Enriquecer é uma Questão de Escolha

Gustavo Cerbasi
Gustavo Cerbasi – Foto Patrícia Spier

“Quando percebi que estava no caminho certo, comecei a selecionar meus trabalhos. Recusava os que não me motivavam e abraçava os que agregavam mais valor ao meu currículo. Isso me fez trabalhar com mais paixão, e os resultados aconteceram”

Por meio de livros, da atuação nas redes sociais e cursos on-line, Gustavo Cerbasi ensina os brasileiros a investir e obter a tão sonhada independência financeira

Quando se fala em inteligência financeira no Brasil, um dos primeiros nomes que vêm à cabeça é o de Gustavo Cerbasi. Consultor, palestrante e autor de 15 livros, ele escreveu o best-seller “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, obra que deu origem aos filmes da franquia “Até que a Sorte nos Separe”, a primeira trilogia do cinema nacional. Com mais de 2 milhões de exemplares vendidos, Gustavo já ministrou palestras para mais de 3 milhões de pessoas e teve mais de 1 milhão de alunos em seus cursos on-line.

Sua presença nas redes sociais também é forte. No seu perfil do Instagram (@gustavocerbasi), que ultrapassa os 600 mil seguidores, o consultor dá dicas rápidas de investimentos e compartilha um pouco da sua vida pessoal, como as viagens em família. No canal do YouTube (/GustavoCerbasiBR), com mais de meio milhão de inscritos, tem muito conteúdo gratuito para quem se interessa por finanças.

Mas para chegar até aí, Gustavo estudou muito. Ele é especialista em Finanças pela Stern School of Business, da New York University, e pela Fundação Instituto de Administração (FIA). É Mestre em Administração e Finanças pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/ USP) e formado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Escolha Certa

Ao repassar os seus conhecimentos para o público em geral, Gustavo afirma: “Enriquecer é uma questão de escolha”. Escolha essa que ele fez ainda no início da carreira, quando percebeu que não se sentia feliz com o seu trabalho. “Aceitei um emprego porque era a opção que eu tinha naquela época. Via meus colegas de trabalho estressados, cansados, com problemas de saúde ainda jovens. Os que já haviam se casado eram também divorciados. Ao pensar no que queria para mim, logo vi que não era a vida que meus colegas levavam”, conta.

Após conversar com a sua família, decidiu mergulhar no sacrifício de trabalhar mais por um período determinado, o suficiente para colher bons resultados, tanto em termos financeiros como de reconhecimento, e saltar para outra atividade. “Como o caminho mais sensato era evoluir na mesma carreira, decidi estudar e me dedicar a dar o máximo, o meu melhor no trabalho. O reconhecimento me permitiu lotar a agenda de professor e meus ganhos aumentaram”, diz.

Nesse momento, Gustavo fez uma escolha crucial para o seu futuro – algo que grande parte das pessoas erra – que foi manter o custo de vida estável apesar dos ganhos terem aumentado. Assim, conseguiu poupar mais e passou a se aprofundar nos estudos sobre investimentos, o que acelerou o crescimento de suas reservas. “Quando percebi que estava no caminho certo, comecei a selecionar meus trabalhos. Recusava os que não me motivavam e abraçava os que agregavam mais valor ao meu currículo. Isso me fez trabalhar com mais paixão, e os resultados aconteceram”, afirma.

Gustavo Cerbasi
Gustavo Cerbasi – Foto Patrícia Spier

“Com controle financeiro, perdemos menos dinheiro, criamos reservas com mais previsibilidade, temos mais sobras para consumir e aumentar nossa variedade de consumo”

Sem Arrependimentos

Gustavo defende a importância da qualidade de vida, mas para chegar no patamar que se encontra hoje, sacrifícios foram inevitáveis. Cortar tradições como jantar fora e trocar presentes em datas especiais pode até parecer fácil, mas não é. “Aceito isso muito bem quando o esforço não é por um prazo muito longo”, diz.

Ao ser perguntado se mudaria alguma coisa na sua trajetória, o consultor financeiro é categórico. “Absolutamente nada. Para quem está começando, eu recomendo dedicar tempo a aprender mais, e segurar o ímpeto de consumir quando as coisas começam a dar certo. Espere criar um fôlego. Permita que seus investimentos ganhem força. Uma vez que o avião decola, a aceleração é incrível”, destaca.

Com Conhecimento, todo Mundo pode Investir

Para o especialista em finanças, qualquer pessoa tem acesso a investimentos. Porém, somente investirá bem quem estiver bem informado. “O primeiro desafio é descobrir quais são os investimentos mais interessantes. Essa informação é facilmente encontrada na Internet, em canais de educadores e influenciadores”, diz.

Gustavo alerta que, neste momento, já há um primeiro desafio importante, que é o de discernir quais informações são isentas e quais são patrocinadas. “Geralmente, divulgação de produtos específicos é um serviço patrocinado em que o influenciador diz o que a instituição financeira pede para ele dizer. Eu, particularmente, recuso esse tipo de negociação, para preservar minha isenção”, ressalta.

Uma vez identificado o tipo de investimento mais adequado, o segundo desafio é descobrir onde ele é oferecido de forma mais vantajosa, ou seja, é preciso pesquisar. “Via de regra, produtos de investimento oferecidos por bancos de varejo são menos vantajosos do que quando oferecidos por bancos de investimento ou corretoras”, afirma. Ou seja, o ideal, de acordo com Gustavo, é ter uma conta de uso corrente em banco de varejo e uma conta de investimentos em um banco de investimentos ou corretora – estas últimas não têm custo ou tarifa de manutenção.

E as Dívidas?

Para Gustavo, é fundamental que as pessoas entendam que não há investimento bom para quem está atolado em dívidas. “Uma coisa é captar recursos (crédito) para investir em uma atividade profissional lucrativa. Outra coisa é ter dívidas para compra de casa, carro e empréstimos em atraso. Neste caso, é melhor criar uma reserva para lidar com os meses de menor faturamento e montar uma estratégia para liquidar as dívidas antes de investir”, diz.

O guru das finanças afirma que um passo fundamental para quem quer começar a investir é parar para pensar e organizar um plano. Afinal, quem não sabe aonde quer chegar, certamente não vai a lugar algum. Por isso, a estratégia que ele ensina em seus cursos consiste em mapear adequadamente a situação atual da pessoa, para identificar precisamente como o dinheiro é ganho e usado e quais são os desequilíbrios que impedem que projetos mais ambiciosos sejam conquistados.

Na sequência, é utilizado o conceito de orçamento base zero, identificando qual seria o estilo de vida ideal que a pessoa conseguiria levar, incluindo a realização mais frequente de sonhos, com base no que ela ganha ou poderia estar ganhando. “Com esses dois cenários, vida atual e vida ideal, o trabalho segue com o aprendizado sobre as ferramentas e técnicas para fazer escolhas eficientes, com um plano para eliminar dívidas e com a construção de uma estratégia que assegure que serão conquistados os objetivos de curto, médio e longo prazos”, afirma.

Outro passo, que também é ensinado nos cursos, é montar uma carteira eficiente e segura de investimentos. O projeto é concluído com um roteiro dos ajustes a serem feitos periodicamente, e com uma estratégia de consumo para a aposentadoria, incluindo um plano de sucessão para os futuros herdeiros.

De acordo com Gustavo, tendo um plano desses em mãos, fica mais fácil de enfrentar possíveis adversidades no meio do caminho. “É como encontrar uma árvore caída na estrada. Se você sabe exatamente aonde quer chegar, um obstáculo exige apenas uma estratégia de contorno ou ajuste. Agora, para quem não possui essa rota traçada, uma árvore caída pode significar o fim ou uma necessidade de volta”, compara.

Gustavo Cerbasi
Gustavo Cerbasi – Foto Patrícia Spier

“Como o autônomo não possui uma entrada regular e não tem uma rotina formal de contabilização de suas contas tende a se acomodar em sua própria desorganização.”

O Desafio dos Autônomos

Gustavo concorda que ser um profissional autônomo, sem a garantia de um salário no final do mês, pode ser mais desafiador quando o assunto é controle financeiro. “O primeiro desafio é a organização pessoal. Como o autônomo não possui uma entrada regular e não tem uma rotina formal de contabilização de suas contas tende a se acomodar em sua própria desorganização. Não faz planos, porque não sabe quanto vai entrar, gasta de acordo com o que entra, e raramente consegue projetar seus planos além de dois ou três meses do momento atual”, analisa o consultor.

Mas possuir ganhos variáveis não deve ser visto como um problema, segundo Gustavo, mas sim como uma característica de sua escolha profissional. Para o guru das finanças, a maneira correta de lidar com essa variabilidade é mapear o histórico e a sazonalidade dos ganhos e identificar informações importantes como o ganho médio, o ganho mínimo (pior mês) e a curva de sazonalidade (quando e porque se vende menos). Com base nessas informações, define-se tanto o planejamento para expandir o negócio (nem todo lucro será retirado nos meses bons) quanto os limites para as escolhas pessoais.

“Em meu curso Inteligência Financeira, estabelecemos que o ganho mínimo, por exemplo, é o máximo que podemos assumir em gastos fixos ou prestações. Ganho mínimo é aquele ganho que é tido como garantido até nos meses de menor demanda, ou que é garantido por recebimentos parcelados de serviços já prestados. Com isso em mente, o autônomo evita assumir compromissos ou despesas certas em volumes maiores do que os ganhos incertos”, afirma.

Outra questão que causa muitas dúvidas nos autônomos é a precificação justa, ou seja, aquela que leva em consideração tudo o que se investiu para poder desempenhar sua atividade. Aqui, de acordo com Gustavo, entra o custo dos insumos utilizados na prestação do serviço e também o cálculo de depreciação de equipamentos, veículo e espaço de trabalho, entre outros. Não podem ser esquecidos os gastos comerciais (custo com divulgação) e com formação e cursos técnicos.

“O problema é que nem sempre é possível trabalhar com o preço justo, principalmente quando a concorrência é numerosa e pratica preços aviltantes. Nesse caso, o caminho para ser lucrativo costuma ser migrar para praças pouco exploradas ou agregar serviços que a concorrência não consegue oferecer, como customizações, entrega pontual e serviços que agreguem valor ao cliente final”, ressalta.

Inteligência Financeira

Durante 10 anos, Gustavo teve um escritório de consultoria financeira familiar. Com o aumento da demanda, decidiu substituir o antigo serviço de mentoria pelo curso on-line Inteligência Financeira, mais completo, eficaz e acessível do que uma consultoria completa. Segundo o especialista, sua estrutura permite que os alunos possam montar seu planejamento de longo prazo, com orientações de como atualizá-lo a cada ano, e criar uma carteira de investimentos eficiente, rentável e segura.

A duração do curso é de três meses, com 40 horas de treinamento, e dá acesso a todas as ferramentas e simuladores do consultor. “O diferencial do curso é que os alunos interagem diretamente comigo, em uma comunidade on-line fechada, onde podem esclarecer todas as dúvidas individualmente”, conta. São duas turmas por ano. Quem tiver interesse em participar pode se inscrever no site www.gustavocerbasi.com.br ou acompanhar as redes sociais do consultor, para ficar sabendo quando abrirá a próxima turma.

“Com controle financeiro, perdemos menos dinheiro, criamos reservas com mais previsibilidade, temos mais sobras para consumir e aumentar nossa variedade de consumo. Além disso, somos provocados a fazer planos para o futuro, o que nos dá mais tranquilidade e também nos torna mais resilientes diante de crises e imprevistos”, conclui Gustavo.

Durante entrevista à Empreende, Cerbasi respondeu algumas questões pertinentes para quem quer empreender e manter os pés no chão.

Confira a seguir:

Empreende – Gustavo, no seu ponto de vista, todo mundo pode ser empreendedor?
Gustavo Cerbasi– Sim, todos podem ser empreendedores. Empreender é uma habilidade que, como qualquer outra, pode ser inata ou desenvolvida através de treinamento e prática. Quem “leva jeito para negócios”, como se costuma dizer, terá mais facilidade para tocar uma empresa mesmo sem formação completa ou grandes habilidades técnicas. Porém, quem tem interesse em empreender mas sente que não possui habilidades para liderar pessoas e negociar, pode tanto se desenvolver tecnicamente nessas áreas, através de cursos, quanto se associar a pessoas com tais habilidades e iniciar um negócio.

Empreende – Você fala muito sobre inteligência financeira, na prática o que isso significa?
Gustavo Cerbasi – Inteligência financeira é utilizar as ferramentas financeiras para tornar a vida e os negócios mais eficientes. Trata-se de fazer mais com menos, de saber antecipar problemas através do bom uso do orçamento e dos indicadores financeiros, de saber a hora de investir e também de retirar o time de campo. Inteligência financeira, em essência, envolve fazer escolhas eficientes de consumo, de crédito, de investimentos e de proteção do patrimônio.

Empreende – Sabemos que há milhões de desempregados no País, e muitos estão iniciando um negócio, que conselhos você daria para quem está nesta situação?
Gustavo Cerbasi – Quando um negócio se inicia a partir de uma situação de desemprego, o chamado empreendedorismo por necessidade, é natural que esse negócio careça de estudos sólidos e de preparo de seu empreendedor. Por isso, é provável que esse tipo de negócio seja muito mais frágil e tenha menos fôlego para crescer do que um negócio iniciado a partir de um cuidadoso plano de negócios. Minha recomendação é que o empreendedor, nessa situação, procure acelerar seu aprendizado sobre sua atividade, tanto em cursos mais pragmáticos como os oferecidos pelo Sistema S, quanto em cursos mais técnicos (como Finanças Gerenciais, por exemplo) como os oferecidos por escolas de negócios. Meu livro “Empreendedores Inteligentes Enriquecem Mais” traz um ferramental bastante interessante sobre as ferramentas gerenciais essenciais. Também é interessante procurar firmar parcerias com outros negócios, tanto para dar mais visibilidade a seus produtos ou serviços, quanto para fortalecer o aprendizado sobre negócios. Finalmente, recomendo atenção redobrada às retiradas de recursos da empresa. Negócios novos precisam de muito investimento, nos primeiros meses, para se diferenciar de outros negócios novos. A sede por retirar resultados da empresa pode destruir a capacidade de crescimento dela, inviabilizando o negócio em um segundo momento.

Empreende – Devido ao custo de investimento inicial relativamente baixo, muita gente está se dedicando a ser Digital Influencer, como você vê essa profissão a longo prazo e que dicas você dá aos aspirantes a ela?
Gustavo Cerbasi – É um risco muito grande. Todo negócio que requer pouco investimento, como marketing digital, marketing multinível, microfranquias e similares, atrai um número muito grande de concorrentes, o que esgota o mercado em pouco tempo. Como em qualquer negócio, prosperará quem for o melhor em sua área. Especificamente no marketing digital, nos últimos anos se multiplicaram cursos e consultorias que prometem resultados incríveis em pouco tempo, argumentando que qualquer pessoa pode vender qualquer coisa, o que não é verdade. Com técnicas de persuasão que chegam a ser imorais, quem entra nessa onda até consegue fazer um faturamento inicial significativo, porém a custos elevados e com a promessa de começar a lucrar nos ciclos seguintes. Entretanto, quem não entende profundamente do que promete para seu público tende também a perder rapidamente esse público, e seu negócio não dura muito. Por isso, antes de iniciar uma atividade com potencial de rentabilidade nas redes sociais, eu estudaria detalhadamente minhas habilidades e pontos fracos, estudaria também a concorrência potencial e montaria um bom plano de negócios, cercando-me de pessoas de confiança para criticar e guiar meu negócio. Isso requer investimento, por isso não acredito na ideia de que é fácil se tornar digital influencer com investimento baixo.

Empreende – O que falta para que os brasileiros se preocupem mais com as finanças?
Gustavo Cerbasi – Há alguns anos, eu dizia que faltava educação financeira propriamente dita. O conhecimento e as ferramentas não chegavam a todos. Hoje, acredito que essa realidade mudou. Multiplicou-se o número de especialistas e influenciadores nessa área, surgiram incontáveis fintechs e canais especializados no assunto, empresas de serviços diversos (como telefone, bancos e notícias) possuem canais dedicados e investem em divulgação do tema. Não existe nenhum veículo de comunicação que não tenha uma seção de finanças pessoais. Pesquisas frequentes sobre inadimplência e poupança mostram que os brasileiros que estão com problemas financeiros já sabem as razões de estarem em tal situação, como falta de reservas de emergências, excesso de parcelamentos e falta de organização. Em razão dessa fartura de informações e de consciência, acredito que estamos entrando em um momento de depuração de toda essa informação, em que o público começa a questionar a qualidade da informação que chega para ele. A ausência da educação financeira se transformou em moda, e agora a moda está se transformando em prática na vida das famílias. A geração mais jovem que já possui educação financeira de qualidade, deve transformar significativamente o consumo na sociedade brasileira nos próximos anos.

Por Mariana Pacheco

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