Zaima Milazzo: ‘Mulheres devem ter Coragem para Mudar o Mindset’


Para a presidente do Brain, Instituto de Ciência e Tecnologia da Algar Telecom, a mulher tem que esquecer o pensamento fixo de que não pode exercer um cargo de liderança, especialmente no mercado de tecnologia

Zaima Milazzo – foto Rafael Cautella

Coragem para mudar o mindset fixo. Deixar de lado o pensamento único de que as mulheres não podem fazer e acontecer no meio da tecnologia, marcado fortemente pela figura masculina. Este é o principal conselho de Zaima Milazzo, que desde dezembro de 2018, preside o conselho do Brain, Instituto de Ciência e Tecnologia criado pela Algar Telecom.

E ela fala com conhecimento de causa. Zaima é formada Engenheira Eletricista com especialização em Telecomunicações pela UFU – Universidade Federal de Uberlândia (MG), e em Gestão de Empresas pelo INSA/Lyon, França. Tem mais de 20 anos no setor de telecomunicações, abrangendo desde a área comercial, como consultora de clientes corporativos, até a direção de uma unidade de negócios de mídia, na Algar Telecom. A maior parte de sua carreira foi dedicada para o desenvolvimento de novos produtos e inovação, liderando equipes que fizeram lançamentos comerciais de diversos produtos, ajudando a empresa a se posicionar como uma das mais inovadoras do setor.

“Nunca encarei o fato de ser mulher como um obstáculo, sempre vivi a minha carreira de uma maneira tranquila. Para mim, a diversidade só tem a agregar nos ambientes de trabalho”, avalia Zaima. Mas ela sabe que o desafio é grande. Uma pesquisa mundial da Harvard Business Rewiew aponta que 41% das mulheres que atuam na área de tecnologia desistem de suas carreiras, contra apenas 17% dos homens. Segundo um levantamento feito em 2018 pelo Instituto Ethos, apenas 12% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres no Brasil, o segundo pior desempenho na América Latina, atrás apenas do México, com 11%.

Para melhorar este cenário, Zaima tem um conselho na ponta da língua: coragem! “A mulher tem que esquecer o mindset fixo de que não pode exercer um cargo de liderança, especialmente no mercado de tecnologia. Ela tem que abraçar o seu desejo de crescer. Entender que, quando se arrisca, a mulher tem enormes chances de sucesso”, aconselha. “As mulheres podem entender de tudo, sobre qualquer coisa. Basta se livrarem do pensamento fixo que diz que elas não podem”, completa.

Mas, afinal, o que é mindset?

Qualquer um de nós, não apenas as mulheres, em qualquer área de nossas vidas, podemos trabalhar a mudança de conceitos em relação ao que pensamos para alterar nossa maneira de encarar os fatos. Mudar o tal mindset, ou seja, como funciona a nossa mentalidade. Mas, afinal, o que é mindset? Segundo o portal Endeavor Brasil, as pessoas de mentalidade fixa acreditam que nasceram com uma “cota” de inteligência que não irá mudar. “Errar para elas é algo insuportável. Por essa crença limitante elas tendem a evitar desafios e experiências novas com medo de parecerem menos inteligentes”. Já as pessoas de mentalidade de crescimento “acreditam que sua inteligência melhora cada vez mais pela aprendizagem e que o caminho do sucesso está no resultado do seu trabalho intenso e do seu esforço”.

Para saber mais sobre o assunto, no livro “Mindset – A nova psicologia do sucesso”, a autora Carol Dweck mostra como o sucesso pode ser alcançado pela maneira como lidamos com nossos objetivos e apresenta o mindset como um elemento decisivo para que todo o potencial do ser humano seja explorado, tornando as pessoas otimistas ou pessimistas, bem-sucedidas ou não.

Carreira

Atuando na Algar Telecom desde 1998, dois anos após se formar na UFU, Zaima começou na área comercial da empresa, no atendimento aos clientes, passou pelo desenvolvimento de produtos, consultoria de clientes corporativos, ingressou no Brain, onde ocupou o cargo de diretora de inovação e operações, até ser eleita presidente do conselho no final do ano passado. “O grupo Algar tem uma tradição de contar com mulheres em cargos de liderança”, diz Zaima.

O Brain é um instituto de ciência e tecnologia que promove o desenvolvimento de soluções disruptivas com foco em três grupos principais: Internet das Coisas (interconexão digital de objetos cotidianos com a internet), Telco Cloud (serviços de infraestrutura em nuvem) e Digital. Os times de trabalho são divididos em squads e para a execução das novas soluções o Centro de Inovação utiliza a metodologia Scrum para implementar o desenvolvimento ágil, que possui princípios relacionados à colaboração, à auto-organização e a equipes interdisciplinares. “Temos um ambiente dinâmico, mas costumo dizer que o colorido do ambiente, por si só, não gera inovação, o mais importante é como desenvolver a melhor solução para as dores dos clientes. É preciso trazer o cliente para desenvolvermos as melhores soluções em conjunto”, acredita Zaima.

Por Angelo Davanço

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