Sofisticação nos Detalhes

Roberta Banqueri
Roberta Banqueri – foto: Henrique Padilha

Dona de um estilo fresh e atemporal, a paulistana Roberta Banqueri tornou-se nome de peso na produção moveleira nacional e em premiações de design

Poucos profissionais são capazes de lançar um olhar atencioso aos detalhes. Saber projetar com sensibilidade e prever necessidades de seus clientes são fatores preponderantes para aqueles que querem um lugar de destaque no setor, mais que concorrido, da arquitetura. Por ter esses valores bem consolidados em sua trajetória profissional e dona de um estilo fresh e atemporal, Roberta Banqueri, de São Paulo é nome de peso na arquitetura e design de objetos brasileiros. Porém, para conquistar tais honrarias, a paulistana ganhadora da menção honrosa no Prêmio Salão Design, de 2020, teve que vencer desafios e se reinventar, por diversas vezes, como profissional. Para saber mais, nós, da revista Empreende, conversamos com a arquiteta, que compartilhou sua trajetória e inspirações que a acompanham há mais de 20 anos.

Começo de uma Trajetória

Após a conclusão do curso profissionalizante e já cursando a graduação de Arquitetura e Urbanismo, na Universidade Bandeirantes de São Paulo, a paulistana, aos 21 anos, deu mais um passo importante na construção de seu nome no setor, a abertura de seu primeiro escritório. “Foram anos muito desafiadores. A captação era algo que minha sócia e eu sabíamos fazer bem, pois estávamos acostumadas a desempenhar esse papel na loja de móveis planejados que trabalhávamos. Contudo, o maior desafio foi ser empreendedora. Gerir sem ter muitos projetos e fazer com que os clientes pagassem bem, mesmo sendo desconhecidas no ramo. Foi desafiador ter o discernimento de fazer boas escolhas, mas a vida ensinou”, diz, enfatizando que o traço empreendedor, por algum tempo, não foi muito levado a sério. “Sempre achei que não era boa o suficiente. Hoje sei que sou uma mulher empreendedora e que tenho força e coragem para fazer e recomeçar”, pontua.

Roberta Banqueri
O buffet Pele é um dos premiados na categoria Silver do Prêmio A’ Design Award, de 2018, e ganhou menção honrosa no Prêmio Salão Design, 2020 – divulgação

“Sempre achei que não era boa o suficiente. Hoje sei que sou uma mulher empreendedora e que tenho força e coragem para fazer e recomeçar”

Construção de uma Marca Autêntica

Segundo a designer, não é possível escolher apenas uma escola artística que defina seu trabalho ou que auxiliou na composição de seu estilo próprio. “Admiro o modernismo das soluções, a acessibilidade de Le Corbusier, do movimento questionador da Bauhaus, a perfeição italiana e a despretensão escandinava. Acredito que todos eles aparecem, de alguma maneira, nos meus projetos”, confessa. “É a água que eu bebi e bebo. Então, com certeza, terei sempre essas referências, mesmo tendo de consolidar a minha base”, pontua a profissional, que se permite acertar e errar, como forma de constante aprendizado.

Admiradora de movimentos, a designer aposta também em um mix de referências pessoais, que se desenvolveu, segundo ela, durante sua convivência com clientes e os anos trabalhando com arquitetura, para a construção de sua marca. “Era incansável, da minha parte, entender os clientes e fazer algo que os agradassem. Porém, recentemente, olhei para dentro de mim e para o que eu gostaria de fazer, e me vejo produzindo algo que remete ao meu tempo, de forma contemporânea, mas, também, com referências fortes do modernismo, que eu adoro”, confessa.

Ambientes Desafiadores

Para complementar sua formação e explorar segmentos diferenciados, Roberta fez pós-graduação em Arquitetura Hoteleira. “Nos projetos dessa magnitude, temos que ter uma preocupação redobrada com o bem-estar e segurança dos hóspedes. Priorizamos, nesse tipo de empreendimento, durabilidade e funcionabilidade de produtos e espaços, desempenho dos materiais, eficiência energética, sustentabilidade das ações e percepção do público”, salienta a designer e complementa que esses fatores permeiam projetos de hotéis de luxo ou de caráter mais econômico. “Não é só ser belo”.

Os desafios que permeiam seus projetos ligados a redes hoteleiras, em alguns aspectos, como segurança, são os mesmo que norteiam a construção de ambientes hospitalares – algo que também está presente em seu portfólio. “Cada ambiente tem um uso específico, contudo eles se interligam e, por isso, é preciso estudar normas que regem esses locais, conversar com os profissionais atuantes na saúde, entender todas as necessidades dos pacientes, além de conhecer a funcionabilidade de cada equipamento. É um trabalho para uma equipe enorme de arquitetos e engenheiros especialistas na área”, conta sua experiência no setor.

Roberta Banqueri
Sofá Pedras (vermelho) ganhou na categoria Silver do Prêmio A’ Design Award 2018, na categoria Móveis, Artigos Decorativos e Design de Artigos para Casa – divulgação

Transição Profissional

Movida por desafios, seja criar espaços funcionais e confortáveis para hóspedes de um hotel ou centros cirúrgicos, Roberta, depois de anos de profissão e um nome consolidado no ramo de arquitetura, está colocando em prática seu amor pelo design de produtos. A transição para a nova área aconteceu de forma orgânica e, ao mesmo tempo, muito intensa. “Foi algo visceral, que contou com uma evolução e reforço espiritual muito grandes. Para quem vê de fora, parece que surgiu do nada, porém foi um processo que começou em 2016. Me sinto muito feliz em me possibilitar a oportunidade de arriscar e ter tido coragem para mudar. Tudo é diferente, mas conto com a experiência”, diz.

Com a mudança de ares, Roberta, por meio de seu cuidadoso trabalho, foi agraciada com importantes premiações. Uma delas é o A’Design Award na categoria Silver com três peças: Sofá Pedras, Linha Pele, Luminária Urbana, que também lhe renderam o short list do Brasil Design Award, em Design de Produto. “Não tenho como expressar a felicidade por essas premiações. Foi uma carga de encorajamento e da validação do caminho escolhido; é um reforço de fé e um sinal para seguir em frente”, emociona-se.

Em meios a tantos projetos realizados e premiados, a designer afirma que não tem como mensurar, dentro de seus 20 anos de profissão, qual peça ou projeto é mais importante. Para ela, todos, sem titubear, possuem uma peculiaridade especial e significância dentro da sua história profissional – seja pelo seu material arrojado ou funcionabilidade. “Amo todas demais. Olho para cada uma delas com carinho e me sinto realizada. Algumas me comovem, como o Aparador Vó – amo o que ele representa. Agradeço a Deus por toda inspiração”, finaliza.

Por Camila Rodrigues