Vai uma Cerveja ou um Café?

Roberta Vasconcellos
Roberta Vasconcellos – divulgação

Empreendedora Roberta Vasconcellos já vendeu trufas, cachorro-quente e roupas. Hoje, com a BeerOrCoffee, oferece soluções de coworking para freelancers, empresas e até grandes organizações

Mineira Roberta Vasconcellos, hoje aos 31 anos, sempre foi comunicativa, inquieta e nunca teve dificuldades para se relacionar com as pessoas. Com apenas 12 anos começou a vender trufas para os colegas do colégio. Quando foi fazer o high school no Canadá, se virou vendendo cachorro-quente. De volta ao Brasil, foi vendedora em loja de roupas ao mesmo tempo em que cursava a faculdade de Publicidade e Propaganda. Fazendo estágio na empresa da família e em agências, não sossegou e começou a fazer o curso de Direito. Depois de dois anos, o universo das startups cruzou o caminho de Roberta, que largou o curso para integrar o time comercial da Samba Tech, empresa líder em soluções em vídeo na América Latina.

“A venda dos doces, do cachorro-quente e das roupas deram uma excelente base para eu atuar no time comercial da Samba e, em seguida, no universo do empreendedorismo. Como sempre falo, negócios são feitos de pessoas e elas são a base de tudo. Então, eu amo me relacionar com as pessoas e entregar soluções que possam trazer mais liberdade e alegria para a vida delas”, diz Roberta. Após esta primeira experiência, se uniu ao irmão, Pedro, na criação de vários negócios, principalmente o Tysdo e, agora, o BeerOrCoffee.

Surgido em 2013, o Tysdo era um aplicativo que tinha o objetivo de conectar pessoas, a fim de que elas realizassem seus sonhos. “Todos temos uma lista de coisas que queremos realizar na vida – correr uma maratona, terminar um MBA, viajar, dedicar-se a uma causa social -, e muitas vezes deixamos para depois por algumas desculpas, mas uma vez que nos organizamos e estamos motivados, somos capazes de realizá-los. E, para atingir esses objetivos, nós conectávamos pessoas para que se ajudassem e fizessem coisas juntos”, relembra Roberta.

No entanto, como pode acontece na vida de qualquer empreendedor, o negócio acabou não indo para a frente, mesmo tendo chegado a ter 200 mil usuários e ser eleito entre os melhores apps de 2014 pela AppStore. “O desafio de um aplicativo com características de rede social e voltado para o usuário final é muito grande, devido à necessidade de aquisição e engajamento diário de milhares de usuários. Além disso, o modelo de negócio era o principal desafio. No fim, para ganhar dinheiro, viramos mais uma agência de marketing de experiência do que uma startup, com um modelo escalável de geração de receita. Nossa monetização tinha base em projetos, algo que não era o nosso interesse”, reconhece a empreendedora.

Roberta Vasconcellos
Roberta Vasconcellos – divulgação

Modelo tradicional já não é tão atraente

Embora o coworking não seja algo exatamente novo, o modelo de espaços compartilhados é uma indústria ainda considerada jovem. Os números do censo Coworking Brasil 2018 indicam que esse mercado cresceu 48% no Brasil no último ano, saltando de 810 para 1.194 unidades em operação. “Este é um reflexo do fato de que o modelo tradicional já não é tão atraente para as pessoas, que querem consumir tudo sob demanda, sem se preocupar com obra, móveis, aluguel, IPTU, condomínio, limpeza, manutenção e todos os investimentos de tempo e recurso para se ter um escritório, se podem optar pelo modelo de trabalho compartilhado, em que você consome seu escritório como serviço – que obviamente está muito alinhado com a economia compartilhada -, e crescerá cada vez mais”, projeta Roberta Vasconcellos.

E com o avanço da tecnologia, que permite que o trabalho remoto aconteça, aliado ao desejo das pessoas por mais qualidade de vida no trabalho e liberdade para escolher onde querem trabalhar, as empresas estão cada vez mais adotando políticas de flexibilidade no ambiente de trabalho, para aumento da produtividade, felicidade e consequente retenção dos colaboradores. “Definitivamente, o coworking é um espaço para todos, incluindo grandes, médias e pequenas empresas, além dos autônomos e freelancers.

As empresas enxergam o coworking, acima de tudo, como um movimento estratégico, que reduz custos, aumenta a produtividade e a retenção de talentos, cada vez mais essencial para elas se manterem competitivas no mercado”, analisa a empreendedora.

Foco no networking

E se todo tropeço traz uma lição, a descontinuidade do primeiro projeto abriu caminho para outras ideias e, depois de dois anos, surgia um novo empreendimento.

“Como o que fizemos de melhor no Tysdo foi conectar pessoas, nós decidimos criar um novo negócio com foco no networking. A ideia era conectar pessoas do universo profissional, com ideias e objetivos afins que poderiam estar próximas através de um ‘café ou cerveja’. Uma vez que já usamos esse meio quando queremos encontrar alguém, decidimos chamar o negócio de BeerOrCoffee, que foi fundado em 2015, junto ao Eric Santos e ao Pedro Vasconcellos”, explica.

No início, a plataforma era uma espécie de “Tinder de negócios”. As pessoas só entravam no app por meio de um convite e o lucro do trio de empreendedores era o valor do primeiro café ou da primeira cerveja entre dois usuários do serviço. No entanto, o modelo de negócios foi mudando aos poucos, segundo Roberta, porque o próprio mercado e as pessoas indicavam o caminho a seguir.

“Hoje, oferecemos soluções de coworking para empresas – inclusive grandes organizações, como Movile, Algar, Renault e GymPass -, e profissionais que desejam ter mais flexibilidade e mobilidade no ambiente de trabalho. Atualmente, são mais de 800 espaços de coworking na rede, em cerca de 150 cidades brasileiras. Oferecemos soluções de escritórios privativos, compartilhados e salas de reuniões, principalmente para empresas e equipes de todos os tamanhos, mas também atendemos profissionais como os freelancers e os empreendedores individuais. Temos espaços para todos os gostos, tamanhos, bolsos e localizações, de acordo com a necessidade do cliente”, finaliza Roberta.

Por Angelo Davanço