fbpx

A Percepção da Realidade Barulhenta

Augusto Carminati


Augusto  Carminati
@augustocarminati

Pós-Graduado em História: Cultura e Sociedade e, também,em Antropologia Comportamental. Especialista em Branding (a criação e conceituação de marcas) pela Curtin University,da Austrália. Professor, mentor e consultor de marcas,além de sócio-diretor do Núcleo Imm.

Arquivo Pexels

Por mais que a gente diga que não, percebemos as coisas de forma muito esquisita. Uma destas percepções é a da realidade. Por exemplo, a maioria de nós tende a achar que é mais pobre ou mais rico do que gostaria. Talvez seja um efeito que o Instagram nos causou, sei lá.

A verdade é que, se sua renda familiar é de pouco mais de três mil reais, você está na famigerada classe C, que, muitas vezes, você também tende a achar que é um bando de pobre, ou seja, aquela galera que você provavelmente chama de “povão”. Por outro lado, se você ganha cinco mil reais, faz parte dos 10% mais ricos do País. Ou seja, muito provavelmente, sua percepção sobre si de ser pobre ou de ser rico está errada em qualquer vertente.

Você é pobre sim, pois vive na realidade de um país pobre, mas pobre dentro dos mais ricos do País. Esquisito né?

O Brasil é estranho, não tem uma percepção muito precisa sobre si mesmo. Outro dia, eu estava dando uma consultoria e a dona do restaurante que eu estava atendendo me alertou que seria preciso reestruturar seu “espaço kids”, pois a maior parte de seus clientes eram famílias constituídas por um casal e dois filhos pequenos.

Antes de qualquer coisa, eu fiz o que todo mundo sempre deve fazer: pesquisa. Pesquisa é a fonte de tudo. Foi aí que a pesquisa do público de primeiro círculo, ou seja, o público que o restaurante já possui, demonstrou que toda a percepção da dona estava errada: 70% do seu público era constituído por mulheres solteiras e sem filhos.

Por isso, não podemos confiar na percepção. Feeling é coisa para os artistas e exotéricos; quem quer resultados pragmáticos não pode depender disso. A gente sempre tende a ter uma percepção da realidade baseada no que faz mais ruído.

Uma criança dentro de um restaurante faz barulho, corre, ou seja, parece que ela ocupa todo o espaço da casa. Isso causa a percepção de que tem criança a toda hora, tem criança pra caramba. Só tem criança. E não é bem assim, como muito claramente demonstrou a pesquisa. Quase a dona investe rios de dinheiro em um elemento completamente errado de seu estabelecimento.

Mas isso também não é uma exclusividade do meu cliente. E nem do Brasil. Na Inglaterra, por exemplo, uma pesquisa recente perguntou aos londrinos qual era a porcentagem que eles imaginavam que havia de muçulmanos em seu país. A resposta majoritária? 25%.

Para os londrinos, um quarto da população de Londres é formado por muçulmanos tradicionais, paramentados, cultural e etnicamente distintos dos ingleses tradicionais.