Luciana trocou as aulas pelo Campo. E não se Arrepende

Luciana Cristina Alves
Luciana Cristina Alves – foto divulgação

Conheça a história da professora de Educação Física que um dia resolveu se dedicar à produção e comercialização de alimentos orgânicos.

A educadora física Luciana Cristina Alves tem 55 anos. Durante algum tempo ela se dedicou a dar aulas, mas reconhece que não era feliz, que não exercia uma atividade prazerosa. Tudo começou a mudar em 1996, quando sua mãe adquiriu um pedaço de terra de 4,8 hectares em Santa Rosa de Viterbo, no interior paulista. “Mas era uma terra arenosa, com braquiária, carrapicho. Ouvimos de um agrônomo que nem adiantava tentar, ali não daria para produzir nada não”, relembra Luciana.

Mas quem disse que ela levou a opinião que ouviu a sério? “Como era uma área para lazer da família, fomos fazendo tudo aos poucos. Eu aprendi muito com meu avô, meu pai, amigos, a lidar com a terra, a abater galinhas, porcos e boi, tirar leite e tudo mais”, diz. Depois vieram os cursos, que ela faz até hoje, em entidades como Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), os projetos do IAC (Instituto Agronômico), as pesquisas na Internet, as visitas a propriedades rurais, e surgia então o sítio Ridelutha.

Ali, com a ajuda do marido Carlinhos e de Luana, 24 anos, a caçula dos três filhos, ela tira o sustento da família por meio da produção de hortifrútis em geral – verduras, legumes, frutas, polpas, doces e feijão. E tudo vai para o comércio. “Em Ribeirão Preto, vendemos na feira da avenida Portugal, em domingos alternados, na feirinha do Fiúsa Center e na escola Waldorf. Também estamos na feira de Jaboticabal, fazemos delivery em Ribeirão e entregamos produtos para a merenda escolar em Santa Rosa de Viterbo”, enumera a produtora rural.

Agricultura familiar do Brasil é a 8ª maior produtora de alimentos do mundo

Um levantamento feito pelo portal Governo do Brasil aponta um faturamento anual de US$ 55,2 bilhões da agricultura familiar brasileira, o que coloca o País na oitava posição entre os maiores produtores de alimentos do mundo, à frente de Rússia e Turquia no top 10. Quando se soma a agricultura familiar com toda a produção agrícola nacional, o Brasil passa para a quinta posição, com faturamento de US$ 84,6 bilhões por ano. As informações são da Agência Brasil.

De acordo com o último Censo Agropecuário, realizado em 2017, a agricultura familiar é a base da economia de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. Além disso, é responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa do País e por mais de 70% dos brasileiros ocupados no campo.

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imagem Shutterstock
Orgânicos

No sítio Ridelutha, a produção tem a certificação de orgânicos desde 2006 e o cadastro no Ministério da Agricultura foi feito em 2011.

Segundo Luciana, a produção de um alimento orgânico vem de um solo com muita vida, muita matéria orgânica, harmonia entre o manejo do mato e o tempo de cada cultura, água de boa qualidade, barreiras de proteção nas divisas, incorporação de matéria orgânica, compostagem, todos fatores que eliminam a necessidade de uso de adubos químicos e agrotóxicos. “Os benefícios são simples, comer um alimento com sabor de alimento. Hoje em dia, os sabores industrializados são artificiais e viciantes”, alerta Luciana.

E o consumidor aceita bem os produtos orgânicos? “Cada vez mais o consumidor prefere orgânicos, só que muitos não compreendem a sazonalidade. Principalmente na agricultura familiar, as pessoas querem frutas que na nossa região não são produzidas”, explica.

Para quem quer empreender na área, Luciana Alves dá o conselho: “O essencial para empreender em orgânicos é ser honesto. É ser verdadeiro, não pode enganar as pessoas. Tem muito produtor que se diz orgânico, mas não é, faz muita coisa que não pode e não deve, infelizmente”.

Confira os benefícios de se consumir alimentos orgânicos:

• Fortalecemos a nossa saúde e os mecanismos de defesa do organismo

• Contribuímos com a conservação dos recursos naturais, com a recuperação da fertilidade do solo e com a qualidade de vida do pequeno produtor e do trabalhado rural

• Consumimos alimentos mais saborosos, ajudando a reduzir a quantidade de agrotóxicos e adubos químicos, protegendo a qualidade da terra, da água e do ar

• Ajudamos a restaurar a biodiversidade, a economizar energia, a reduzir o aquecimento global

• Consumindo orgânicos, desenvolvemos nosso papel de agentes de transformação social e ambiental, praticando um exercício de cidadania

Fonte: http://lucianaorganicos.blogspot.com/

Por Angelo Davanço

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