Berenice ‘brinca’ até hoje de montar e desmontar Casas

Apaixonada pela Engenharia desde criança, professora do Paraná ajudou a criar sistema construtivo sustentável que permite transferir a habitação de local

Berenice Martins Toralles- foto Daniel Procopio/UEL-COM

Um sistema construtivo criado por uma professora e um então aluno de mestrado, há dez anos, no interior paranaense, pode inovar, a partir de agora, a construção de unidades habitacionais no Brasil, unindo tecnologia e a possibilidade de a habitação ser transferida de lugar, com o reaproveitamento de todos os materiais. Desenvolvido pela professora Berenice Martins Toralles, do Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pelo hoje arquiteto Reginaldo de Matos Manzano, o Sistema Construtivo Leve de Alto Desempenho para Vedação Vertical recebeu, em março desde ano, a Carta Patente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Mais um passo dado na carreira da professora Berenice, que se formou em Engenharia Civil pela Universidade Católica de Pelotas, fez mestrado também no Rio Grande do Sul, antes do doutorado e do pós-doutorado em Barcelona, na Espanha.

Na UEL desde 1987, ela atua também na administração, como Chefe de Departamento, Coordenadora de Curso e membro de comissões como Conselho Universitário, Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Sua área de atuação é voltada à construção civil, com ênfase em Materiais e Componentes da Construção.

“Meu interesse pela Engenharia Civil vem desde a infância, quando sempre fui muito curiosa e gostava de montar e desmontar coisas, perguntando como elas eram feitas. Sempre me atraiu criar e também porque meu pai era diretor do Senai e convivi muito neste meio técnico, o que sempre me fascinou.
”Berenice Toralles, Engenheira Civil, Professora e Pesquisadora

Engenharia, como todas as profissões, passa por mudanças

Para a professora e pesquisadora Berenice Martins Toralles, a Engenharia Civil, assim como quase todas as profissões, passa por um momento de mudança de paradigmas. “A entrada dos conceitos BIM (Modelo de Informação da Construção), a impressão 3D, os materiais compósitos, a nanotecnologia, dentre outros em outras áreas como transportes, hidráulica e saneamento, estão aí para serem utilizados e, desta forma, contribuindo para a modernização da indústria da construção civil”, avalia. Mas, independente do avanço tecnológico, para ela, o profissional da área deve atuar, acima de tudo, com motivação. “É preciso estar motivado e querer atuar nesta área com entusiasmo, sabendo que ocorrerão dificuldades, mas que você sempre pode fazer a diferença”, aconselha.

6,35 milhões de unidades é o déficit habitacional do país, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE/2015

O sistema agora patenteado foi desenvolvido por Berenice e Reginaldo em 2009 para participação no concurso de um fabricante de cimento, com a temática habitação sustentável. A dupla acabou não vencendo o concurso, mas percebeu que a criação tinha características inovadoras a ponto de merecer a patente. A inovação está em abrir mão do tradicional tijolo e cimento, substituídos por uma construção modular, utilizando kit composto por pilar, viga, madeira de reflorestamento e placas em concreto celular, mais leve. Segundo os inventores, esta construção só é possível a partir do fornecimento dos kits, pré-fabricados, para serem usados em economia de escala, ou seja, na construção de conjuntos populares, contribuindo para a redução do déficit habitacional do país.

Busca de Parcerias

De acordo com Berenice, agora, com a aprovação da patente, dá-se início à busca de parcerias para viabilizar as construções sob o novo sistema. “Neste momento, estamos na busca de parceiros que comprem o sistema e, assim, se possa comprovar sua eficiência, principalmente em termos de flexibilidade, rapidez, sustentabilidade e custo”, afirma a professora e pesquisadora. Ela não estima quais os custos de construção de uma unidade a partir da invenção, mas garante serem mais baixos se comparados ao sistema tradicional, “principalmente levando em conta a racionalização do processo, a rapidez e a redução da mão de obra envolvida para executar o sistema proposto”.

A professora explica que é possível construir uma uni-dade de cerca de 100 metros quadrados em apenas duas semanas. Esta unidade poderia ser posteriormente desmontada, sem qualquer comprometimento dos materiais

As placas de cimento são colocadas em camadas duplas (uma interna e outra externa) formando paredes. Todo o acabamento hidráulico, elétrico e rede lógica ficam embutidos no interior das placas. No processo encaminhado ao INPI, os inventores definem o sistema como uma simplificação de todos os processos e métodos para a execução do produto final. Ainda de acordo com os inventores, o novo sistema construtivo respeita os chamados três ‘Rs’ da construção civil – reciclar, reutilizar e reaproveitar, colaborando para a sustentabilidade. (Com informações da Agência UEL de Notícias).

Por Angelo Davanço