Empresas e Estagiários: um desafiador Jogo de Lego

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Cris Miura
@crismiura
CEO & Founder da Pontue - Redação Inteligente. Líder do Grupo de Educadores do Google Ribeirão Preto (GEG - RP). Especialista em Linguística pela Unesp - Araraquara e em Tecnologia aplicada à Educação pela PUC - RS.

De acordo com o site do Lego, o brinquedo, por meio do princípio de intertravamento com os seus tubos, a peça se torna única, oferecendo possibilidades ilimitadas de construção. A princípio, parece algo simples, mas quem já brincou de encaixar peças e construir objetos sabe que isso não é nada fácil. Afinal, se não houver um alinhamento entre todas as partes, é muito provável que a estrutura toda desabe. Eu até parei de brincar – infelizmente – com os meus jogos de Lego. Mas a capacidade analítica continua a me acompanhar e, assim como era na brincadeira, ainda me permite enxergar tantas outras peças que, por exemplo, no mundo corporativo, não se encaixam.

Quer saber um dos melhores exemplos disso? É só olhar para a relação atual entre empresas e estagiários, sejam eles universitários ou secundaristas. De um lado, há um ambiente corporativo com uma ânsia de um jovem que tenha um perfil de líder, seja inovador e criativo, além de possuir uma inteligência emocional no nível do Augusto Cury. De outro lado, você possui jovens nativos digitais, porém, com grande dificuldade de escrever um e-mail sem emojis, cheios de inseguranças, medos e com um nível de paciência quase nulo. E aí é que o jogo não se encaixa e traz sérios problemas, já que as expectativas estão totalmente desalinhadas.

E não para por aí. Um levantamento realizado pela Toledo e Associados, em 2018, com 500 jovens cadastrados no banco de dados do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), com 10 das principais universidades de São Paulo, como a FGV (Fundação Getúlio Vargas) e a USP (Universidade de São Paulo), mostra que 73% dos universitários buscam uma empresa que possua um plano de carreira que faça sentido para a vida profissional. Afinal, já é fato que, na atualidade, a escolha não é mais feita de forma unilateral, ou seja, somente pela empresa. Mas, principalmente, também pelo profissional, de maneira que saímos de um contexto de exclusão para um cenário de negociação: é preciso fazer sentido tanto para a corporação quanto para o jovem. E, se estamos falando de plano de carreira, a pergunta é: O que a empresa tem a me oferecer?

É neste momento que a peça de Lego começa a não encaixar. Apesar de diversas empresas apresentarem ótimas possibilidades de crescimento, muitos gestores aumentam as expectativas e se esquecem de que, para fazer um profissional “caminhar” em um plano de carreira, é necessário capacitá-lo, investindo na formação e aprimoramento das competências, não só profissionais, mas, também, pessoais. Afinal, é por meio da formação que tanto a empresa quanto o jovem podem alinhar e, por fim, chegar a uma estrutura que tenha capacidade de se erguer.

Sim: Assim como o jogo do Lego, essa trajetória não é fácil. Porém, é certo que a paciência e a estratégia sempre foram ótimas atitudes para quem gostava de montar um navio com pequenas peças. Cenário não tanto diferente daquele que grandes empresas vivem hoje para capacitar estagiários. Então, “bora lá” jogar!