A Hora e a Vez das Startups. Você está Pronto para a Jornada?


Especialistas da área garantem: este é o melhor momento para tirar ideias de negócios do papel, não importa em que região você esteja. Mas fazem um alerta: estude muito, se dedique mais ainda e aguarde os bons resultados

Fabricio Federici – foto divulgação

“Este é o melhor momento para tirar sua ideia do papel. Faça isso ainda na universidade. Faça isso agora! Não tenha medo de deixar sua carreira corporativa se você realmente acredita em um produto. Muitas Startups precisam da experiência e dos ‘cabelos brancos’ de executivos. Esse novo ‘mix’ de profissionais tem sido vitorioso. Mergulhe nesse novo mundo. Procure parceiros experientes e estude. As Startups estão em todas as partes e mudarão o Brasil!”. A avaliação, para lá de otimista, é de Fabricio Federici, responsável pelo desenvolvimento de negócios na Bossa Nova, a maior Venture Capital em número de investimentos na América Latina, com mais de 450 investimentos no Brasil, Estados Unidos e, agora, em Portugal.

E o que é melhor, não existem barreiras para uma Startup surgir, crescer e despontar. “Temos boas iniciativas, principalmente em Campinas, Ribeirão Preto, Araraquara, São Carlos, Franca, São José do Rio Preto. Cidades que estão se juntando e criando uma denominação chamada Black Valley, que se refere à esta região integrada. De uma forma geral, as coisas estão florescendo bastante e há uma clara evolução e desenvolvimento da organização das comunidades e do ecossistema das Startups no Brasil”, aponta Daniel Abbud, fundador e diretor de marketing da Beblue, fintech especializada em cashback para consumidores em compras realizadas em rede pré-cadastrada de estabelecimentos, e que surgiu em Ribeirão Preto, há três anos. “Isso é o mais interessante das Startups: Essa revolução não tem fronteiras e não está limitada aos grandes centros”, completa Fabricio.

Potencial Inovador

Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o maior número de iniciativas brasileiras do tipo está concentrado nos estados de São Paulo (41%), Minas Gerais (12%) e Rio de Janeiro (9,7%). Em todo o território nacional, estima-se que existam cerca de 6 mil Startups, porém, segundo a associação, o número pode ser ainda maior, entre 10 mil e 15 mil, já que muitas ainda se encontram em fase inicial de validação de ideias e não possuem o CNPJ. “O brasileiro tem um potencial imenso para inovar. O que nós estamos fazendo é criando ambientes que favoreçam essa capacidade de inovar que o brasileiro tem. O resto é consequência”, garante Anderson Criativo, CEO do Onovolab, centro de inovação criado no início do ano passado em São Carlos (SP).

E quando se fala em Startup, inovação, logo vem à mente questões ligadas puramente à tecnologia, mas não é apenas isso. “Startup é sinônimo de modelo de negócio escalável. E é possível escalar negócios em diferentes setores”, explica Anderson. De acordo com a base de dados da ABStartups, as áreas que mais se destacam no setor de Startups são educação (edutechs), agronegócio (agtechs), finanças (fintechs), internet, propaganda, comunicação, comércio eletrônico e saúde e bem-estar. Há, ainda, um número expressivo de Startups nas áreas de logística e mobilidade urbana, entretenimento, eventos e turismo.

Foto Helena Lopes – Pexels

Em 2012, existiam 2.519 Startups cadastradas na Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Em 2017, o número saltou para 5.147. (Agência Brasil)

Quero abrir uma Startup. Por onde começo?

O cenário é favorável, as grandes companhias estão de olho, mas não é apenas ter uma boa ideia que garante o surgimento de uma Startup. “A pessoa interessada em entrar neste meio precisa entender que ideia não é empresa. Startup é execução. Ideia todo mundo tem, disposição para trabalhar e transformar a ideia em um negócio, poucos têm. Também é preciso estar consciente que empreendedorismo não tem glamour. É trabalho pesado. E que o sucesso pode demorar muito”, diz Anderson Criativo, do Onovolab.

“Antes de iniciar, você tem que estar muito ciente de que está entrando numa jornada de longo prazo, ou seja, você não vai ganhar dinheiro no curto prazo, não é em um, dois anos, que você vai ganhar dinheiro. Se prepare para uma jornada de, no mínimo, dez anos. E saiba que vai passar por apuros nesta jornada”, aconselha Daniel Abbud, da Beblue.

Identificada a ideia e verificada a disposição para encarar a caminhada empreendedora, surgem as questões práticas. “Antes de gastar dinheiro e tempo, monte um piloto, teste a sua ideia com potenciais clientes reais, encare-os e apresente o seu projeto. Eles lhe ajudarão a lapidar seu produto ou serviço. Esses são apenas os primeiros passos”, diz Anderson.

A partir daí, não pense que o sucesso vem do dia para a noite. “É preciso estudar bastante o mercado, frequentar os ambientes, estabelecer contatos. Tem muita informação disponível para isso. E tem algo que é fundamental: dedicação integral”, alerta Fabricio Federici, da Bossa Nova. “Sem dúvida alguma, com dedicação, em algum momento você vai chegar lá. E você tem que ser muito sensível e muito humilde para aprender de maneira rápida. Quanto mais rápido você aprender, mais rápido você vai crescer”, finaliza Daniel.

Onde buscar recursos para iniciar uma Startup?

Antes de pensar no dinheiro necessário para iniciar uma Startup, é preciso pensar na preparação, na capacidade do empreendedor que está começando o negócio. Também é necessário entender que o acesso ao capital virá na medida em que se estiver preparado para receber o capital. Muitas vezes, é preciso fazer as coisas com o mínimo de dinheiro possível.

E nestas horas, não é vergonha alguma pedir ajuda. “Normalmente, você vai precisar do capital próprio que tiver, mesmo sendo financiado pela família, pelos amigos, pelas pessoas próximas que se interessam em investir, que acreditam no seu negócio. Esse é o primeiro passo de investimento que você vai conseguir, são as pessoas próximas de você e não investidores profissionais, porque esse tipo de investidor já olha para um time que tenha uma capacidade, uma experiência muito grande, ou que tenha, no mínimo, muito fundamento, que tenha uma carreira executiva, que tenha empreendido mais de uma vez”, avalia Daniel Abbud, da Beblue.

Para Fabricio Federici, uma vez iniciado um negócio promissor, “dinheiro não tem sido problema”. Ele relaciona a existência de muitos investidores Anjo, muitas Venture Capital e muitos programas sendo abertos por grandes companhias. “Esse é um mercado muito colaborativo. Busque o investidor que, além do dinheiro, ajude com relacionamento, clientes, conhecimento. Isso é fundamental”, completa.

Arquivo Pexels
O que é uma Startup?

O empreendimento se caracteriza pela inovação do serviço produzido, geralmente de base tecnológica, desenvolvido a custos menores e processos mais ágeis.

O termo também é sinônimo de pequenas empresas que estão no período inicial de desenvolvimento em condições de alto risco e incerteza. As Startups tanto podem oferecer serviços e produtos diretamente para o consumidor, quanto para outras Startups. Quando alcançam maturidade, elas se sobressaem na oferta de serviços para grandes empresas que terceirizam as atividades relacionadas a inovação, pesquisa e desenvolvimento. (Agência Brasil)

Dicionário de Startups. Veja o que significam os principais termos deste mercado:

Aporte: Apoio (financeiro, capital, de conhecimento) dado a novos negócios.
Business Model Generation: Consiste na geração de modelos visuais que exemplifiquem planos de negócios.
Business Plan: Trata-se do modelo de negócios da empresa formalmente descrito e geralmente feito pelo founder.
Entrepreneurial Angels: Investidores-anjos que possuem e operam outras empresas que já contam com um bom fluxo de capital e podem realizar investimentos mais altos e de maior risco.
Equity: Etapa em que a Startup atinge relevante estabilização e tem seu capital aberto, tornando-se atrativa para venda.
Founder e Co-founder: Criadores da empresa.
Incubadora: Companhias ou projetos que “acolhem” empresas recém-lançadas, como Startups.
Investidor-Anjo: Empreendedor com capital acumulado para investir em novos negócios dos quais ele “compre” a ideia.
Lean Startup: Conceito adaptado da linguagem industrial que consiste em enxugar ou otimizar e simplificar as operações e a gestão de uma empresa.
MVP (Minimum Viable Product): É o coeficiente mínimo de viabilidade de um produto. Estratégias e testes específicos podem demonstrar o quanto um projeto será viável em termos de implantação e comercialização.
Pitch: Discurso utilizado para apresentar, sobretudo a prováveis investidores, o escopo do projeto da Startup.
Seed Money/Seed Funding: Primeiros investimentos externos em uma Startup.
Startup: Empresa recém-lançada que busque um modelo de negócio repetitivo e escalável por meio de uma ideia inovadora.
Unicórnio: Empresa que chegou a US$ 1 bilhão de valuation. O termo é muito utilizado no Vale do Silício.
Valuation: Valor que um investidor oferece pela Startup.
Fonte: Conecta – Programa de impulso a Startups desenvolvido pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) e pelo BMG UpTech

Os Grandes estão de Olho

Tamanha movimentação já chama a atenção de grandes companhias e está cada vez mais comum ver corporações criando áreas de inovação. “Os chamados corporates estão fomentando o mercado com investimento.

Isso é muito bom para todos os lados. Alguns anos atrás as Startups buscavam os corporates. Hoje é muito comum o contrário. Tem muita Startup dentro das grandes corporações e muitas nascendo lá dentro, através de incentivos de intraempreendedorismo”, avalia Fabri cio. “Inovação se tornou uma questão de vida ou morte para grandes empresas e grande parte delas já está em processo de conscientização de que inovar é uma questão urgente”, diz Anderson. “Começamos a sentir um forte envolvimento e interesse da velha economia, das empresas tradicionais, em patrocinar, em apoiar estas iniciativas e estar presentes para fazer parte dessa mudança e evolução da velha para a nova economia”, completa Daniel.

Por Angelo Davanço

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