Aumenta que isso aí é Rock’n Roll!

Luit Marques e Marcelo Rocci
Luit Marques e Marcelo Rocci – Foto Rafael Cautella

Sonho de amigos nos tempos de faculdade, João Rock chega aos 18 anos como um dos principais festivais do gênero no País.

O ambiente universitário é pródigo em gerar ideias e sonhos. E foi assim, no curso de Administração de Empresas da Unaerp – Universidade de Ribeirão Preto, no interior paulista, que surgiu um dos principais festivais de rock e música pop do País, o João Rock.

Tudo começou quando Luit Marques e Marcelo Rocci, mais um colega da faculdade, hoje falecido, começaram a conversar sobre aquilo que um dia poderia ser um festival de música. “Em fevereiro de 1993 já tínhamos ideia de nome para um festival, que se chamaria Rock Brasil, mas descobrimos que este evento já existia em Belo Horizonte e, mesmo tendo registrado a marca, resolvemos não entrar nesta briga”, relembra Luit. Foi quando a dupla Rocci e Marques partiu para a organização de festas a partir da recém criada empresa Bananas Eventos. “Desde o início, pensávamos o entretenimento como um negócio. Quando havia uma festa, não era o aniversário do Luit, era uma festa organizada pelo Bananas”, diz.

Com a temporada de festas no auge, a ideia do festival de rock não adormecia, pelo contrário, o sonho só ia ganhando mais e mais motivação. “Em 1998 já tínhamos tudo pensado, a logomarca, que seria em torno de uma bateria, já que muitas vezes o rock é associado apenas à guitarra”, explica. E surgiu um novo nome de batismo. “Em nossas pesquisas para o negócio, observamos que muitos bateristas do rock se chamavam John, como o John Bonham, do Led Zepellin, e o John Densmore, dos Doors. Sem falar no João Barone, dos Paralamas do Sucesso, um dos principais bateristas brasileiros”, afirma Luit. Pronto, já havia um nome e uma marca, era só realizar, certo? Errado. “Com a visão empresarial que sempre tivemos, achávamos, ainda naquela época, que se fosse para fazer um festival, teria que ser algo grande. Que nossa empresa precisaria estar estruturada para bancar um eventual insucesso. Era fazer desta maneira ou não fazer”, comenta Luit.

E foi no início de 2002, com os sócios e a empresa mais maduros, tocando outros negócios, como os bares Gamboa e Villa das Flores, além das festas periódicas, que o João Rock começou a ganhar vida. Por meio de uma parceria com a rádio Difusora FM, a primeira edição do festival teve início quando a banda CPM 22 subiu ao palco montado no estádio Palma Travassos, do Comercial Futebol Clube, na noite de 18 de junho daquele ano. “Era uma terça-feira, véspera de feriado de aniversário de Ribeirão Preto, um dia em que os cachês são mais baratos do que em finais de semana, e assim fizemos o primeiro grande evento em um estádio de futebol da cidade”, relembra Luit. Na sequência de CPM 22, se apresentaram naquela noite as bandas Ira!, Cidade Negra e Titãs, que mais tarde entrariam novamente para a história do festival (leia no box).

Estrutura Crescente

Se a primeira edição do festival reuniu 12 mil pessoas, hoje em dia o João Rock chega a receber 65 mil pessoas no Parque Permanente de Exposições de Ribeirão Preto, para onde se mudou em 2008. Em toda a sua história, o evento já recebeu perto de meio milhão de pessoas. E se antes o trabalho começava seis meses antes, hoje o João Rock é pensado o ano todo pela equipe do Bananas Eventos. São 30 pessoas envolvidas diretamente, divididas em diretorias e gerências de negócios apenas do festival. Este número vai crescendo conforme a data dos shows vai chegando, com a contratação de equipes técnicas externas e, no dia do evento, são gerados 3.000 oportunidades diretas de trabalho para fazer o rock tomar conta do Parque Permanente, em uma área de 140 mil metros quadrados utilizada apenas pelo festival. Para se ter uma ideia, a Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, onde é realizado anualmente o Rock’n Rio, possui área de 150 mil metros quadrados.

“Muita gente ligada ao ramo nos pergunta por que não colocamos mais gente além de 65 mil pessoas numa noite. É porque prezamos pelo conforto e segurança do público. Acreditamos que o João Rock é um festival para ser vivenciado e não apenas para ser ouvido”, finaliza Luit.

Festival ganhou Novos Palcos

Se a primeira edição contou com apenas um palco e a presença de quatro bandas, hoje o João Rock tem três palcos e se prepara para receber, no dia 15 de junho, 21 atrações. Em 2016, para comemorar os 15 anos do evento, o João Rock criou o Palco Brasil, reunindo as mesmas atrações do primeiro ano: CPM 22, Ira!, Cidade Negra e Titãs. Depois vieram temas como os ritmos parceiros do rock no Nordeste, a Tropicália e, neste ano, as atenções se voltam para o rock de Brasília (veja programação completa do festival na arte).

Além dos palcos João Rock e Brasil, o festival conta ainda com o Fortalecendo a Cena, espaço destinado a bandas que estão surgindo ou ainda sem experiência em grandes festivais. “O processo de escolha das bandas é acompanhar o mercado da música, do entretenimento, e sentir o que o público do festival gosta, quais são os seus anseios e, a partir dessa análise, tentar criar um line up equilibrado e consistente”, avalia Marcelo Rocci. Colocar outros estilos musicais dentro do festival? Nem pensar! “O nosso negócio é apenas o rock e suas vertentes, como o reggae e o hip-hop”, informa Luit Marques.

Serviço João Rock 2019

Dia: 15 de junho de 2019
Local: Parque Permanente de Exposições (Ribeirão Preto-SP)

Atrações:
Palco João Rock

Paralamas do Sucesso
Pitty
Marcelo D2
Scalene
Baiana System
Zeca Baleiro
Emicida e Rael convidam
Mano Brown
CPM 22
Alceu Valença

Palco Brasil

Raimundos
Capital Inicial
Dado e Bonfá tocam
Legião Urbana
Tribo da Periferia
Natiruts
Plebe Rude

Palco Fortalecendo a Cena

Djonga
Big Up
Rincon Sapiência
Maneva
Filipe Ret
BK

Informações: www.joaorock.com.br

Por Angelo Davanço

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