comentários sobre vagas restritas no mercado de trabalho. “Existem muitas vagas no Brasil para várias especialidades. O que falta é profissional qualificado para atender essas demandas”

Ela lembra que antes da crise da Petrobras, a empresa tinha cerca de seis mil vagas abertas, porém não tinham profissionais especializados neste setor. A palestrante insiste que se as pessoas não olharem para o futuro, não vão se preparar para ele. “Chega uma hora que o futuro precisa de uma série de especialistas e eles não estarão lá”. Ou seja, as pessoas não estão se preparando para essas oportunidades.

O mundo precisará cada vez mais de conhecimento e domínio das novas tecnologias, segundo Beia. Porém, o que se vê no Brasil é um grande número de universitários analfabetos funcionais. Além de que, atualmente, é inaceitável uma pessoa pegar o diploma na mão – seja de ensino médio ou superior – e dizer que já fez sua parte e terminou os estudos, analisa a futurista. “Isso não é mais possível no século XXI. Não existe a hipótese de parar de estudar”

A palestrante acrescenta que o estudo ganhou outra conotação: “estudar não quer mais dizer que o jovem passou no vestibular e só frequentará aulas diariamente”. Hoje, as mudanças estão cada vez mais rápidas. “E acontecem em uma velocidade muito superior à que você se atualiza. Portanto, se pararmos de estudar, não conseguiremos sequer entrar no ritmo, pois as coisas ficam muito distantes”. Beia destaca que é muito comum ouvir frases do tipo: “não tem trabalho para mim”, porém quase nunca se escuta “se eu tivesse inglês, eu poderia ter um trabalho”.

Ficou mais cômodo para as pessoas terceirizarem o problema da falta de trabalho, do que fazer algo para se adequar ao mercado e entender o que ele exigirá dos profissionais no futuro. Por exemplo, segundo a palestrante, cada vez mais o mercado exigirá o domínio de tecnologias disruptivas como a inteligência artificial, machine learning, chatbots, blockchain, as moedas criptografadas como o bitcoin, dentre várias outras. “Se você não se interessa e desconhece tudo isso, por que vou querer te contratar sendo que preciso de especialista nessas áreas?”. É por isso que ela afirma que a curiosidade é a maior habilidade que uma pessoa poderá ter no século XXI.

Oportunidades
Beia comenta que o desemprego é algo que sempre existirá e pelos mais variados motivos. Em contrapartida, todos os dias surgirão novos tipos de trabalho e novas funções. Um levantamento realizado pela Cedro Technologies (empresa de tecnologia da informação e inovação) constatou que 90% dos processos de atendimento de uma empresa podem ser resolvidos por chatbot. Segundo o CEO da Aktie Now (empresa especializada em tecnologia para atendimento ao cliente), Bruno Stuchi, diante deste cenário o papel do profissional de atendimento agora é garantir a configuração da ferra menta para que ela ofereça um bom atendimento. Ou seja, sai o atendente e entra o especialista em chatbot.

E quanto mais o mercado se organiza dentro desse formato tecnológico e inovador, mais demandará por mão de obra especializada e que não se importará com coisas do tipo: “já são 18 horas, preciso ir embora”. Para esses profissionais sempre existirão vagas, mas também sempre existirá muito trabalho. Pois, segundo Beia, “eles estarão atuando em áreas mais criativas, que é uma atividade árdua e intensiva. Já os trabalhos repetitivos ou com soluções óbvias estarão sendo executados por máquinas”.

Até 2022, o setor de automação poderá extinguir 75 milhões de vagas no mundo associadas às atividades de contabilidade, secretariado, serviço de atendimento ao cliente etc., segundo o estudo Future of Jobs 2018, apresentado pelo Fórum Econômico Mundial, e publicado pelo portal Valor Econômico, em setembro de 2018. Em contrapartida, a inovação tecnológica criará novas funções relacionadas à inteligência artificial, big data e novas tecnologias, gerando cerca de 133 milhões de novos postos, o que resulta em um saldo positivo de 58 milhões de vagas nos próximos quatro anos. “O que existe hoje é uma evolução da forma de trabalho. A tecnologia está sendo aprimorada para que as pessoas deixem de executar tarefas repetitivas e passem a exercer funções mais analíticas”, acrescenta Bruno Stuchi.

Além da criatividade, os profissionais do futuro deverão ter outra habilidade: a visão holística do negócio e do trabalho. “Não será um mundo onde se separa as coisas em gavetinhas. As pessoas terão que entender o todo. Por exemplo, hoje é impossível entender o funcionamento do Uber de forma fragmentada”. Por trás da ferramenta existe inovação, todo o desenvolvimento de uma economia compartilhada, sistema de GPS, de pagamento etc.

Empresas e Negócios
O futuro também não será promissor para empresas que queiram continuar operando da mesma forma desde sua fundação. As que decidirem não evoluir e não participar do processo de transformação digital deixarão de existir, analisa Beia. “Já, as que aceitarem evoluir, terão novas demandas, novas possibilidades e sempre procurarão novas formas de resolver problemas”. A palestrante explica que existe uma ruptura entre o século XX e XXI. Enquanto que no século XX as mudanças eram lineares, hoje, as mudanças acontecem de forma exponencial. “Não é olhando para o passado que conseguiremos explicar os novos produtos e comportamentos do século XXI. Por exemplo, se estudarmos o passado não chegaremos à criação do Uber”.

Beia é publicitária, foi sócia de uma agência de publicidade e passou ainda pelas áreas de moda e antiguidade. Toda essa experiência e o fato de ver muitas empresas não pensarem no futuro a levaram para a carreira de futurista e palestrante – que já dura quase 10 anos. “O fato de as marcas, empresas e empreendedores não pensarem no futuro me incomodava bastante.

Quando um empreendedor resolve abrir um negócio, significa que ele não está pensando no presente, mas sim no futuro”. O maior problema é quando ele começa a pensar no presente, pois é neste momento que ele fica igual a todo mundo e é aí que muitas empresas fecham suas portas.

Diante disso, Beia diz que a ideia de “viajar” para o futuro é uma forma de provocar o cérebro das pessoas com uma série de indagações como, por exemplo: como estará minha empresa em 2023? Teremos o mesmo carro-chefe que temos hoje? “As pessoas têm uma tendência absurda de colocar 100% de sua energia no dia de hoje, que é o dia mais pronto de nossas vidas. E não dedicam nem 1% de seu tempo para o futuro, lugar onde nada existe e tudo pode acontecer”.

Quando as pessoas dizem “estou 100% dedicada ao presente”, segundo a futurista, elas deixaram de empreender. “Pois, essas pessoas deixaram de pensar se vão expandir, buscar investimentos ou contratar”. Ela acrescenta que dinheiro e investidores existem em todo o mundo, porém só as boas ideias, ou seja, aquelas que resolvem problemas de um maior número de pessoas, terão oportunidade de conquistar investimentos para o seu negócio. Beia exemplifica: imagine duas irmãs empreendedoras, que tiveram a mesma criação e as mesmas oportunidades. Uma é dona de uma padaria em determinado bairro e a outra criou uma startup relacionada ao agronegócio. “É mais fácil a segunda levantar milhões de dólares em investimento, do que a dona da padaria conseguir 10 mil reais para uma reforma, por exemplo”.

Segundo Beia, isso acontece porque a padaria tem um alcance local. Já as startups resolvem problemas maiores e escaláveis. “Neste exemplo, a padaria está na antiga geografia. As startups estão na nova geografia, pois apesar delas resolverem problemas locais, não precisam estar lá, ou seja, podem estar em qualquer lugar do mundo”. Ela acrescenta que se um empreendedor quiser acertar em relação ao futuro, ele deve seguir uma tendência. “Pois, a tendência é como um farol que ilumina para onde parece que o mundo está indo e aí você tem mais chance de acertar para onde ele vai de fato”.

A futurista encerra a entrevista dizendo que onde tiver seres humanos, existirão problemas que precisarão ser resolvidos de forma simples, eficaz e aplicável. “E isso é muito difícil. A nova era é complexa, clama por respostas simples para resolver problemas complexos. Portanto, temos que contar com pessoas curiosas, que gostam de conhecer coisas novas, de aprender e de reaprender, de comparar e de testar, que não se conformam com a primeira ideia e com o primeiro resultado”. Beia diz que as pessoas até podem dizer “já são 18 horas, já fiz minha parte, estou indo” em pleno século XXI, mas é impossível viver dessa forma, se destacar no mercado e ganhar dinheiro. “Pensar no futuro é como fazer exercício físico: dá uma preguiça danada, deixamos para amanhã, mas quem futura colhe resultados”.

Por: Bruna Zanuto

One thought on “O Futuro pode Garantir Trabalho , mas não Emprego

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.