A Busca por Perfeição

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Mariela Passalacqua
@namarimultibrand 
Graduada em Administração com ênfase em Marketing pela ESPM, trabalhou cinco anos na área de Marketing do Itaú Unibanco. Possui uma loja de roupas multimarcas no Iguatemi Ribeirão Preto há cinco anos.

A parte mais gostosa de ter uma loja, em minha opinião, é o atendimento. Estar junto da cliente, ouvir histórias, conhecer pontos de vista diferentes, aprender – principalmente com quem tem mais experiência do que eu. Vocês não imaginam o quanto eu aprendo dentro do provador. Mas dia sim, dia não, eu saio da loja com uma pergunta na cabeça: de onde vem essa busca tão insana por perfeição?

É muito comum eu escutar várias críticas sobre o próprio corpo – algumas que me deixam até com um ponto de interrogação na cabeça – ou o quanto a roupa não vai ficar boa, porque ela – a cliente – já parte do princípio de que vai marcar, sem nem ao menos tentar prová-la. Preciso ter a sensibilidade de insistir um pouco sem que caia no erro de virar a vendedora chata. Minha insistência na prova tem um bom argumento: a indústria têxtil no Brasil não tem padrão.

Cada marca tem uma modelarem diferente, digo até que cada uma se adapta melhor a um ou outro formato de corpo. Então, o ideal é SEMPRE provar. É ter o bom humor para rir quando a peça ficar estranha e entender que, na maior parte das vezes, o problema não está no corpo da cliente, nem na própria roupa. Um apenas não foi feito para o outro e temos que tentar mais algumas opções até encontrar o par perfeito. É quase um casamento.

Só de falar a gente já entende que não é uma missão tão fácil assim, né? Na maior parte das vezes, a cliente não tem paciência. E por quê? Fácil! Ela espera perfeição, não só do próprio corpo, mas também da peça a ser provada. E nós temos a missão de ser ágeis, precisamos pensar realmente rápido para que ela não saia da loja sem nos dar a chance de provar outra peça. Temos que treinar o nosso olhar para entender melhor cada tipo de corpo, conhecer a fundo as marcas que vendemos, para conseguir indicar, com certeza, o que vai cair bem.

A base dessa relação está na confiança. A cliente precisa confiar em mim, precisa acreditar que eu vou falar que a roupa não ficou boa quando realmente não tiver valorizado o seu corpo – e eu falo, sempre com jeito. E não estamos falando de perfeição. Cada corpo tem sua beleza e nós, turma do atendimento, temos a missão de mostrar o que pode ser valorizado e ter a sensibilidade para disfarçar aquilo que incomoda, caso contrário, ganha-se uma venda, mas perde-se a cliente. E eu prefiro esta frase invertida, perder a venda naquele dia, mas ganhar a cliente para sempre.

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