Design Contemporâneo Brasileiro


Dono de um estilo sofisticado e atemporal, o catarinense de Videira tornou-se referência na produção moveleira nacional e internacional

Jader Almeida – divulgação

Ser capaz de transformar o ordinário em belo é uma tarefa difícil. Mas fundir elementos estéticos apurados com boas práticas de design é para poucos. Contudo, há profissionais que se destacam e consagram seus nomes em prol do consumo consciente e produção de objetos atemporais – aqueles considerados verdadeiras peças de arte e passados de geração para geração.

É por esses valores e um talento indiscutível que o brasileiro Jader Almeida, de 38 anos, é nome de peso no ramo da arquitetura e design. Para alcançar tal feito, o ganhador do prêmio Designer do Ano de 2019, oferecido pela Revista Casa Vogue, começou a trabalhar muito cedo, além de apostar em um modo operacional responsável, que se preocupa desde a concepção do projeto até o impacto produzido no ambiente e na vida dos consumidores.

“O bom design e os bons negócios são sinônimos para uma indústria gerar valor à economia e à sociedade”, explica. “Outros diferenciais são a leveza, o traço fluido, a delicada e equilibrada escolha dos materiais somada ao compromisso com o bom desenho”, completa.

Início Precoce

O catarinense natural de Videiras, e residente de Florianópolis, passou a infância certo de que iria trabalhar com algo que remetesse a processos artísticos. Entretanto, não sabia qual graduação se adequava a esse ideal. “Desde criança, quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, já tinha convicção de que queria ser engenheiro, estilista ou qualquer coisa relacionada a desenho”, diz Jader.

O arquiteto descobriu sua aptidão e teve sua primeira experiência prática ainda muito jovem, com 16 anos, quando trabalhou em uma fábrica de médio porte, no município de Chapecó (SC). “Lá, descobri toda a complexidade do trabalho industrial. São várias pessoas fazendo diversos serviços, dezenas de componentes e milhares de itens. Percebi que era esse o caminho a seguir”, alegra-se ao relembrar.

Convicto de sua vocação, com 19 anos, Jader deu mais um passo importante para construção de seu nome no setor. “Em 2001, a Gisèle Schwartsburd, diretora da LinBrasil, viu uma coleção lançada pela empresa em que eu trabalhava.

Chamou a atenção dela nossa técnica de encaixe e o cuidado produtivo, então, ela nos procurou para fazer as peças do Sérgio Rodrigues. A ideia era terceirizar e gerir a fabricação”, relata. Jader enfatiza que, mesmo muito novo, ficou encarregado de entender os modelos, confeccionar os moldes e gabaritos, os métodos de fabricação e fazer as fichas e desenhos técnicos dos componentes para a execução das peças em série. Anos mais tarde, em 2004, o profissional foi convidado para integrar o time da SOLLOS, empresa moveleira, para desenvolver produtos exclusivos para a indústria.

foto divulgação/SOLLO

Bases Consolidadas

Os pilares que sustentam anos de profissão e que fizeram Jader ganhar reconhecimento do público e de seus pares são provenientes de um fator que, segundo ele, é de grande valia em sua vida. “A palavra que define tudo é o silêncio. Nossos produtos cumprem a função de maneira calma e harmônica. Não obstruem, mas agregam. Não gritam que são elegantes. Apenas são. São o oposto ao descartável. Viajam pelo tempo, pegam a marca do local e das pessoas, quase que se fundem em uma simbiose e, por isso, tendem a ser cada dia mais belos. Ou seja, perenes”, conta.

Tal harmonia e comprometimento com o ofício fizeram o nome do arquiteto ascender não só no Brasil, mas, também, reverberar em uma das feiras mais conceituadas do cenário internacional de design contemporâneo, o International Contemporary Furniture Fair (ICFF), em Nova Iorque (EUA). “A minha participação se deu com o apoio do Projeto Raiz, coletivo promovido pela parceria do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis) e a APEX-Brasil, que visa fortalecer a promoção do design brasileiro”, relata. “A nossa percepção é que, definitivamente, as pessoas apreciam o nosso produto, seja pelo design, pela qualidade ou mesmo pelo conjunto”, ressalta o profissional.

“Nossos produtos cumprem a função de maneira calma e harmônica. Não obstruem, mas agregam. Não gritam que são elegantes. Apenas são. São o oposto ao descartável. Viajam pelo tempo, pegam a marca do local e das pessoas, quase que se fundem em uma simbiose e, por isso, tendem a ser cada dia mais belos. Ou seja, perenes”

Peças Icônicas

Dentre mais de 150 móveis e acessórios com a sua assinatura, Jader não tem como mensurar qual projeto é mais relevante. Contudo, o arquiteto destaca um em especial, não só pelo design atemporal, marca registrada em seus projetos, mas devido à aceitação tida pelo público. “Não temos, na cultura brasileira, o hábito de usar cabideiros ou mancebos dentro de casa, por isso, para mim, o cabideiro Loose foi algo interessante, já que agora vejo em uso em muitas residências”, diz. Ele ainda ressalta: “A minha predileção não é só pelo aspecto funcional de atender uma necessidade, mas por ser um objeto instigante, com apelo estético que transcende seu uso”, orgulha-se.

Para a criação de peças emblemáticas, o catarinense permeia o seu processo criativo em três fatores essenciais: equilíbrio, bom design e execução realizada de forma honesta. “Parto da minha própria produção, ou seja, adição de camadas, refinamento e depuração. É uma maneira da qual gosto, pois me coloca em uma linha de pensamento e garante uma linguagem coerente”, afirma. “A inspiração está associada ao fazer. Tudo se conecta de alguma maneira, e, no momento de desenhar algo, tudo isso está no subconsciente e de alguma forma faz sentido e contribui para o processo criativo”, completa.

Estética sofisticada à parte, o profissional é conhecido, também, pela riqueza de materiais usados em suas concepções mobiliárias. “Costumo utilizar uma ampla gama para enriquecer os produtos e amplificar as interpretações e sensações, além de possibilitar, em casos especiais, um novo olhar”, descreve, frisando que, na SOLLOS, o controle dos métodos de produção está em concordância com todos os requisitos ecológicos. Ou seja, o uso inteligente de recursos para minimizar as perdas e excedentes.

Por Camila Rodrigues