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Pode haver Dúvida Razoável?


Nesse último mês, a rotina de inúmeras famílias foi alterada sensivelmente pela incorporação de novas palavras em nosso vocabulário corrente: COVID-19, pandemia, coronavírus. Essas expressões não só passaram a integrar as conversas diárias, mas permearam o seio familiar, semeando as mais profundas preocupações em cada alma, em cada coração.

Não é a primeira vez que somos acometidos por gripes de efeitos nefastos: lembro de minha avó lamentando as perdas com a Gripe Espanhola, em 1918. Modernamente, em 2003, enfrentamos uma epidemia de influenza aviária na Ásia, vírus que surpreendeu ao se constatar que poderia ser transmitido diretamente das aves aos humanos. Ainda mais recente foi a Gripe Suína, iniciada em março de 2009, no México, e recepcionada no Brasil em maio de 2009, também provocando uma pandemia em solo brasileiro.

Contudo, nada se compara ao quem tem acontecido em nossos dias. De uma semana para outra, a busca implacável por máscaras de proteção e álcool gel provocou o aumento do preço e o desaparecimento desses produtos das prateleiras. Uma simples tosse provoca pânico generalizado, chegando às raias da ignorância contra aquele que ousou perpetrá-la. Escolas, clubes, igrejas, lojas, restaurantes, praias e parques foram fechados… a ordem, seja silenciosa ou bradada, serena ou exasperada, é fiquem em suas casas.

Depois de tomadas todas as precauções em ritmo alucinante, em meio ao afastamento social, uma dúvida começou a me incomodar: há reais motivos para tanto? Sim, pessoas faleceram na Itália, na Espanha, na China, locais onde faz um frio tremendo nessa época do ano. Onde as pessoas recorrem à calefação e outras formas de aquecimento, protegendo-se das baixas temperaturas e permanecendo em ambientes fechados. Algo bem pouco usual no Brasil, mesmo no inverno.

Será que os hábitos de higiene de brasileiros, europeus e chineses são tão parecidos a ponto de expor a todos da mesma forma e na mesma medida? Lembro quando passei um tempo trabalhando na Europa e uma amiga perguntou se eu tinha alguma doença dermatológica, pois tomava até dois banhos por dia. Ela conseguia se manter limpa e confortável sem gastar tanta água, que é bem mais cara por lá do que aqui.

Sem contar as grandes diferenças alimentares entre a gastronomia brasileira e a chinesa. Não que uma seja melhor que outra, apenas contam com ingredientes e meios de preparo diferentes. Aliás, esse é o ponto que me leva a refletir: as diferenças.

Faz sentido comparar elementos tão distintos? “Ah, mas prevenção sempre é bem-vinda.” Concordo. Porém, prefiro o comedimento, pois até vitamina demais pode fazer mal.

Hoje, seria importante encontrar um ponto de equilíbrio que preservasse a saúde e não levasse a economia à falência, porque o vírus vai passar, mas talvez a crise econômica, não. O foco de minha preocupação não se refere a banqueiros e montadoras. Esses aguentam dois, três meses de lockout. Estou falando de pequenas e médias empresas que contratam mais de 50% da população brasileira. De cabeleireiros, boutiques, lojistas com seus negócios próprios que contratam funcionários e dependem de faturamento para pagá-los. Inclusive para que esses funcionários possam ter planos de saúde, por exemplo, e não abarrotar ainda mais o SUS.

Quanto tempo conseguirão se manter? Manterão seus quadros de pessoal? Não me alinho com aqueles que acreditam tratar-se apenas de uma “gripezinha”. Claro que não. Mas será que não estamos elevando o covid-19 a uma nova Peste Negra? Médicos altamente gabaritados defendem posições antagônicas, sempre subsidiados por estatísticas precisas e estudos aprofundados para ambos os lados. Em meio a tudo, estamos nós: leigos e preocupados.

E é como leiga e preocupada que essa dúvida razoável me aflige. Só resta aguardar e “desejar profundo” (como diria o poeta) que o movimento pendular, extremista, pare e o equilíbrio possa reinar. Pelo bem da saúde e da economia.

Thaís Cíntia Cárnio é especialista em Banking, professora de Direito das Relações Econômicas Internacionais, Direito Empresarial e Mercado Financeiro da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras. Em 2020, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil. Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.

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Por Assessoria de Imprensa Universidade Presbiteriana Mackenzie
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