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Empreendedorismo no Antigomobilismo Brasileiro

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Foto: Jamil Eduardo

Conheça o entusiasta que transformou a paixão por carros antigos em eventos de sucesso

Uma história que vem sobre rodas, que inspira e vai na contramão do caminho fácil. Tiago Songa fala com brilho nos olhos da sua paixão, o antigomobilismo, que se tornou seu trabalho e uma série de eventos de sucesso nessa categoria no Brasil. Entusiasta e curioso, o interesse por clássicos começou em 1996. A busca por conhecimento sempre fez parte da sua vida. “Em 2002 foi meu último emprego com carteira assinada. Nunca tive dinheiro para estar entre os colecionadores, então aproveitei a oportunidade de trabalhar em uma biblioteca e lia muitos livros técnicos sobre automóveis. Cheguei a tirar um mês de férias para aprender funilaria de carros antigos, porque queria ser famoso nesse universo”.

E todo conhecimento foi parar nas páginas de uma revista criada por ele chamada, A Biela. Songa, como é conhecido por todos, abriu uma empresa e não parou mais. “Aprendi tudo sozinho”. Já foi produtor de TV, presidente do Carro Antigo de Franca, diretor da Federação Brasileira de Veículos Antigos, criou o próprio programa e tudo que fez foi um passo a mais para um futuro que surpreendeu a todos. Formado em direito, investiu em pós-graduações como Planejamento Estratégico e Eventos e Gestão de Maketing e Eventos. “Eu queria saber como conseguir patrocínios”.

E foi no final de 2010 que a história do entusiasta ganhou novas proporções. Para o projeto de conclusão da pós-graduação, queria apresentar um evento, mas sabia que precisava ser inovador. “Eu queria sair da minha zona de conforto e fazer algo absurdamente diferente daquilo que encontramos no Brasil. Existiam 300 eventos, 299 eram exposições e outro era um passeio entre duas cidades. Eu queria veículos que eram difíceis de serem encontrados, que geralmente são os modelos pré-guerra e teria que colocá-los em movimento em uma pista de corrida”.

Mesmo com o prazo apertado, Tiago seguiu com a ideia e em janeiro de 2011 nasceu o Pé na Tábua – Corrida de Calhambeques. O evento chamou atenção da imprensa, dos antigomobilistas e do tricampeão de Fórmula 1, Nelson Piquet. “Eu não sei o que o levou até o PNT, mas não perde uma edição. Ele chegou a falar em uma entrevista com o Jô Soares, que todo ano vai na corrida de calhambeque para fazer as curvas como o corredor Fangio”, conta.

Perseverança para Empreender

Com o sucesso do primeiro PNT, outras corridas surgiram. Em 2014 chegou a vez das motos com o Tira Teima (PNT –TT), dois anos depois foi a vez da “velha senhora” com o King-Kombi (PNT – KK) e em janeiro de 2019 estreou o DKV (PNT-2T) com categorias de carros e motos com motores dois tempos.

O entusiasta quer investir em novas ideias. “Uma cervejaria nos procurou e lançamos uma cerveja para o último evento, a carcará (símbolo de velocidade em dois tempos). Talvez vamos criar um sabor próprio para o mercado. Nós também já tivemos um guaraná, que foi sucesso de venda e acredito que podemos ter um refrigerante próprio”.

Ser empreendedor é uma tarefa cheia de desafios e segundo Tiago vai além de ganhar dinheiro. “Eu aprendi que empreender também é fazer coisas novas e buscar um conceito. Eu sou muito feliz com o que faço. É difícil as pessoas acreditarem em você. É preciso ter coragem para realizar algo que ninguém quer que você faça”, diz.

Inspirar Diferentes Gerações

Criar o único evento no país que leva os clássicos de quatro e duas rodas para correr já é um diferencial, mas para a própria surpresa do entusiasta, ele conseguiu ir além do seu objetivo. “Eu demorei para perceber que é um entretenimento familiar. A nossa missão é promover alegria e saudade. Não tem dinheiro que pague ver um neto torcer pelo avô que corre na pista. E hoje sabemos como é difícil tirar a criança da frente do celular. Eu criei um monstro de alegria e encantamento”, diz.

Depois de muitos desafios aquele desejo de alguns anos atrás, ser famoso no universo dos carros antigos, se tornou realidade. Tiago Songa ficou conhecido, reconhecido e respeitado pelos antigomobilistas do Brasil e no ritmo acelerado dele, ninguém dúvida que vai conquistar muito mais. “Até 2021 serão seis eventos”, finaliza.

Por Mari Nabor