‘Não existe Churrasco errado, errado é não fazer Churrasco’

divulgação

Um dos assadores mais conhecidos do País dá dicas de como fazer um bom churrasco e explica porque prefere assar à moda argentina

A frase que dá título a este texto é de Rick Bolzani, 39 anos recém-completados, um dos mais conhecidos assadores de carne em eventos gastronômicos e nas redes sociais do País. Como quase todo brasileiro, foi no quintal de casa, observando o pai nos finais de semana, que ele aprendeu os primeiros truques da arte de manejar uma churrasqueira.

“Digo humildemente que não tenho formação alguma na área da gastronomia, nunca trabalhei em restaurantes ou algo do tipo, sou apenas um apaixonado por churrasco, como a maioria dos brasileiros”, explica o tecnólogo em eletrotécnica, nascido Carlos Henrique, no interior do Paraná, e que hoje vive com os pais e uma irmã em Sorocaba (SP), onde administra a empresa da família ligada ao ramo madeireiro.

As experiências que teve ao iniciar os trabalhos na churrasqueira o levaram a preferir a tradição argentina da parrilla. Uma heresia para quem vive em disputa para saber quem é melhor? Nem tanto. “No futebol, prefiro o Pelé ao Maradona, lógico, mas nos assados, minha paixão por grelhar na parrilla me faz preferir o churrasco argentino”, diverte-se, antes de explicar o quê, afi nal, nos diferencia dos hermanos: “Aqui no Brasil, tradicionalmente, temos os assados de fogo de chão, a costela, por exemplo, aquela que a gente coloca num espeto apropriado com suporte, põe fogo em volta e fi ca horas e horas assando lentamente, temperada com sal grosso, muitas vezes com cerveja e tal. E temos, também, as churrasqueiras das casas, que têm um coxo fundo, enchemos de carvão e assamos as carnes com espeto ou na grelha. O churrasco argentino, e também o uruguaio, além de terem os assados de fogo de chão igual aos nossos – eles fazem muito os cordeiros patagônicos, aqueles abertos ao meio e amarrados em um espeto cruz, que também fi cam no fogo por horas e horas –, existem as churrasqueiras tradicionais deles que chamamos de parrilla, uma churrasqueira de grelha, onde as barras são de ferro, em formato de canaleta V ou U, com um coletor de gordura no final. A brasa é feita toda em uma caixa lateral, às vezes no meio da parrilla se ela for grande, que chamamos de caixa de fogo ou braseador, e toda a brasa que é feita ali é puxada para baixo da grelha, que fica a uma distância de 15 a 20 centímetros, fazendo um assado bem mais puro, onde se aproveita melhor o sabor da carne e de outros alimentos, porque não tem incidência de fogo nem labaredas, ou muita fumaça”. Resumindo, como na parrilla a gordura escorre pela canaleta e cai no coletor, ela não pinga no carvão, o que ajuda a conferir um resultado muito mais saboroso ao servir a carne. Ponto para os argentinos.

divulgação

Carne de Segunda

Sabe aquele corte mais barato, que você nunca levaria para casa para servir um churrasco aos amigos? Pois a chamada carne de segunda tem lugar especial na lista de ingredientes de Rick Bolzani. “O meu preferido é um corte desses ‘de segunda’, da parte do dianteiro do animal que faz parte do acém, chamado de short rib. Para mim a textura e o sabor desse corte se diferenciam. Existem diversos outros cortes taxados como ‘de segunda’ e que estão em alta no momento, um deles é outro corte do dianteiro do animal que faz parte da paleta, chamado de flat iron. É o segundo corte mais macio do animal, só não tão macio quanto o filé mignon, porém, com muito mais sabor”, revela.

Definido o melhor corte (ou o mais viável no momento), vem outra polêmica que envolve o mundo dos churrasqueiros de plantão: o sal. Com a palavra, o especialista: “O sal existe para realçar o sabor do alimento, neste caso, a carne. Uso -pouco sal nos meus grelhados, porque opto sempre por valorizar o sabor da proteína e não gosto que o sal se destaque”, finaliza Rick.

Eventos de assados estão em Alta

Como o churrasco é uma das preferências nacionais, eventos de assados, os chamados BBQ, são realizados em diversos espaços espalhados pelo País, como shoppings, estacionamentos, áreas externas de estádios e conjuntos de quadras esportivas. O próprio assador Rick Bolzani organiza um, junto ao sócio Marco Bianchi. “O Let’s Grill é realizado regularmente em grandes redes de shopping e o público está cada vez maior e mais apaixonado. No ano passado, em Sorocaba, reunimos quase 25 mil pessoas em um único evento BBQ”, comemora.

Assador dá Dicas nas Redes Sociais

Rick Bolzani usa o YouTube e o Instagram para difundir as boas práticas churrasqueiras. Para ele, lidar com as redes sociais surgiu naturalmente. “Eu sempre fui muito natural nas redes sociais, até mesmo porque, pouco tempo antes disso virar um trabalho, tudo era só uma paixão e um hobby, então, sempre foram postagens naturais, eu nunca usei aplicativos para conseguir seguidores, aqueles para curtir fotos automaticamente para influenciar alguém a vir até meu canal, e acho que isso me deixou muito tranquilo, porque hoje tenho um público bem real, fiel e participativo, já que eu compartilho receitas que qualquer pessoa consegue reproduzir em suas casas. Claro que, eventualmente, uso equipamentos dos meus patrocinadores que são difíceis de ter em um apartamento, mas sempre posto alternativas para todos terem a oportunidade de fazer seus assados”, conclui.

Por Angelo Davanço