Fazer Escolhas

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Thiago Franco
@thiagofranco.coach
abeeon.com/ thiago-franco 
Coach, consultor, professor e palestrante. Hoje seu principal foco é guiar pessoas para encontrar a melhor forma de se conectarem com seus valores, seus objetivos e com as pessoas à sua volta.

 

Joinville (SC) é uma cidade da qual sempre ouvi falar bem. Nunca visitei e nem me recordo, no momento, se conheço alguém que lá tenha nascido, mas Joinville sempre fez parte da história da minha família. Quando eu tinha quatro ou cinco anos meu pai recebeu uma proposta de emprego para essa cidade. Eram os anos de 1980 onde as multinacionais ainda proporcionavam grandes salários, pagavam mudança, vários benefícios, hotel para a família toda no período de transição. Ofereciam até a chamada “luva”, um bônus de boas-vindas ao novo empregado. Meu pai recusou a oferta por medo e depois se arrependeu. Por anos e anos ouvi ele dizer “ah, se eu tivesse ido para Joinville!”.

Nunca sabemos onde nossas escolhas nos levarão. Só sabemos se deu certo quando vemos o resultado. E se chegamos em uma rua sem saída quando tomamos a esquerda ao invés da direita na bifurcação, lamentamos a escolha e fantasiamos o que poderia ter sido. Sartre afirmava que a liberdade de escolha é o maior medo do ser humano. Certamente, raras são as pessoas que lidam bem com a incerteza. A maioria de nós anseia por respostas exatas, mesmo que – bem no fundo – saibamos que algumas afirmações que nos livram da angústia não sejam muito coerentes. Em nosso desconforto para lidar com o senso crítico nos agarramos às soluções pré-fabricadas.

Colocar idealismos ou fantasias à frente da realidade com frequência nos leva a escolhas equivocadas. Um amigo “galanteador” uma vez me disse: “eu prometo para as mulheres até o Taj Mahal, se precisar!”. Vendo minha expressão de surpresa ainda complementou “absurdo, não é? Mas o fato é que funciona!”. Em nossa sede por segurança, nos agarramos a pessoas que dizem o que queremos ouvir. Queremos certezas. Queremos quem resolva. Queremos o que queremos. Aceitar que as coisas não mudam num passe de mágica pode nos parecer inaceitável. Mágica é sempre truque. Mudanças reais dependem de escolhas e decisões importantes precisam ser conscientes. É necessário empenho para avaliar bem a situação, entender o que pensamos e sentimos a respeito.

Controlar nosso medo para não sermos reféns de ilusões e opiniões alheias. Escolher bem não é simplesmente escolher um ponto final. É escolher um caminho entendendo que algum outro não vai existir. E ainda que não exista garantia de sucesso ou felicidade, em uma boa decisão a consciência e o realismo devem estar em harmonia com nossas maiores esperanças.

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