Mão-de-vaca? Não, Financeiramente Racional!

thiago franco


Thiago Franco
@thiagofranco.coach
abeeon.com/ thiago-franco 
Especialista em liderança e CEO da Turnus, startup de gestão de escalas de trabalho. Atua como coach, professor e consultor, desenvolvendo pessoas para pensar de maneira mais estratégica e se conectar melhor com outras pessoas.
imagem Pexels

Mão-de-vaca!” Eu prefiro “financeiramente racional”, mas me chamam disso desde criança. Nunca fui de gastar dinheiro e sempre me senti mais satisfeito economizando do que comprando. Eu guardava praticamente tudo o que ganhava e falava com orgulho do tanto que eu tinha economizado. Já adulto, por muito tempo, consegui trabalhar e poupar (literalmente guardar na poupança) todos os meses, religiosamente, atitude que salvou minha pele várias vezes.

Vi muita gente se esborrachando exatamente do outro lado da moeda. “Eu mereço!” A afirmativa é uma lança afiada que atravessa o coração do bom senso e justifica a compra de coisas que, no fundo, já sabemos de antemão que não precisamos realmente. “Mas eu trabalho tanto! Eu tive um dia tão difícil!” O que de fato está acontecendo aqui? A compensação. Compramos para nos sentir bem e compensar um sentimento de falta (seja do que for), o que não dura muito, por isso, a necessidade de comprar mais e mais. Não eu, claro, eu sou mão-de-vaca. E, como todo bom mão-fechada, eu tinha planos maiores.

Minha meta era comprar uma casa, porque disseram que eu tinha que ter o sonho da casa própria. Mas algo me incomodava nessa história. Pela janela do avião, fiquei olhando as minúsculas caixinhas brancas lá embaixo e me veio a pergunta: “Qual é o sentido de me enfiar em uma dívida de 30 anos pra comprar uma dessas?” BUM! “Que sonho é esse?! Olha só, Thiago, esse sonho não é seu!”. Pode soar estranho, mas como o sonho, o valor do dinheiro é uma ideia. Não faz sentido amarrar 30 anos de trabalho em uma casa, mas faz sentido gastar alguns milhares de reais numa bicicleta. PRA MIM. Comprar só vai te trazer um benefício real e duradouro quando você se conhece e sabe o que traz a alegria que você quer.

No fi nal das contas, tudo se resume em saber o que quer e usar bem o que tem. Usar bem não é apenas gastar sabiamente, mas fazer o dinheiro valer mais em suas mãos. Poupar me trouxe disciplina, mas se eu conhecesse mais sobre mercado financeiro antes, não teria só um 13.º; poderia ter um 14.º ou 15.º com muito menos esforço do que fazendo hora extra. Quando aprendi sobre como fazer o dinheiro render, pude recusar trabalhos que pagavam mal ou que não estavam alinhados com meu plano de futuro. Deixo aqui um único conselho de uma amiga e coach que me ensinou muito: o dinheiro é uma moeda de troca. Para usá-lo bem, é preciso aceitar que ele é consequência de um trabalho bem feito e de uma visão de futuro inabalável.