Henrique Portugal, startup superstar


skank
Banda Skank – Copyright-©-diegoruahn-903

Tecladista do grupo Skank fala sobre como música e empreendedorismo caminham juntos e alerta: ‘Aprender a empreender se tornou uma necessidade’

Economista, cruzeirense, músico e empreendedor, não necessariamente nesta ordem. Assim pode ser apresentado Henrique Portugal, 54 anos, tecladista do Skank, uma das bandas mais conhecidas do cenário rock nacional, com mais de 6 milhões de discos vendidos em quase 30 anos de carreira.

Formado em Economia pela PUC/MG, chegou a trabalhar como analista de sistemas de uma multinacional. “Mas deixei tudo de lado para realizar o meu sonho como músico. Toda a minha formação me ajudou e ainda ajuda até hoje”, reconhece Henrique, que chegou a tocar com o Sepultura antes de conhecer Samuel Rosa, Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti e montar a banda dona de hits como Jackie Tequila, Te Ver, Garota Nacional, Saideira e Balada do Amor Inabalável.

Além de conciliar a agenda de shows, gravações e programas de televisão com o Skank, Henrique ainda encontra tempo para empreender. Conectado à tecnologia e novas tendências, já investiu na Confrapar, uma gestora de fundos de investimento para empresas de tecnologia, e na Pleimo, uma startup com foco em música, duas coisas que, para ele, têm uma ligação. “O músico normalmente sabe compor, criar os arranjos e gravar. As startups são bem parecidas ao pensar numa solução, criação de um aplicativo, mas os artistas e as startups travam quando chegam na parte comercial ou na busca de um investidor”, avalia.

Além da tecnologia e da música, o tecladista do Skank atualmente também mira nas questões ambientais. “Sou sócio numa empresa que fabrica um produto natural orgânico para controle de pragas na agricultura e na pecuária. Sou daqueles que acredita na missão de limpar o mundo de forma saudável e sustentável”, diz.

skank
Henrique Portugal, tecladista do Skank – foto divulgação

“Aprender a empreender se tornou uma necessidade. Estamos vendo as mudanças acontecendo no dia a dia e cada vez mais rápidas. Na verdade, ao montar uma banda você já está empreendendo” – Henrique Portugal, tecladista do Skank.

Música e Mercado

Mas, voltando à música, Henrique diz como o artista deve aliar talento, criatividade e questões ligadas ao mercado na hora de fazer o seu trabalho: “Durante muito tempo se dizia que o músico deveria ficar ligado somente na sua aptidão artística. Existem várias histórias onde os artistas tiveram problemas ao tentar entrar na parte administrativa de suas carreiras. Isto ficou no passado, hoje já se sabe que uma carreira não funciona somente com o lado artístico”.

Conhecimento de mercado especialmente necessário quando se trata da música, uma das primeiras expressões artísticas a serem impactadas pela revolução tecnológica. “A música foi a primeira cadeia de negócios que realmente foi afetada com a digitalização das coisas. Começando com a pirataria dos CDs e depois com as plataformas de distribuição de conteúdo pirata”, analisa. Segundo Henrique, a indústria da música perdeu em torno de 50% da sua receita, fora o fechamento de praticamente todas as lojas e fábricas de CDs no País. “Todas estas mudanças criaram uma nova estrutura de funcionamento que está começando a crescer de forma consistente. Acredito que os outros segmentos de mercado deveriam estudar o que aconteceu com a música para evitar erros que foram cometidos”, avalia.

E se a tecnologia já mudou o jeito de se consumir produtos culturais, como é fazer música hoje em dia? “O processo de divulgação e venda mudou completamente. Hoje pouco se fala de álbuns. Fala-se de singles. Isto é, lançar músicas de forma separada, como acontecia nos anos 50. Não existe mais venda. Agora é você ter acesso para escutar a música que deseja. O que não mudou para nós, artistas, é que o mais importante é criar músicas boas e que façam sentido para as pessoas”.

Para quem quer iniciar hoje uma carreira musical ou fazer algo ligado a inovação, Henrique Portugal é direto no conselho: “Hoje em dia as pessoas estão muito empoderadas com seus smartphones, que dão acesso a tudo. O mais importante para se criar música ou empreender é ser verdadeiro e se tornar um observador da sociedade. Não gaste tempo tentando convencer as pessoas de alguma coisa. Ninguém mais tem paciência para isto!”

Economista, músico e empreendedor. Mas onde entra o Cruzeiro nesta história? Em entrevista ao canal Fox Sports, em 2014, um dos autores do sucesso É Uma Partida de Futebol, que embalou os jogos da Copa do Mundo por vários estádios brasileiros, revelou que a paixão pelo time azul de Belo Horizonte veio da empregada da família que o criou. “Meus pais trabalhavam o dia inteiro e ela era alucinada pela Raposa, um time que, durante a minha infância, era uma máquina de fazer gols. Não teve jeito, rapaz, virei cruzeirense”, afirmou ao canal de televisão.

Por Angelo Davanço