Inovar ou Naufragar

A inovação nunca foi tão necessária no atual cenário conjuntural e de mercado, este caracterizado por profundas mudanças no comportamento do consumidor, acirramento da concorrência e surgimento de novas ferramentas tecnológicas de Gestão.

Nunca o termo “sair da caixa” foi tão pertinente como no cenário atual, pois correm o risco de perda de capacidade competitiva, incluindo risco de exclusão do mercado, aquelas empresas que insistem em manter as mesmas práticas, como se atuassem em um ambiente imutável.

A Inovação não se restringe apenas ao produto, mas também e principalmente na adoção de inovadores sistemas de gestão, comunicação, comercialização de produtos e serviços, logística, relações de emprego, adoção de novas ferramentas tecnológicas, etc.

O Brasil apresenta uma das menores taxas de Inovação do mundo, fato que ao mesmo tempo deve ser visto como uma excelente oportunidade para aqueles que adotarem práticas inovadoras, pois como diz o ditado: “em terra de cego quem tem um olho é rei”.

Inovação nos Estados Unidos

O extraordinário desenvolvimento dos Estados Unidos da América, maior PIB do planeta, tem na Inovação seu principal motor.

O Vale do Silício, na Califórnia, é considerado o polo mais empreendedor e inovador do mundo, com mais de 1.500 empresas entre as quais Apple, Google, Facebook, HP, Instagram, Intel, dentre outras.

Visitamos a região e algumas de suas empresas em missão com empresários brasileiros, observando nas conversas com executivos locais as práticas comumente adotadas por suas empresas: trabalho em equipe, compartilhamento de informações, hierarquia não rígida e por competência, ambiente descontraído de trabalho, horários flexíveis, quebra de barreiras incluindo paredes, estímulo à ampliação de conhecimentos, parcerias com Universidades, etc

No meio da tarde, durante a visita ao campus do Google (cerca de 20 edifícios, 16.000 funcionários, academias de ginástica, quadras, praças, lanchonetes) deparamos com um grupo de executivos da empresa jogando vôlei de praia.

Brincando com um deles sobre a “mamata” de jogar vôlei no horário de expediente, abrindo um sorriso me disse: “Aqui a empresa se preocupa com cumprimento de objetivos e não com normas e/ou horários de trabalho rígidos”.

Não só no Vale do Silício, mas em todo os Estados Unidos, está havendo uma profunda modificação nas relações de trabalho, como por exemplo a adoção do “home-office” (escritório em casa), cuja prática demonstrou inúmeras vantagens: redução de custos para a empresa e funcionários, melhoria da produtividade, redução do estresse, perda de tempo com trânsito e maior convívio familiar.

Estatísticas recentes mostram que cerca de 40% dos executivos norte-americanos estão adotando tal prática, com tendência para o aumento da mesma.

Como Ficamos

A cultura empresarial e a rigidez das relações de trabalho no Brasil não permitem uma transposição pura e simples desse modelo para o nosso País, porém não há dúvida de que esse deve ser o caminho a ser traçado pelas empresas que almejarem o desenvolvimento de diferenciais duradouros junto aos mercados nacional e internacional.

Os experts no assunto afirmam que nos próximos 5 anos a tecnologia se desenvolverá em um ritmo superior aos últimos 50 anos.

Os empresários e gestores devem começar a se preocupar caso os seguintes termos lhes pareçam estranhos: inteligência artificial, inteligência competitiva, proposta de valor, geração Millenial e geração Z, feedback empresarial, economia compartilhada, experiência aumentada, marketing digital.

Dificilmente iremos para o próximo nível fazendo as mesmas coisas que nos trouxeram até aqui.


thiago franco.fw

Prof. Leopoldo Andretto
@leoandretto
abeeon.com/andretto

Consultor empresarial, é graduado e pós-graduado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas, com cursos de especialização nas áreas de Gestão Estratégica, Inovação, Empreendedorismo e Marketing na Universidade da Califórnia, San Diego, onde atualmente é palestrante convidado e coordenador dos cursos de Gestão Estratégica e Inovação para executivos brasileiros.