Universidades São Grandes Laboratórios para Futuros Empreendedores

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Foto arquivo Pixabay

O ambiente acadêmico proporciona novas experiências e ajuda na aplicação da aprendizagem ao criar o próprio negócio

Empreender é o objetivo de muitas pessoas. O caminho para o sucesso pode ser trilhado mais cedo, muito antes de uma grande ideia surgir. Tudo começa no primeiro dia da faculdade. Existe uma fórmula para se tornar um empreendedor? Segundo Ricardo Donegá, coordenador e gestor do curso de Administração da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), o termo empreendedorismo é um conteúdo transversal. “Não podemos classificar apenas como disciplina, mas também como orientação filosófica. É uma abordagem que permeia todos os cursos”. O ambiente acadêmico permite aprender, ter contato com a inovação e convivência com as diferenças. “É um lugar que desafia o jovem a encarar diversas situações”.

Para o coordenador é preciso ter conhecimento para dar andamento no próprio negócio, através das universidades e cursos livres, mas quando o assunto é empreender, outras vivências também são importantes. “Hoje em dia é possível achar gratuitamente textos com conteúdo em várias áreas. O curso superior dá o aprimoramento, mas a informação está disponível. O diferencial da faculdade são as experiências que refinam a visão e aplicação”.

O comportamento do futuro profissional é muito importante, até mesmo para criar uma rede de contatos. “ O networking acontece como consequência e não como causa. Quando é buscado raramente vai criar bons contatos e quando é resultado das atitudes corretas o bom networking acontece”. Além disso, a pessoa precisa ter iniciativa e motivação. “Você não é empreendedor se você quer que o mundo te descubra. É necessária uma certa dose de disciplina com um pouco de irreverência. É possível criar em determinadas áreas que já empreenderam, porque existe espaço, mas o sucesso vem se você percebeu alguma coisa que ninguém mais enxergou. A irreverência é ver o mundo de outra forma”, completa.

Nova Perspectiva
A dificuldade pela busca por uma carreira nos moldes entre os anos 70 e 90 aumentou. Para Ricardo, alcançar altos cargos pode ser um caminho árduo. “Hoje em dia uma empresa tem um diretor para 10 mil funcionários. Quem está na base da pirâmide e quer chegar no nível de diretoria, seja por busca financeira ou realização pessoal, leva muito tempo e não compensa a diferença salarial quando você coloca em função da sua qualidade de vida”, explica.

O atual cenário tecnológico e as novidades do mercado estão inspirando os jovens. “Com o advento das empresas ligadas a inovação, o foco delas não é financeiro e sim trazer soluções, produtos e serviços que melhore a qualidade de vida da sociedade. E para os jovens isso é mais apaixonante. Muitos entram na faculdade com a ideia de empreender e ter eu próprio negócio”.

Orientação Empreendedora
Segundo Ricardo, o tema empreendedorismo é uma pauta estratégica para o país. “Uma orientação empreendedora pode fazer aumentar os índices de produtividade, melhoria de vida e distribuição de renda”. As intuições de ensino superior no exterior investem mais em pesquisa e inovação. “As universidades no Brasil têm preocupação de alguns indicadores que nem sempre estão correlacionados ao sucesso empreendedor, haja visto as universidades europeias, estadunidenses que colecionam prêmios Nobel”, explica.

O coordenador deixa uma dica para o aluno que chega na faculdade com foco em se tornar um empreendedor. “Xícara vazia e um conceito zen. Eu não posso chegar com a xícara cheia, porque senão o chá que eu colocar ali, vai transbordar e a pessoa não aproveita. Estar de mente e coração aberto para entender o novo cenário da vida. A pessoa vai conviver com diferentes classes sociais, diferentes orientações políticas e sexuais”. “A Universidade é um ótimo laboratório para refinar a ideia e a vontade empreendedora, além do autoconhecimento na relação com as outras pessoas”, completa.

Por Mari Nabor