Aos 46 anos, André largou Emprego Estável para se Dedicar às Artes

 

Andre-Franco
André Franco (Foto Divulgação)

 

Formado em Jornalismo e Direito e ex-diretor financeiro da própria empresa, o paulista encontrou na tinta a óleo sobre tela sua verdadeira paixão

André Franco, 50 anos, natural de Echaporã (SP) – uma cidade de 6.000 habitantes no interior do Estado –, conta que tudo começou com os primeiros desenhos na areia, ainda na infância. Depois, o pedaço de giz passou a colorir a calçada de casa, até que a trajetória do futuro artista plástico foi enriquecida com os lápis e as canetinhas de cor sobre o papel branco, os riscos de carvão, as cores de pastel e as primeiras pinceladas com tinta a óleo sobre a tela – sua verdadeira paixão.

Aos 10 anos, André teve suas primeiras aulas de arte com o mestre Braz Alécio, em Marília (SP). Passou dois anos aprendendo o estilo acadêmico, no universo das paisagens e da natureza morta. Aos 12, assim que foi apresentado à tinta a óleo, o echaporense demonstrou que já possuía um estilo próprio e contemporâneo, marcado por cores vivas, traços fortes e criatividade nos temas desenvolvidos.

Entre as peculiaridades, o improviso que, aos poucos, ganha vida nas telas. “Não desenho e nem esboço antes de começar a pintar. Quando deposito a tinta na tela, ainda não sei o que sairá. Mas, aos poucos, o colorido ganha forma, a tinta ganha movimento, e o que parecida adormecido explode em figuras, mensagens e emoções”, diz.

Paixão Adormecida

Antes de se dedicar completamente às artes – o que aconteceu apenas aos 46 anos – André passou por muitas experiências acadêmicas e profissionais. Aos 17 anos, fez um intercâmbio nos Estados Unidos. Ao retornar, passou no vestibular para Jornalismo na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e, logo depois, também cursou Direito na mesma instituição. É pós-graduado em Agronegócio para Profissionais de Comunicação e em Metodologia da Educação pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Trabalhou como jornalista em Maringá (PR), voltou a morar em Marília, onde ministrou aulas no curso de Jornalismo da Unimar (Universidade de Marília), atuou como repórter do jornal Diário e foi assessor de imprensa da Prefeitura. Passou um tempo na Folha de S. Paulo e, depois, foi para Curitiba (PR), onde trabalhou como coordenador de imprensa na Emater-PR (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural).

Seu último emprego estável na capital do Estado do Paraná foi como diretor administrativo e financeiro de uma empresa na área da saúde e nutrição, na qual ele era sócio. “Nesse meio tempo, eu nunca deixei a pintura completamente de lado, mas não me dedicava 100% a ela”, conta. Foi apenas em 2014 que André decidiu largar tudo para voltar a sua cidade natal e assumir a identidade de artista plástico. “Meus amigos falaram que era louco, mas não me arrependo nem por um segundo”, afirma.

Exposições

Como artista plástico, André participou, mesmo antes de deixar Curitiba, de mostras individuais e coletivas, tanto na capital paranaense e em São Paulo, como também nas cidades de Marília, Presidente Prudente, Catanduva, Rio Claro, Garça, Assis e Echaporã. Já recebeu medalhas, menções honrosas e prêmios por suas obras.

Ele conta que um dos momentos mais marcantes foi quando o convidaram para ter sua própria Exposição Individual “André Franco”, no Espaço Cultural Bovespa, na capi-tal paulista, em 2015. “Levei 54 obras para o hall, que ficaram expostas durante três meses. Foi incrível, já que grandes artistas já tinham passado por lá, como o Romero Britto”, destaca.

 

Contação de Histórias

André pode ser considerado um homem de sorte, já que encontrou duas paixões nessa vida – a arte e a contação de histórias. Durante oito anos, foi voluntário no Hospital das Clínicas (HC) de Curitiba. “Comecei trabalhando com crianças, mas depois descobri que os adultos internados precisavam talvez até mais dessa atenção. Isso porque os pequenos sempre têm acompanhantes nos quartos, enquanto os mais velhos, muitas vezes, ficam sozinhos”, explica.

Como contador, seu objetivo era levar às pessoas fragilizadas cultura, educação, carinho e alegria, além de incentivar o hábito da leitura. Depois que se mudou de Curitiba para Echaporã, seu trabalho nessa área continuou. Ele criou um workshop e passou a viajar para outras cidades ensinando voluntários a transformar vidas por meio da contação de histórias.

“Depois que comecei a trabalhar com isso, minha sensibilidade ficou mais aflorada, aprendi a ter mais paciência, a ver beleza e cor onde tudo antes era cinza e a expressar o amor”, ressalta.

A contação de histórias também influenciou o seu trabalho como artista plástico. Coincidentemente – ou não – na época em que trabalhou como voluntário no HC de Curitiba, André passou por uma longa fase em que pintava gatos. Durante anos, olhava para a tela em branco sem saber o que viria, como de costume, e acabava com um desenho relacionado aos felinos.

“Hoje, pensando bem, acredito que é porque eu passava muito tempo com pacientes terminais e a sensação de morte estava sempre próxima. O gato, por outro lado, é o único animal que dizem que tem mais de uma vida”, reflete o artista.

Por Mariana Pacheco

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