Movimento Maker, pode Ser um Passo em Direção ao Empreendedorismo

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arquivo Pixabay

A sustentabilidade aliada à novas criações podem oferecer benefícios para a sociedade.

Um conceito que ganhou espaço, principalmente na geração mais nova, permite a aprendizagem através da observação e criação, o movimento maker. A ideia surgiu através do conceito “Do it yourself” ou em português, “Faça você mesmo”. Para Fábio Javaroni, coordenador da Escola de Inventor, a expressão pode ser uma comparação com uma pessoa curiosa. “Quando algo quebra em casa, surge o interesse de saber o porquê ou como aquilo pode ser arrumado. Desde uma criança que começa a montar um aviãozinho, até uma pessoa adulta que precisa consertar um fio que escapou. É querer saber como tudo funciona”. E a tecnologia é uma ferramenta que veio para ajudar. “O acesso à internet facilita a busca por informações. O movimento ganha força e veio para difundir ainda mais esse pensamento. E para as crianças é excelente, porque elas ficam interessadas com o que acontece a sua volta”, diz.

A educação tem um papel importante no incentivo da cultura maker. “É necessário sempre instigar os alunos a entender o que existe em torno deles e como usar isso para aprender. Se um aparelho eletrônico quebra, ele pode desmontar e reutilizar algumas coisas para inventar outros projetos. Isso é um campo muito grande na escola. Desde ensinar a trabalhar em equipe, ou até fazer algo simples, como construir uma ponte de palitos. Além disso, o apoio pode começar em casa, porque ali é um ambiente que podemos entender coisas do nosso cotidiano”, explica.

Lívia Fornitano Roveri, também coordenadora da Escola de Inventor, destaca que a cultura maker é uma forma de transformar coisas e não as descartar. “É importante falarmos da sustentabilidade, que está influenciando as gerações mais novas, através de pensamentos diferentes sobre o consumismo. E o movimento aliado a isso pode oferecer muitos benefícios para a sociedade”.

Busque soluções

O movimento maker pode ser um passo em direção ao empreendedorismo. “É ter ideias e prototipar. Criar um produto e ser vendido para resolver algumas questões e problemas reais. Assim se torna possível empreender e achar soluções inovadores, até de âmbito global. Por exemplo, se uma pessoa vai viajar e não sabe como cuidar das plantas, ela pode descobrir um meio de fazer uma horta automática”, explica Fábio. “O objetivo é chegar ao produto final. É necessário tirar a ideia do papel e colocar em prática. Isso já é importante para quem quer ser empreendedor”, completa Lívia.

Segundo Fábio, o movimento cresceu no Brasil e está cada vez mais difuso para as pessoas. “Há seis anos atrás era necessário explicar o significado de cultura maker. Existem programas infantis na televisão para o assunto. E hoje podemos pesquisar em vídeos como fazer as coisas”. Os lugares específicos para criação, os espaços makers, também surgiram, mas não é necessário algo pré-determinado quando a pauta é “Faça você mesmo”. “Não precisa de coisas caras. Podemos começar com o que que temos em casa”.

Lívia concorda com ele. “Até mesmo na escola, nós usamos tesoura, canudinho, isopor e coisas simples. Que na hora será fácil para a criança criar um protótipo e desenvolver a criatividade dela. Depende da ideia, mas não é algo que precisa ter muitas ferramentas. Tudo vai surgindo com o tempo e durante a evolução da necessidade do projeto”. “Já as FabLabs têm algumas coisas necessárias e específicas. Se for bem utilizada pode oferecer um grande benefício para quem estiver criando”, completa.

Os coordenadores ainda deixam uma dica para quem quer se integrar no universo maker. “Pesquise e seja curioso. Procure as respostas das suas perguntas, avalie se a busca é viável e faz sentido. Aprenda errar, porque não é a primeira vez que vai dar certo. Absolutamente tudo se torna aprendizado”. E ainda destacam. “Para o empreendedor, busque soluções. Veja se elas já existem e caso não, pense em como fazer a própria prototipagem”.


Por Mari Nabor

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