Das Raves ao maior evento de Experiências Tecnológicas do Mundo

Tonico Novaes começou organizando festas de música eletrônica e hoje é um dos responsáveis pela Campus Party Brasil, que neste ano atraiu um público total de 130 mil pessoas

Depois de pouco mais de quatro anos à frente da direção geral da Campus Party Brasil, Tonico Novaes vai virar o ano com um novo desafio, ao assumir o cargo de diretor de patrocínios do evento que, anualmente, reúne mais de 100 mil pessoas para cinco dias de imersão em casos de inovações tecnológicas e desenvolvimento de novos negócios.

“Trabalhar na direção geral da Campus Party é muito gratificante pois a relação de troca com a comunidade campuseira é muito intensa. Acredito que agora poderei contribuir para trazer maiores ativações e experiências diferenciadas de marcas para ajudá-las a ter uma maior participação e engajamento com a comunidade”, avalia Tonico, antes de fazer planos: “Acho que agora vou ter tempo de ir na Campus Party e curtir mais o evento! (risos)”.

Não que ele não tenha curtido cada edição que participou como diretor geral, “acumulando” o cargo de mestre de cerimônias no melhor estilo cosplay, encarnando personagens como Harry Potter, Darth Vader, Capitão América e Spock, entre tantos outros. Tanta desenvoltura sobre o palco vem da trajetória de Tonico. Formado em Administração de Empresas com ênfase em eventos e inúmeros cursos na área, incluindo ESPM e Harvard Business School, ele foi um dos pioneiros das raves no Brasil, levando as festas para um público de alto poder aquisitivo no final da década de 1990. “As raves eram marginalizadas, mas com o seu crescimento e legalização dos próprios eventos, se transformaram em grandes festivais de música eletrônica, onde conseguimos transbordar as experiências do público e damos ‘tempo’ para as pessoas. Acho que as ferramentas para que as pessoas esqueçam o dia a dia e se concentrem no próprio festival mudaram um pouco, mas continuam com o grande objetivo de entregar mais ‘tempo’ a quem participa”, explica.

Tempo que, na Campus Party, é ocupado com uma infinidade de atividades voltadas à tecnologia, diversão, inovação, novos negócios e educação em tempos digitais. Para Tonico, já é um consenso que a educação brasileira é algo ultrapassado. Ele gosta de citar Ney Neto, um dos seus pares na MCI, a empresa produtora do evento no Brasil, que diz que temos que ensinar para nossas crianças coisas que a máquina não pode aprender. “O Ney tem razão, temos que passar às crianças o contrário do conhecimento acumulado e trazer a parte do sentimento, da sustentabilidade, da afeição, do respeito ao próximo. Que são coisas que dificilmente a máquina vai aprender”, reflete Tonico.

Espanha recebeu a primeira Campus Party há 22 anos

A Campus Party surgiu na Espanha, onde foi realizado o primeiro dos eventos em 1997, posteriormente estendendo–se a outros países como Brasil, Colômbia e México. Hoje é considerado um dos maiores eventos de inovação, ciência, criatividade e entretenimento digital de todo o mundo, tendo reunido milhares de cidadãos de todos os cantos em um único espaço. A versão brasileira do evento foi realizada pela primeira vez em 2008 e, ao longo de 12 edições, já se consolidou como uma das maiores do planeta.

“É difícil dar conselhos, mas hoje aconselharia as pessoas a serem colaborativas, inclusivas, humanas e sempre estar de olho nas ferramentas tecnológicas para entender como podemos viver numa sociedade melhor”

“Acho que a educação está passando por uma transformação muito grande, principalmente quando falamos em educação nos negócios, com diversas ferramentas tecnológicas, e as pessoas tendo acesso cada vez mais a possibilidades da economia circular e compartilhada. Esse é um caminho sem volta”, completa.

Tecnologia e Trabalho

Para Tonico, chegamos em um momento em que devemos parar de falar em geração de emprego e começar a falar em geração de renda através da economia compartilhada, das tecnologias, para criarmos soluções tecnológicas que ajudem a sociedade a trabalhar de forma mais colaborativa. “Temos que entender que estamos entrando numa época de colaboração, de se importar com o próximo, de inclusão. Os jovens hoje já estão vivenciando isso. Há muito mais harmonia e confraternização com essa nova geração do que com as gerações que já estão no mercado de trabalho”, acredita.

E como o mercado de trabalho em si pode ser afetado pela escalada da tecnologia? “É preciso entender como o mundo moderno vai se equilibrar com a digitalização e a chegada da inteligência artificial, o machine learning, a ciborguização, o blockchain. Antes, pesquisas diziam que na próxima década, 30% dos trabalhos desapareceriam.

Hoje já acredito que 10% irão desaparecer, mas 100% se transformarão, ou seja, todas as profissões vão mudar. O profissional que souber se adaptar não vai ser substituído pelo robô, ele saberá como trabalhar em sinergia, usando a ferramenta como um meio”, finaliza

Por Angelo Davanço