Do Consultório à Gestão em Serviços de Saúde


Médico Rodrigo Nóbrega fala sobre como deixou o atendimento rotineiro em pediatria para se dedicar integralmente à gestão na área de saúde por todo o País

Médico Rodrigo Nóbrega – foto Guilherme Bordini

A trajetória profissional do médico Rodrigo Nóbrega, 50 anos, é bem peculiar. Formado em 1991 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto/SP, após fazer a residência, iniciou carreira profissional em sua especialidade, a pediatria. Foi assim por duas décadas, trabalhando na Santa Casa, em seu consultório particular ou como médico assistente do Hospital das Clínicas.

Mas, a partir da metade de sua caminhada profissional, Dr. Rodrigo, o pediatra, começou a descobrir um novo perfil como gestor. “Comecei a me dedicar à área de gestão de saúde em 1999, quando entendi que era preciso, além de exercer uma boa qualidade técnica, conhecer também um pouco de gestão para poder me destacar na carreira. Então comecei a estudar por conta própria e já no início dos anos 2000 montamos três projetos de unidades de terapia intensiva infantil, neonatal e pediátrica em Barretos, São Sebastião do Paraíso e Uberaba”, relembra.

Dez anos após o início de sua jornada empreendedora, em 2009 surgiu a marca Gesti, uma empresa focada em gerenciar unidades de terapia intensiva e também destinada a oferecer consultoria. “Começamos a entender que este know-how que a gente tinha em gestão de UTI e mesmo em outros setores de hospitais e operadoras de saúde, poderíamos compartilhar todo este conhecimento através de consultorias e assessorias”, diz.

Gestão em saúde é área em crescimento

A gestão em saúde é uma área nova e em franco crescimento no Brasil. Se há duas décadas, quando o médico Rodrigo Nóbrega se lançou a este desafio, apenas uma faculdade oferecia esta formação, hoje são várias as opções nesta carreira nas universidades brasileiras. “A gestão em saúde vem evoluindo de forma acentuada, em especial nos últimos dez anos, e essa melhora na gestão ocorre tanto na área privada quanto na área pública. Você tem cada vez mais profissionais experientes entrando no mercado e tanto hospitais privados como hospitais públicos, como clínicas e planos de saúde, têm percebido que para sobreviver no mercado é preciso prestar um bom serviço à população, é preciso gerenciar os processos administrativos, financeiros, assistenciais, todos pontos trabalhados pela gestão”, diz.

E para quem deseja se dedicar a esta carreira, o Dr. Rodrigo dá a receita básica: “Primeiro, é preciso ter uma formação básica adequada, uma boa faculdade, um bom MBA, bons cursos. Em segundo lugar é preciso ter experiência prática, pois a escola não é capaz de nos ensinar tudo. Finalmente, por terceiro, é preciso sempre voltar ao ponto inicial. É preciso continuar estudando. Conforme vão surgindo os desafios, devemos pesquisar nos livros, pesquisar na internet, ler muito mais do que sobre a saúde, mas também sobre planejamento estratégico, área comercial, marketing, gestão financeira, gestão de pessoas, aspectos jurídicos, contábeis e assim por diante”, aconselha.

‘Custo é o principal gargalo da saúde brasileira’

Em um setor em que a escalada da tecnologia é intensa, demandando maiores investimentos, e em um país onde a crise econômica interfere diretamente na prestação de serviços em saúde, o principal desafio é a conta a ser paga para a atividade girar. “O grande gargalo em saúde hoje no Brasil é financeiro, você tem um país que viveu uma crise profunda nos últimos anos e a saúde é uma área onde você tem uma incorporação de tecnologia muito rápida. A tecnologia é fundamental para melhorar a qualidade de assistência em saúde, melhorar a resolutividade, o prognóstico, a qualidade de vida dos pacientes, mas ela tem custos e a grande questão da saúde no Brasil hoje é quem paga esse custo”, avalia o médico Rodrigo Nóbrega.

Na outra ponta do avanço tecnológico vem a diminuição de renda de grande parcela da população. “A crise gerou desemprego, fazendo diminuir o número de pessoas com planos de saúde. E quem antes pagava por um plano, muitas vezes hoje não tem mais condições de pagar. Então os planos diminuíram, passaram a ter receitas mais apertadas, com isso têm que negociar tabelas mais baixas com hospitais, clínicas, laboratórios, e ao mesmo tempo você tem uma tecnologia avançando, para atender melhor o paciente, custando cada vez mais caro e vê as fontes de pagamento diminuindo, então este é o principal gargalo da saúde hoje no Brasil”, explica.

Hoje, a Gesti Soluções atua em diversos setores, que incluem a gestão de UTI neonatal, pediátrica e adulta, unidades de pronto socorro e pronto atendimento e serviços de cardiologia, além de consultorias focadas principalmente nas gestões de custos, planejamento estratégico e processos de qualidade. Entre os clientes da empresa, figuram hospitais públicos e privados, unidades de atendimento, planos de saúde e clínicas e consultórios particulares espalhados por todo o País. “Temos clientes em Ribeirão Preto, Sertãozinho, Matão, São Paulo e em Estados como Pará, Bahia, Minas Gerais, Maranhão e Mato Grosso do Sul, entre outras localidades”, enumera.

Serviços de saúde no shopping

Em Ribeirão Preto, a empresa está fortemente ligada ao Centro Médico do Ribeirão Shopping, com participação societária em sete operações, que vão do pronto atendimento a serviços de diagnóstico por imagem, cardiologia e odontologia, além do Esselense Day Hospital. Há ainda participações na gestão de outras duas clínicas particulares, totalizando nove operações no local, lançado há dois anos pelo grupo Multiplan.

“Tem sido uma experiência bastante interessante. O Centro Médico do Ribeirão Shopping tem oferecido serviços de alta qualidade para a população de Ribeirão Preto e região, tanto em relação à qualidade técnica dos profissionais que estão atuando lá, como em relação aos equipamentos que as clínicas dispõem.

Sem contar a área física das clínicas, em um lugar onde é muito agradável do paciente ir, bem mais agradável do que ir a um hospital, ou mesmo a um consultório na cidade. Você tem toda a comodidade, estacionamento fácil, segurança, consegue resolver praticamente tudo no mesmo lugar e no mesmo dia. É um conceito bem bacana, uma ideia muito interessante”, avalia.

Por Angelo Davanço