O Empreendedorismo Social defendido por Karen Henken

Karen Henken e Leopoldo Andretto – imagem divulgação

“Minha maior paixão é promover a inovação e o empreendedorismo em escala global”

Oempreendedorismo não precisa apenas estar ligado a expansão de negócios e geração de lucro em novos mercados. Para Karen Henken, professora de Prática e Relações Institucionais na Kroc School, Universidade de San Diego, na Califórnia (EUA), o ato de empreender também pode estar atrelado à promoção de ações capazes de mudar uma realidade. Pode ser feito, segundo Karen, de uma maneira localizada, como, por exemplo, dentro de uma comunidade carente, promovendo a capacitação de moradores para possíveis vaga de emprego, ou, como ela vem desenvolvendo em anos de profissão, na orientação e trabalho conjunto com grandes empresas, que irão, a partir de decisões positivas, promover atos importantes e rentáveis em países de baixo desenvolvimento, havendo uma melhora no âmbito global.

A expertise de Karen é proveniente de duas décadas dedicadas ao mercado tecnológico, especialmente no Japão. “Tive oportunidade de trabalhar com produtos de última geração e fundadores visionários para aumentar as oportunidades de mercado em nível internacional”, relata, enfatizando que foi uma experiência ímpar de aprendizado e crescimento profissional.

Contudo, a professora dedica-se, atualmente, a repassar toda metodologia aprendida para organizações em estágio inicial. “Minha maior paixão é promover a inovação e o empreendedorismo em escala global. Trata-se também de vincular o poder dos negócios como propulsor do crescimento econômico e sua capacidade de criar bem social para resolver os problemas mais prementes do mundo.

Acredito que as empresas tenham a capacidade de criar mais impacto social do que qualquer outro setor, devido aos vastos recursos que geram e controlam em escala global. Isso é mais do que apenas marcar a caixa para “doações de caridade”. Ela deve ser parte integrante de sua cadeia de suprimentos, do envolvimento e retenção de funcionários e dos consumidores que escolhem suas marcas”, salienta ela, que já promoveu oficinas de inovação social e empreendedorismo para ONGs da Colômbia, Vietnã e Brasil.

Para saber mais, conversamos com Karen Henken, que compartilhou seu conhecimento e respondeu dúvidas pertinentes sobre essa nova forma de pensar em empreendedorismo e como podemos utilizá-la, de forma a proporcionar uma melhoria em toda uma cadeia de negócio. Veja!

Por que o empreendedorismo social é tão importante para a sociedade?

Karen Henken – Sou uma defensora apaixonada pelo poder do empreendedorismo social, para criar e promover novos modelos de mudança. Vivemos em um mundo em crescente disparidade econômica. O crescimento exponencial da sociedade civil e organizações sem fins lucrativos, relacionadas nos últimos 20 anos, em quase todos os países, demonstra que há um compromisso em abordar questões globais importantes de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. No entanto, o setor tradicional sem fins lucrativos nunca será capaz de atingir suas metas de escala e impacto com base no que tem sido sua fonte de financiamento, principalmente, por meio de doações e subsídios. O empreendedorismo social permite que as organizações criem novas fontes de receita sustentáveis para ajudá-las a obter mais escala e impacto, alinhando-se à sua missão de criar mudanças sociais.

Quais são os principais fatores que levam os investidores a assumir riscos em startups?

Karen Henken – Os investidores buscam retorno. Hoje, existem formas muito mais variadas de capital disponíveis. Capital de risco continua a crescer como uma oportunidade de investimento e financiamento. Esse modelo mercadológico tem conquistado, historicamente, pelo menos, 10 vezes mais retornos sobre qualquer investimento – pelo menos nos EUA -, em prazos bastante curtos. Entretanto, há também uma tendência crescente de “dinheiro lento”, ou seja, investimentos de capital que tenham um horizonte de tempo mais amplo e que permite um crescimento mais prolongado e estável. Já o crescimento dos fundos de investimento de impacto em escala global também apresenta um investimento diferente, concentrando-se em organizações que geram retorno social ou econômico mensurável, bem como retorno financeiro.

Qual é o papel da liderança com as novas práticas de inovações reproduzidas pelas organizações?

Karen Henken – Para uma liderança verdadeiramente eficaz e exemplar, que promova inovação, ela deve começar no topo da organização. No entanto, também é fundamental que as responsabilidades de liderança sejam compartilhadas entre todos os funcionários e que as opiniões e talentos de todos sejam importantes. A gerência sênior deve estar comprometida com a criação de uma cultura de inovação que permita assumir riscos e apoie o “fracasso” quando apropriado. Os líderes devem estabelecer processos para incentivar e reconhecer ideias novas e potencialmente “disruptivas”, incentivadas por todos os níveis. Ao olhar para organizações globais consideradas verdadeiras líderes em inovação, como Google, Unilever, Apple, General Electric, Salesforce, Natura e Facebook, percebe-se que todas elas fornecem ferramentas e plataformas para permitir que os funcionários busquem ideias alinhadas com suas paixões e habilidades únicas.

Como a senhora vê o desenvolvimento de novas empresas daqui a 10 anos, com a concorrência mais acirrada?

Karen Henken – Hoje, as empresas só podem ter sucesso inovando continuamente e reinventando-se continuamente. Elas precisam estar muito sintonizadas com o desejo de seus clientes, pois o consumidor de hoje compara continuamente produtos com acesso a informações instantâneas e, portanto, não é tão fiel como nas gerações anteriores. As empresas devem fazer todo o possível para desenvolver produtos exclusivos e depois proteger sua propriedade intelectual, mas isso não é suficiente.

Os ciclos de produtos são cada vez mais. Propriedade intelectual, patentes e segredos comerciais não garantem mais uma vantagem competitiva na maioria dos setores.

Para manter ou conquistar a liderança em inovação, é essencial que as empresas criem processos para garantir que possam buscar e adotar as melhores ideias dos funcionários de toda a organização. Não se trata apenas de envolver apenas aquelas que são as “ideias” mais visíveis ou as pessoas em funções de gerenciamento. As melhores ideias podem vir de qualquer departamento ou geografia. A inovação é alavancar seus recursos da maneira mais eficaz e criar canais de comunicação que possibilitem isso.

Como você enxerga a economia quando for em sua maior parte comandada pela geração Z?

Karen Henken – A geração Z nunca esteve sem um smartphone ou acesso instantâneo à Internet. Muitos acreditam que essa geração precisará de níveis muito mais altos de estímulo mental, pois suas vidas são constantemente bombardeadas por informações e envolvimento com seus telefones. Novos produtos e serviços refletirão isso, talvez mais interativos do que nunca. Eles também se importam muito com este planeta e seu futuro, pois muitos veem o impacto das mudanças climáticas, o deslocamento interminável da população em escala global e as preocupações sobre para onde seu mundo e futuro estão indo. Eu acredito que eles serão uma geração que desenvolverão com êxito a liderança de novas maneiras.

Por Angelo Davanço

Escrito por Camila Rodrigues