O Medo de errar e a ansiedade de fazer a Escolha Certa

Pedro Custodio


Pedro Custódio

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Advogado que carrega o escritório na mochila, escreve e ajuda outros advogados a terem mais tempo e mobilidade.
imagem Pexels

Você já ouviu falar na Lei de Hick? Formulada por William Edmund Hick e Ray Hyman, ela descreve, basicamente, o tempo que uma pessoa leva para tomar uma decisão com base no número de opções possíveis a serem escolhidas. Ou seja, quanto maior o número de alternativas, maior será o tempo necessário para que aquela pessoa faça uma escolha.

Nessa era de excesso de informações e inúmeras alternativas, sempre nos encontramos em um paradoxo de escolhas. Se você abrir agora qualquer aplicativo no seu celular, provavelmente vai ver as seguintes opções: “Clique aqui”, “saiba mais”, “cadastre-se agora”.

E a vida é uma questão de escolhas, não é? Em qual área me especializar? Abro um escritório ou começo em home office? Devo fazer esse curso ou aquele? Compro esse carro ou aquele? Até a nossa identidade entra em jogo. Quem vamos ser? Como queremos que nossos clientes nos vejam? Em que assunto devo me tornar autoridade? E por aí vão as alternativas.

Não estou dizendo que isso seja ruim. Nossos antepassados não tiveram tantas opções de escolha. Mas também corremos o risco de cair num limbo entre o arrependimento de escolhas ruins feitas no passado e a ansiedade de fazer as escolhas certas no presente.

Em uma palestra do TED que assisti recentemente, o psicólogo Barry Schwartz fala sobre um dos dogmas centrais da sociedade ocidental: liberdade de escolha. Ele conclui que o excesso de possibilidades de escolhas nos tornou menos livres e mais paralisados; mais insatisfeitos em vez de mais felizes.

Temos dificuldades em escolher uma área de atuação, porque as opções são muitas. Mas o pior não é isso. O pior é pensar que uma poderia te deixar mais feliz, mas a outra mais rico.

Optando pela que te deixaria mais rico, você corre um sério risco de ficar infeliz. Optando pela que te deixaria mais feliz, você corre um sério risco de não ficar rico.

É um paradoxo, realmente. Fica difícil escolher, porque escolher uma coisa significa abrir mão de outra, e aquela velha pergunta bate à porta: Será que vale a pena?

Hoje, percebo o privilégio de viver a impermanência e a inconstância da vida, encontrando talentos e vontades escondidas. O propósito talvez seja a própria descoberta, pois estranho seria já nascer sabendo quais as melhores escolhas para a sua vida.

Em vez de ficar esperando sempre pelo melhor, ansioso pelo próximo capítulo ou pelo que ainda virá, talvez seja hora de se permitir um pouco e confiar mais nas suas escolhas, mesmo que você descubra lá na frente que talvez não tenha sido a melhor.