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Profissões do Futuro Emergem em Meio a Profundas Transformações do Mercado de Trabalho

Profissionais familiarizados com as tecnologias, que trabalham com qualidade de vida e oferecem serviços que facilitem a rotina e tragam comodidade estão em alta

O mercado de trabalho tem sofrido profundas transformações tecnológicas, organizacionais e comportamentais neste século. A figura do funcionário que fica oito horas por dia – ou mais – fechado em um escritório não faz mais sentido para muitas
empresas e profissionais. Com isso, novas carreiras surgem ou são reinventadas. Um estudo realizado pelo Programa de Estudos do Futuro (Profuturo), coordenado por professores do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), identificou as tendências de mercado mais promissoras até 2020.

A ênfase crescente na inovação, a busca por qualidade de vida, a preocupação com o meio ambiente e com o envelhecimento da população são alguns dos elementos que já impulsionam as empresas a contratarem profissionais nessas áreas. Outra constatação da pesquisa é de que o desenvolvimento tecnológico exigirá cada vez mais pessoas capacitadas e criativas para transformar as novidades em negócios e em aplicações rentáveis.

O estudo também projeta um aumento das atividades empreendedoras. Com isso, as relações de trabalho sofrerão alterações ainda mais significativas. Nesse caso, o setor de serviços deverá gerar as melhores oportunidades, sendo que as grandes tendências socioeconômicas são a demanda por atuações cada vez mais personalizadas. Profissionais autônomos que oferecem serviços que facilitem as vidas das pessoas e que tragam comodidade têm grande potencial no mercado atual e futuro.

Imagem Pessoal

Amanda_Profissionais do Futuro

Amanda Salomão, 27 anos, empresária, formada em Administração com Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), encontrou o seu caminho profissional pela vontade em ajudar as pessoas a se descobrirem por meio da importância da imagem pessoal. Depois de passar anos trabalhando em multinacionais na capital paulista e em Ribeirão Preto (SP), ela decidiu abrir o próprio negócio
como consultora.

“Durante muito tempo, eu trabalhei com uma carga horária bem pesada e comecei a sentir falta de ter mais qualidade de vida. Tinha um salário bom, vários benefícios, estabilidade, mas não tinha tempo para aproveitar. Foi quando eu comecei a procurar outros caminhos profissionais”, conta Amanda. Como sempre gostou de moda, ela se especializou em Consultoria de Imagem e Estilo e cursou uma pós-graduação em Negócios da Moda.

“Na última empresa que trabalhei, as meninas me procuravam para eu dar dicas de looks, combinações, cores etc. Percebi que, se me aprofundasse na área e estudasse, poderia trabalhar com isso”, diz. No início, Amanda teve que conciliar o trabalho em Marketing na multinacional com o recém-começado negócio em consultoria. Depois de um ano, pediu demissão.

“O que mais me encanta na consultoria de imagem é o fato de poder ajudar as pessoas. Já atendi mulheres que haviam passado por divórcios difíceis e se encontraram depois do atendimento, adolescentes que tinha problemas de autoestima e saíram mais confiantes e até profissionais que buscavam uma promoção no trabalho e conseguiram. Todo o processo é muito emocionante e gratificante”, destaca.

Etapas da Consultoria

Uma consultoria de imagem completa costuma durar, em média, de dois a três meses. Nesse período, a cliente passa por várias etapas. Primeiro, são feitas análises de estilo e de tipo físico, buscando deixar o visual mais proporcional e ressaltar as qualidades da mulher. Em seguida, vem a análise de coloração pessoal, na qual é definida a cartela de cores da cliente. “Feito isso, marcamos um dia para olhar tudo que ela possui no guarda-roupa, a fim de tornar o acervo útil, coordenado e organizado”, afirma Amanda.

Para colocar todos os ensinamentos em prática, é feita, então, uma experiência em compras. A consultora faz uma lista do que falta no armário da cliente, seleciona as peças e depois vai com ela nas lojas fazer a prova. “Mesmo que não ocorra a compra efetiva, essa fase é importante para aprender na prática sobre a coloração pessoal e as peças que mais favorecem o estilo e tipo físico”, comenta.

A etapa final envolve a coordenação das peças e a montagem dos looks, para que a mulher ganhe praticidade, tempo e confiança. “O foco é aproveitar as peças já existentes e montar composições que englobem diferentes ocasiões e lugares, sempre passando a mensagem que ela deseja”, destaca. Além da consultoria pessoal, Amanda presta serviços para empresas, ministrando palestras para colaboradores e treinamento para o varejo, desenvolvendo ideias criativas para impulsionar a empresa e fazendo divulgação nas redes sociais.

“Criei o ‘Dicas da Amanda’ justamente para as marcas que me procuravam para fazer parcerias. Lá, eu mostro as peças selecionadas, dou dicas de como usá-las e explico porque seria legal investir naquele produto”, conta. As dicas são dadas no seu perfil noInstagram @amandasalomaoconsultoria e no seu
blog www.amandasalomao.com/blog.

Coaching

Assim como a consultoria de imagem, outra profissão que está em alta no mercado – justamente por trabalhar com a busca do autoconhecimento e proporcionar qualidade de vida e serviços personalizados – é o coaching. A tradução de coach é treinador, como um técnico esportivo. Mas, no mundo corporativo, a expressão ganhou outro sentido: é  aquela pessoa que te ajuda a traçar estratégias para mudar algum aspecto da sua vida, desde a carreira até o peso corporal.

Ciça Barros, 30 anos, é publicitária formada pela ESPM e, hoje, trabalha ajudando pessoas a descobrirem um propósito na vida, principalmente, na área profissional. “Já atuei em grandes empresas de São Paulo (SP), mas sempre questionei o meu papel social, em como aquilo que eu fazia impactava as outras pessoas”, diz. Ela conta que, no seu último emprego formal, em um instituto de pesquisa, uma de suas funções era levantar todo o tipo de informação sobre os consumidores e passar isso para as empresas criarem novos produtos ou aprimorarem aqueles que já estavam no mercado. “A parte de entender as pessoas, seus desejos e motivações era muito interessante.

Mas o modo que esses dados eram usados me incomodava. Foi quando, em uma conversa com a minha psicóloga, ela sugeriu que eu passasse por um processo de coaching”, lembra.

Em um dos atendimentos, Ciça conta que sua “treinadora” perguntou se ela nunca havia pensado em atuar como coach, já que possuía várias das habilidades necessárias para exercer a profissão. “Por causa desse trabalho no instituto de pesquisa, eu já sabia como analisar as pessoas e entender os seus desejos. Com o coaching, eu poderia usar essa skill para ajudar a solucionar uma crise, como a mudança de um emprego, por exemplo”, afirma.

Quando descobriu essa nova opção de carreira, Ciça começou a fazer cursos e se especializar na área. No início, teve que conciliar os dois trabalhos – como pesquisadora de mercado e coaching – até que, depois de dois anos, deixou de prestar serviço para o instituto e passou a se dedicar exclusivamente aos seus clientes.

Cica Barros_Profissionais do Futuro

Planejando Sonhos

Ciça criou um perfil no Instagram (@cicabarrosdreamplanner), a fim de compartilhar pensamentos, reflexões e descobertas para quem está buscando uma vida com propósito. Para esse processo, ela deu o nome de “dream planner” ou planejador de sonhos.

“Acredito que a gente passa a vida inteira construindo sonhos. Até porque, se não fizermos isso, tudo fica muito cinza, sem graça. A palavra-chave aqui é ‘planejar’ já que os sonhos não caem do céu, temos que nos apropriar deles e tomar atitudes para conseguirmos realizá-los. E o processo de coaching nos dá ferramentas para isso”, salienta.

 

De Advogado para Jogador
Profissional de Poker

Falando em mudanças radicais de carreira e profissões do futuro, Carlos Galvão, de 36 anos, se encaixa bem no assunto. Advogado formado, com pós-graduação em Direito Processual Civil, ele largou o escritório para se tornar jogador e instrutor de poker. “Conheci o jogo em uma viagem com amigos e comecei a praticar por diversão, não imaginava que poderia virar um trabalho”, conta. O hobby ficou tão sério que Carlos já vive dele há pelo menos oito anos. “Logo que comecei a jogar, em 2009, fui campeão do circuito Amigos do Poker de Ribeirão Preto. Nessa época, já tinha percebido que era algo que dependia mais da habilidade do que da sorte”, diz.

Ele lembra que o trabalho como advogado não estava rendendo tanto e começou a se aventurar nos torneios de poker on-line. “Em 2010, comecei a fazer aula com o time de um jogador americano chamado Collin Moshman. No mesmo ano, ganhei meu primeiro grande prêmio, de US$ 4.500,00. Quando vi que, quanto mais estudasse e me dedicasse, mais aquilo poderia se tornar uma atividade lucrativa, decidi abandonar a advocacia e  me tornar jogador profissional”, afirma.

Em 2011, Carlos já possuía um bom histórico no poker on‑line e foi convidado para dar aula, junto com outros dois instrutores, em um time chamado CCK, que jogava pelo site Betmotion. Ao todo, mais de 200 pessoas passaram pela equipe, que faturou, até 2017, mais de US$ 1 milhão. Depois de uma crise no provedor onde o time jogava, a equipe teve que ser fechada temporariamente. Foi quando uma nova – e melhor – oportunidade surgiu. “O Fabiano Kovalski, que é sócio de um dos maiores times do Brasil, o Samba Poker Team, me chamou para migrar os nossos jogadores para lá. E foi uma das melhores coisas que poderia ter acontecido, já que é uma equipe extremamente lucrativa e repleta de profissionais talentosos”, comenta.

Rotina e Disciplina

Como acontece com qualquer profissional autônomo, ser um jogador de poker e poder “escolher” a hora e o local que quer trabalhar exige muita disciplina. Entendendo isso, Carlos conseguiu montar uma rotina para cuidar da mente e do corpo antes de dar início à jornada de trabalho. “Em uma profissão com grande variância, cuidar da parte psicológica é um dos fatores mais importantes. Já vi pessoas com muito potencial técnico se frustrarem e desistirem do poker por ser uma carreira estressante”, diz.

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Calos Galvão (Foto Rafael Cautella)

O jogador conta que ele reserva as primeiras horas do dia para se preparar física e emocionalmente, o que inclui meditação, exercício físico e cuidado com a alimentação. Depois, resolve as pendências do dia a dia e a parte administrativa do time. Geralmente, começa a jogar após o almoço, entre 13 e 14 horas. “Aí não tem como prever exatamente quando vou terminar. Costumo ficar uma média de 10 horas por dia na frente do computador”, afirma.

Carlos tem só um dia de folga por semana. “Eu jogo quatro dias, incluindo os domingos, que é quando tem os maiores torneios, e nos outros dois eu dou aulas. Só de sábado que eu tiro para descansar”. Apesar do estresse e da carga horária alta, as vantagens da profissão compensam, segundo o jogador. “Eu tenho mais liberdade do que teria em um trabalho formal e, a qualquer momento, posso ganhar um torneio de milhares de dólares. Isso é muito gratificante”, completa. Outros benefícios que o poker trouxe para a vida de Carlos foi o raciocínio rápido para tomar decisões no dia a dia e o desenvolvimento pessoal. “Por causa do jogo, comecei a estudar muito sobre autoconhecimento e alta performance.

Hoje, isso se tornou uma outra paixão na minha vida. Gosto de ler livros sobre o assunto e compartilhar esses conhecimentos no Instagram (@carlos.galvao_). Penso que se eu conseguir mudar a vida de uma só pessoa já terá valido a pena”, conclui.

 

Por Mariana Pacheco

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