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O Sucesso não tem Hora para Chegar

 

Empresária de 61 anos começou a empreender por acaso e hoje faz sucesso no mercado de franquias de bolos caseiros

Histórias de jovens que abriram uma startup, conquistaram milhões em investimento, expandiram rapidamente e dominaram o mercado com algum produto ou tecnologia disruptiva têm se tornado comuns. A história de Dona Alzira é igual (devido ao sucesso) e diferente (devido às circunstâncias). Após abandonar o emprego para cuidar da mãe adoentada, Alzira Martins Ramos teve dificuldade para retornar ao mercado. “Parece que, independentemente da experiência que você tem, o mercado sempre contrata os mais jovens”.

Ela tinha 61 anos quando perdeu a mãe, viu sua situação econômica se agravar e teve dificuldade de encontrar um emprego. Sua vida só começou a mudar após um simples pedido de um amigo da família, que tinha um botequim perto da loja de pipoca do seu marido. “Um dia, esse amigo insistiu para que eu fizesse um bolinho para ele oferecer aos seus clientes. Entreguei o bolo de manhã e à tarde ele encomendou mais dois para o dia seguinte”. O tal “bolinho” que fez sucesso era de iogurte e a receita Alzira tinha pegado com sua cunhada. E foi essa receita que transformou uma boleira exímia em uma empreendedora de uma rede de franquias de lojas de bolo, que começou no Rio de Janeiro (RJ) e hoje conquistou vários estados.

No início, Alzira pegou algumas receitas do programa da Ana Maria Braga e ia dando seu toque especial. Os comerciantes das redondezas experimentaram, aprovaram e começaram a fazer encomendas. O cheiro de bolo fresco que saía da janela de sua cozinha também despertou a curiosidade dos vizinhos. “Muitos perguntavam o que eu andava fazendo, pois todo dia tinha um cheiro bom. Comentei que estava fazendo uns bolinhos para vender. Aí, meus vizinhos começaram a encomendar bolos”.

Em poucos meses, as encomendas aumentaram, Alzira contratou uma ajudante e começou a investir em equipamentos de cozinha. Chegou a fazer 100 bolos por dia em sua casa, porém a cozinha já estava pequena para o negócio. Ela sentou com o marido e decidiram usar metade da loja dele para vender os bolos.

Os clientes também começaram a pedir fatias dos bolos para comer no local. Alzira e a ajudante não davam mais conta da demanda e foi preciso contratar mais pessoas. Passado um tempo, Alzira e o marido sentaram novamente para fazer contas. “Eu falei: ‘Claudio, vamos deixar a loja inteira para o negócio de bolos e você vem trabalhar comigo?’”. Em pouco mais de um ano, mesmo tendo 100% da loja e seis funcionárias, o local já não supria a necessidade deles.

Em 2012, inauguraram uma loja maior na Tijuca (RJ). O negócio ganhou notoriedade, o movimento aumentou, foram necessárias expansões e a ajuda de 15 funcionários. “Nunca investi em propaganda. A gente trabalhava muito e, cada vez mais, as pessoas queriam bolos, até que um dia falei para o meu filho: ‘Todo mundo está querendo bolo e não estamos dando conta, o que podemos fazer com isso?’”. O filho trouxe um amigo que entendia sobre franquias e decidiram investir no negócio. “Nunca imaginei que aquele bolinho que fiz com tanto amor e carinho viraria isso tudo”.

As franquias fizeram tanto sucesso, que há dois anos a família vendeu a loja para se dedicar à franchising e às fábricas de mix (misturas prontas de bolos produzidos pela Fábrica de Bolos Vó Alzira). A partir daí, toda a família ficou envolvida com o negócio. Enquanto pai e filho cuidam da parte administrativa, Alzira ensina seu toque especial e supervisiona os bolos produzidos pelas franqueadas. “Damos todo o suporte desde o momento de montar a loja até o pós-inauguração”. Hoje, a empresa produz mais de 30 tipos de bolos tradicionais, além de alguns confeitados para festa, bolos no pote e cupcakes.

O pequeno negócio que surgiu na cozinha da casa de Alzira virou uma rede com 207 franquias em vários estados do país (mais dezenas que serão implantadas até o fim do ano), duas fábricas (uma no Rio de Janeiro, com 27 funcionários, e outra no Espírito Santo, com 17 colaboradores), e uma média de produção mensal de 10.000 caixas de mix de bolos. A dificuldade financeira transformou uma dona de casa em uma empreendedora de sucesso, que hoje dá dicas para quem se encontra na mesma situação que ela há 10 anos: “vai ter uma hora que você vai lembrar de alguma coisa que goste e saiba fazer bem. Eu gostava de fazer bolos, mas não pensava em fazer para vender”.

Recentemente, durante a inauguração de uma franquia no interior do estado de São Paulo, ela foi abordada por uma mulher, que lhe disse: “eu adoro fazer crochê, mas vendia um aqui, outro ali. Mas, depois que conheci sua história, pensei se ‘ela pode, por que eu não posso?’ A senhora me animou, hoje vendo meus produtos em uma feira e sustento minha família com o meu negócio”. Alzira finaliza a entrevista deixando um recado para todos os que se encontram desempregados e sem perspectivas. “Se tem algo que goste de fazer, faça! O que não pode é desistir”.

Por Bruna Zanuto

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