Moradias como Reinvenção das Cidades

Alexandre Frankel – divulgação

Engenheiro e empreendedor Alexandre Lafer Frankel aposta em unidades compactas, próximas ao trabalho e repletas de serviços compartilhados. Tudo para oferecer mais qualidade de vida aos moradores das grandes cidades

A frase do engenheiro civil e empreendedor Alexandre Lafer Frankel pode parecer um tanto utópica, mas na verdade já vem se tornando realidade em algumas regiões da cidade de São Paulo onde, há 10 anos, ele atua à frente de uma construtora que primeiro pensa nas pessoas e depois nas soluções. “De início, comprei um terreno na Vila Olímpia e resolvi lançar nesse espaço dois empreendimentos – um residencial e outro comercial, lá estava a gênese da Vitacon – queria propor a facilidade de locomoção até o trabalho, a busca pela mobilidade, ali começava uma jornada contra ficar parado no trânsito, ter mais tempo e qualidade de vida”, explica o engenheiro que, antes de se dedicar integralmente à sua profissão, empreendeu em startups de tecnologia, produzindo games. Quando se voltou para a vocação que vem de família, apostou em ideias disruptivas. “Queria fugir dos prédios beges, dos grandes condomínios, queria propor empreendimentos com a cara de São Paulo”, diz.

Acompanhando o movimento das novas gerações, Alexandre aposta em novos conceitos para a área da construção civil. “Estamos passando por uma revolução de comportamento. As pessoas querem viver experiências, isso é mais importante. Posso ter um morador que hoje está residente na Vila Olímpia, mas amanhã, se surgir uma oportunidade de trabalho em Higienópolis e ao invés dele ficar escravo do transporte, dos longos deslocamentos, poderá trocar sua residência. Minha proposta é que a moradia seja um serviço. Que as pessoas possam morar perto do trabalho, compartilhar tudo que elas puderem e ter a cidade como opção de diversão e lazer”, defende.

“Queremos reinventar as cidades através das moradias”

Para ele, tudo é mais prático hoje em dia. As pessoas pedem comida pelos aplicativos de celular, assistem e ouvem o que querem e quando querem pelo streaming, pegam uma bike ou patinete elétrico e acessam diferentes pontos da cidade rapidamente. “Com a moradia não é diferente, tudo está mudando e o jeito das pessoas viverem e morarem também. Estamos em um momento de transformação e precisamos antecipar as necessidades das pessoas, as coisas precisam ser simplificadas e isso é o que mais me motiva. Acreditamos em tempo ao quadrado, promover formas de as pessoas terem mais tempo para o que realmente importa, de ficar com a família, morar perto do trabalho, promover encontros em comunidade, fazer uma faculdade, ter mais tempo para o que quiser. Estamos falando em promover a qualidade de vida”, avalia.

Alexandre Franke – divulgação

Espaços Compartilhados

E não é apenas na redução ou eliminação do deslocamento de casa para o trabalho, e consequente economia de tempo, que o empreendedor aposta. Alexandre também está de olho nas novas maneiras de trabalhar e consumir das gerações contemporâneas. “Os nossos espaços de coworking nos prédios são uma verdadeira febre, vemos negócios surgindo entre moradores. Temos prédios com guarda-entrega refrigerado, ou seja, as pessoas não precisam sair correndo porque a encomenda que ela fez vai chegar e precisa ser guardada na geladeira. O prédio tem um refrigerador, a entrega pode chegar e o item será armazenado corretamente, até o horário que o morador voltar para casa. Isso traz qualidade de vida e conforto”, explica.

Entre os modelos oferecidos pela construtora, há prédios compactos, com bicicletas, carros, patinetes, motos, tudo disponibilizado para compartilhamento entre os moradores. “Criamos esse ano o App Space que consiste em projetar prédios como plataformas para serem plugáveis a aplicativos de celular que queiram operar seus produtos e serviços dentro do condomínio. Na prática, o prédio funcionará como um dispositivo (celular) com uma série de serviços (aplicativos) que estarão integrados à estrutura física do complexo residencial, disponíveis 24 horas por dia e que ajudam o morador na hora de pedir comida, passear com o pet, fazer exercício, cuidar da aparência, ir ao médico, entre outros serviços”, enumera.

“Temos que entender como a sociedade se movimenta, nos adaptar e antecipar as tendências do mercado

A construtora ainda conta com uma ferramenta para locação totalmente on-line que permite que a pessoa, a partir de pagamento via cartão de crédito, alugue uma unidade de moradia por um tempo pré-definido ou mesmo indeterminado. Algo como um “Netflix imobiliário”. “A geração Z está aí, e estamos nos preparando para atendê-la. É a geração que não quer ter carros, porque prefere a mobilidade das bikes, patinetes e metrô e não se preocupa em comprar apartamentos, porque vê no aluguel a chance de morar onde quiser, quando quiser. É a geração da experiência, da ‘mochila nas costas’. Eles não compactuam com esse modelo de negócio fixo; a proposta são startups e querem, através do celular, fazer reuniões, tudo na palma da mão. É o mundo conectado que não tem mais paredes.

Tudo ajuda no sucesso desse conceito, e esse conceito não é nosso. Podemos muitas vezes ter antecipado uma tendência, mas apenas fomos mais atentos às mudanças que estão acontecendo”, finaliza.

Por Angelo Davanço