Terminou a Faculdade? Então não perca Tempo, Estude!

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Quatro entre quatro especialistas ouvidos pela Empreende são muito claros ao aconselhar quem acaba de se formar e vai iniciar a sua trajetória profissional: ‘Continue aprendendo, sempre’

Você acaba de terminar a faculdade, quatro ou mais anos aprendendo todas as técnicas necessárias para desenvolver a sua novíssima profissão da melhor maneira possível e, assim, iniciar uma trajetória segura e cheia de recompensas. O enredo parece ótimo, mas todos sabemos que este filme nem sempre tem o final que se espera. O que dizer, então, se esta história ocorre em uma época como a nossa em que, ao se conhecer tudo sobre uma atividade profissional, poucos meses depois, ela está completamente alterada pelos avanços tecnológicos?

A receita para buscar o final feliz? Nunca deixar de estudar. Este é o principal conselho de quatro especialistas ouvidos pela Empreende e que se dedicam a pensar no futuro do trabalho.

“Mais de um estudo mostra que o tempo que se leva, no mercado, para sua formação ter perdido metade da sua utilidade, ou sua empregabilidade, é o tempo que levou a sua formação. Em outras palavras, uma graduação de quatro anos perde a metade da sua utilidade, no mercado, em exatos quatro anos. Isso se você não continuar aprendendo, o tempo todo, enquanto trabalha ou empreende. Na prática, quem sai da universidade, hoje, deveria estar estudando o equivalente a um ou dois dias inteiros por semana”, diz Silvio Meira, professor extraordinário da Cesar.School e professor emérito do Centro de Informática da UFPE – Universidade Federal de Pernambuco.

“Quem está saindo da universidade agora não pode pensar que seu período de estudo e aprendizagem acabou. Muito pelo contrário, a pessoa terá que entender que a partir desse momento terá que buscar cursos e outras oportunidades que façam com que ela agregue valores, muitas vezes intangíveis, ao profissional que quer se tornar um dia. Além disso, é importante buscar entender quais serão as características futuras de sua profissão. Como a sua profissão se transformará com o avanço de novas tecnologias e o que deve fazer para se destacar nesse futuro cenário”, afirma Tonico Novaes, diretor geral da Campus Party.

Conheça as Dez Profissões mais Emergentes no Futuro

Segundo o relatório The Future of Jobs, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial de 2018, realizado em Davos, na Suíça, as dez profissões mais emergentes em 2022 serão as seguintes:

1. Analistas e cientistas de dados
2. Especialistas em AI e machine learning
3. Gerentes de operações e gerais
4. Analistas e desenvolvedores de apps e software
5. Profissionais de marketing e vendas
6. Especialistas em big data
7. Especialistas em transformação digital
8. Especialistas em novas tecnologias
9. Especialistas em desenvolvimento organizacional
10. Serviços de informação tecnológica

Fonte: Relatório The Future of Jobs – Fórum Econômico Mundial 2018

“Continuar competitivo no mercado exige um trabalho que seja, também, um aprendizado. Toda boa empresa é também uma boa escola” (Silvio Meira)

“Atualização permanente deixou ser uma opção para profissionais que queiram se destacar no mercado de trabalho. A necessidade de ajustes nas próprias práticas demanda constante atenção para os fatores que interferem na nossa carreira. Entre eles, os recursos que a tecnologia tem nos propiciado. O mercado tem valorizado o profissional com capacidade de aprender. Aprender, neste caso, é sinônimo de evoluir ou melhorar. Com tantas mudanças e adaptações, nas mais diversas frentes, o envolvimento com a própria evolução precisa ser contínuo”, aconselha o professor da FGV – Fundação Getúlio Vargas e coach de lideranças, Marcelo Jabur.

Para Luís Rasquilha, CEO da Inova Consulting e Inova Business School, ao sair da faculdade, o recém formado deve “manter uma atitude de constante aprendizado e procurar estar atualizado face ao que está acontecendo nas áreas onde atuará.

É preciso estudar e atualizar a base de conhecimento, relacionar-se com ecossistemas que permitam conhecer mais e melhor sobre o contexto dos mercados e testar novas ideias, produtos e iniciativas que permitam construir uma base sólida de conhecimento face aos desafios do mercado”.

E Rasquilha não mira apenas nos alunos em sua análise. Para ele, os modelos educativos precisam ser revistos com urgência. “Ainda observamos muito da educação praticada olhando para o retrovisor e não para o futuro, se preocupando muito com competências técnicas e menos com competências comportamentais. Isso precisa urgentemente ser alterado”, alerta.

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O que fazer para se manter Competitivo no Futuro do Trabalho?

Você já sabe que a vontade de aprender deve ser sua eterna companheira na jornada profissional, mas há outras características e ações importantes de serem aplicadas para quem quer sobreviver no futuro do trabalho. Confira:

• Identifique suas habilidades e procure as melhores maneiras de aprimorá-las;
• Tenha um pensamento empreendedor, mesmo se estiver atuando dentro de uma empresa. Pense em problemas e soluções;
• Familiarize-se com conceitos como data analytics, machine learning, IoT, big data, entre outras tecnologias já presentes;
• Abra-se para a possibilidade de trabalhar em carreiras potencialmente diferentes;
• Tenha consciência de que nada é definitivo. A vida seguirá apresentando muitos desafios e oportunidades;
• Trabalhe cada vez mais sua capacidade de adaptação;
• Busque informação constante sobre as mudanças que ocorrem e as tendências para o futuro dentro de sua área de atuação;
• Pesquise sobre a 4ª revolução industrial e as profissões do futuro;
•Acompanhe redes sociais profissionais, como LinkedIn e Abeeon, siga perfis de profissionais e empresas relacionados à sua atuação;
• Estude conteúdos que permitam sua atualização, em plataformas como canais no YouTube, podcasts, blogs, mas não se esqueça também dos livros, artigos e cursos, on-line ou presenciais;
• Seja inovador, estrategista, resiliente e criativo para construir e propor soluções;
• Tenha coragem de correr riscos e acredite em suas ideias.

Fontes: Luís Rasquilha, Marcelo Jabur, Silvio Meira e Tonico Novaes

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“A inteligência artificial vai nos permitir fazer coisas até agora impossíveis. Precisamos saber como lidar com estas novidades” (Luís Rasquilha)

E se o constante aprendizado é condição essencial para se manter vivo no mercado de trabalho, o olhar atento sobre a própria profissão não deve, nunca, ser relegado a segundo plano. Nem mesmo se pode admitir que uma única atividade seja o suficiente para os padrões atuais do mercado. Para quem ainda vai escolher uma carreira – ou carreiras -, ou para quem quer mudar o próprio rumo profissional, é importante acompanhar as mudanças em curso.

Para Tonico Novaes, o profissional do futuro não será uma pessoa que fará a mesma atividade por anos seguidos em uma mesma empresa. “Ele poderá ter dois ou três trabalhos, trabalhar dois dias da semana em um local, no outros dias tocar a sua startup, por exemplo. O profissional do futuro terá que ter múltiplas habilidades, mas ao mesmo

O Futuro do Trabalho“O mercado, certamente, valoriza profissionais que não ficam estagnados em um conhecimento adquirido há muito tempo” Marcelo Jabur tempo, saber utilizá-las em conjunto, de forma a obter os melhores resultados com as ferramentas que possui”.

“O mercado, certamente, valoriza profissionais que não ficam estagnados em um conhecimento adquirido há muito tempo” (Marcelo Jabur)

No futuro que já se desenha, deverá sobreviver, segundo Silvio Meira, quem se preocupar muito mais com o que não sabe e tentar aprender, investindo tempo e recursos para isso, ao invés de tentar proteger um bom emprego. “No futuro do trabalho não há bons empregos, mas grandes oportunidades de aprendizado que se transformam em carreiras de futuro”, reflete.

Marcelo Jabur lembra que existem dados disponibilizados pela Secretaria de Trabalho dos Estados Unidos que afirmam que 65% dos jovens que estão hoje no ensino fundamental naquele país terão um emprego que ainda não foi inventado. “Por aí já dá para estimar que tem muita novidade pela frente”, prevê o especialista.

Por Angelo Davanço