Luiz Escañuela, o artista que extrapola o Real em suas Obras

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O interesse pelo hiper-realismo, estilo adotado em suas obras, surgiu pelo interesse em captar detalhes, muitas vezes, imperceptíveis a olho nu, do corpo humano e como eles podem carregar uma carga repleta de interpretação – foto divulgação

Descubra quem é o pintor hiper-realista que potencializa as emoções humanas em suas obras artísticas

Diante da grandiosidade de suas obras – não só pelo tamanho, mas pela quantidade de detalhes vívidos que, muitas vezes, extrapolam o real – é possível captar, segundo o artista plástico Luiz Escañuela, de 26 anos, pequenas nuances e histórias de vida, que podem gerar uma infinidade de interpretações, fazendo o espectador se questionar se está diante de uma pintura a óleo ou uma fotografia. Isso porque, o paulista natural de São Caetano do Sul, região do Grande ABC, retrata, com maestria, a anatomia humana usando técnicas pertencentes ao movimento do hiper-realismo. “Sempre nutri uma atração muito forte de como podemos ressignificar a nossa própria realidade”, compartilha.

O artista confessa que foram as obras produzidas pela britânica Jenny Saville que fizeram ter a certeza de trabalhar com a pele e as massas corporais de um jeito poético. Contudo, há outros nomes que ajudaram Luiz a desenvolver um estilo próprio dentro desse nicho artístico. “A brasileira Adriana Varejão também é uma grande inspiração.

Ela intersecciona anatomia com iconografia e faz uma releitura incrível de obras do período colonial brasileiro”, conta, e diz que não se prende apenas em agentes artísticos que dialoguem com sua estética. “Todos os dias ganho uma inspiração nova. Estou sempre acompanhando o que tem sido produzido na pintura contemporânea; artistas que trabalham com diferentes materiais e linguagens”.

Ele ainda destaca os nomes de peso: Kit King, Marco Grassi, Jaime Lauriano, Ai Weiwei, Marina Abramovic, Ron Mueck, Li Songsong, Jeremy Geddes, Marco Beccari, Eloy Morales e Paulo Piota, como agentes de cultura importantes em sua trajetória profissional.

Despertar da Vocação

Antes de conquistar seu espaço no meio das artes plásticas, Luiz vislumbrou a carreira de designer gráfico. “Fiz curso de Design Gráfico e Arte, mas não conclui a formação em artes. Sempre soube que gostaria de trabalhar com criação e, durante a adolescência, optei pelo design, onde imaginava que encontraria um equilíbrio entre o mercado de trabalho e a minha liberdade criativa”, salienta, frisando que sua relação com a produção artística começou cedo. “Acho que ‘crio’ desde os meus 6 anos de idade.

Desenhos, histórias e maquetes. Sempre gostei muito de trabalhos manuais e, de certa forma, essa predileção foi se aperfeiçoando e eu passei a reproduzir coisas mais íntimas com as minhas criações”, diz.

Em paralelo com os estudos de design, Luiz não deixou de colocar em prática novas técnicas e produzir estudos. Uma dessas produções, foi a séria autoral SÍMIO – espécie da ordem dos primatas mais próximos da evolução do homem -, que contemplava dez obras de caráter intimista e questionadora. “Foi a primeira vez que usei a técnica para expressar algo extremamente íntimo para mim. Usei a figura de símio para abordar aflições e dores nas relações humanas”. “Por meio desse trabalho ganhei uma bolsa para estudar Artes no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e iniciei, de fato, a minha carreira artística com uma exposição coletiva”, relembra.

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óleo sobre tela – foto divulgação

Extrapolar o Real

Luiz orgulha-se ao falar de seu trabalho e seu processo criativo. “Primeiro escrevo bastante sobre o trabalho para fixar a minha pesquisa. Depois parto para uma sessão de fotos com modelos – estipulando as partes do corpo que serão fotografadas –, acertando a luz e dramaticidade. Após edição da imagem base, faço a reprodução para a tela e pintura óleo. O que pode levar de dois a seis meses de produção”, explica.

Ainda segundo o artista, suas obras são passíveis de provocações. “Acredito que o hiper-realismo pode aproximar com mais facilidade e introduzir novas discussões para o debate artístico. Dentro das possibilidades posso reproduzir o real, deformá-lo, representar algo de maneira literal ou completamente metafórica”, explica, frisando que essas características pertencentes ao seu trabalho possibilitam o entendimento de leigos e especialistas.

Esse conjunto de ações que nortearam a produção de DISRUPTO, sua primeira exposição profissional, que aconteceu em 2019 na galeria Luis Maluf, em São Paulo. “Esse trabalho foi resultado de três anos de pesquisa e experimentos. Foi nele que consegui mostrar o meu trabalho com diálogos entre as obras e a coerência conceitual, que procuro inserir como um todo”, conta. “Foi uma experiência incrível poder conversar com todas as pessoas presentes e ter contanto com os elogios e críticas.

Também é um momento de laboratório para mim, como artista, porque é na recepção e na reação dos espectadores que posso captar interpretações para as obras que crio”, complementa.

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óleo sobre madeira. O artista elabora estudos complexos da anatomia humana para compor suas obras – foto divulgação

A Rentabilidade da Arte no Brasil/Arte como Profissão

Para Luiz, para viver de arte no Brasil é preciso ter, com toda certeza, um planejamento prévio e muita paciência. “Começar a vender seus trabalhos ou sua pesquisa é como ser contratado por uma empresa, onde você receberá um salário mensal com benefícios. O processo pode ser lento, mas acredito na importância de ter uma outra fonte de renda para ter segurança nos primeiros meses e anos”, relata. “É preciso circular entre as galerias, fazer leituras de portfólio e trocar vivências com outros artistas”, conta o artista que tem, em sua conta pessoal no Instagram, 241 mil seguidores e foi considerado um dos brasileiros com menos de 30 anos mais influentes no país pela revista Forbes, que listou 90 nomes em 15 diferentes áreas.

A estratégia adotada por ele trouxe resultados frutíferos. “Já expus nos Estados Unidos e, no ano passado, ministrei um workshop na Alemanha, que irei repetir, também, na cidade de Munique”, frisa, e diz que esse intercâmbio cultural só é possível pela troca com outros artistas e pessoas.

Por Camila Rodrigues