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Por um Ambiente on-line mais Seguro e Justo para as Mulheres

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A programadora Aiami Garcia luta por igualdade no mercado de jogos nacional e internacional

Isso é coisa de homem”. Todo mundo já ouviu essa frase em algum lugar, dentro de algum contexto. No mercado de jogos on-line este ainda é um paradigma difícil de quebrar. As mulheres que se arriscam a entrar nesse mundo, seja como jogadoras ou programadoras, sofrem com o machismo e a falta de respeito. E não é por serem minoria. Pelo terceiro ano consecutivo, a Pesquisa Game Brasil (PGB), divulgada no segundo semestre de 2018, revelou que elas representam 58,9% dos gamers no país.

“O grande problema é que as mulheres não se sentem seguras no ambiente de jogos on-line e acham que precisam se esconder por trás de nicknames (apelidos) neutros ou masculinos. Ainda há muito assédio, sinto isso toda vez que entro para jogar”, afirma a gaúcha Aiami Garcia, 24 anos, programadora na Gazeus Games, maior empresa brasileira desenvolvedora de jogos casuais e sociais.

Aiami chegou a ser atleta de Counter Strike: Global Offensive (CS:GO) pela equipe da Women Up Games, organização criada em 2014 com o objetivo de conectar mais mulheres ao mercado de jogos. Atualmente, além do seu trabalho como programadora, ela dá palestras e participa de campanhas que buscam combater o machismo e proporcionar mais igualdade na área.

#MyGameMyName

De acordo com um estudo publicado pela Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, 100% das mulheres que jogam por pelo menos 22 horas semanais afirmaram já terem sofrido algum tipo de assédio. Para fugir disso, muitas jogadoras acabam não assumindo sua identidade no mundo on-line. Foi pensando nisso que surgiu a iniciativa #MyGameMyName, da qual Aiami faz parte.

Organizada pela ONG Wonder Women Tech (WWT), em parceria com a Women Up Games, a primeira fase do projeto convidou youtubers e gamers brasileiros para sentirem na pele o que as mulheres enfrentam ao jogarem on-line. Os participantes foram incentivados a usarem nicks femininos e gravarem o experimento. O resultado mostrou para eles como a comunidade pode ser violenta com o público feminino. “Sofremos desde cantadas até xingamentos de baixo calão, simplesmente por sermos mulheres. Não é pela nossa habilidade, é uma questão de misoginia”, destaca Aiami.

A iniciativa deu tão certo que atingiu 14 países organicamente só nas primeiras 12 horas, impactando mais de 12 milhões de pessoas. O projeto chegou, ainda, a ser premiado com dois Leões no Festival Internacional de Criatividade de Cannes de 2018. “A segunda fase do #MyGameMyName será convidar as maiores empresas de games para tomarem medidas efetivas em relação a esse assunto”, completa a programadora.

Apesar de achar que ainda vai levar um tempo até que o ambiente dos jogos on-line se torne menos hostil para mulheres, Aiami não desanima. “Não podemos desistir de lutar pela igualdade e exigir respeito. Queremos mostrar para todas as jogadoras que elas não estão sozinhas. Unidas, podemos tornar esse universo, que atualmente é tão masculino, em algo sem gênero, onde todos se sintam à vontade de jogar e serem quem realmente são”, explica.

Presença Feminina no Mercado de Trabalho

Ao contrário do que foi observado no mundo dos games, onde as mulheres hoje são maioria – ainda que se escondam por trás de nicks masculinos –, os cursos de computação e o mercado de trabalho da área tiveram uma grande diminuição da presença feminina nas últimas décadas.

Para se ter uma ideia, a primeira turma de Ciências da Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), que se formou em 1974, contava com 20 alunos, sendo 14 mulheres e seis homens. Ou seja, 70% da classe era composta por elas. Já a turma de 2016 tinha 41 estudantes, sendo apenas seis garotas, ou seja, 15%.

Aiami está no mercado de trabalho programando jogos há três anos e já sentiu essa diferença. “A empresa onde eu trabalho atualmente pode ser considerada uma exceção, já que, do total de funcionários, 30% são mulheres. Mas ainda assim, o número fica abaixo do que em outras áreas”, diz.

Para as meninas que querem seguir carreira na computação, a programadora dá a maior força. “Não podemos nos sentir intimidadas. É importante lembrar que não estamos sozinhas e que, juntas, ganharemos ainda mais força e igualdade em qualquer trabalho que desejarmos fazer. Basta acreditarmos no nosso potencial”, conclui.

Por Mariana Pacheco

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