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O Ano em que Resetamos o Planeta

Déborah e Thiago
Déborah e Thiago – foto Rafael Cautella

Iniciamos o ano de 2020 com entusiasmo e muitas expectativas positivas. Acreditávamos que 2020 seria o ano de realizar tudo aquilo que nós não conseguimos nos anos anteriores devido à crise econômica que o Brasil vinha enfrentando desde 2015. Janeiro passou, fevereiro acabou, e com ele o Carnaval. Março chegou e este seria o mês que de fato as coisas começariam a melhorar no país. Mas, como popularmente costumamos dizer, “só que não!”

Uma pandemia se consolidou em março de 2020 e o ano que era para ser incrível, está sendo o pior ano da vida de todos os presentes nesta data. Isso porque, mesmo com toda tecnologia de ponta, informação abundante, grandes especialistas, a humanidade não estava preparada para uma pandemia deste porte, pois a principal ferramenta que nós carecemos, para lidar com problemas como este, é a inteligência emocional. O medo de não sobreviver ao vírus dominou a mente de toda população mundial e não fomos capazes de raciocinar com clareza.

Todo bom empreendedor sabe que o pensamento racional, livre de emoções, é a maneira mais inteligente para encontrar as melhores soluções de um problema de alta complexidade. No caso de uma pandemia, essa solução depende de inúmeras variáveis, mas nada impossível de se resolver com as ferramentas que temos nessa era. Fomos dominados pelo medo e nosso instinto de sobrevivência nos cegou. Com nossa capacidade intelectual reduzida, a melhor solução que pudemos encontrar para diminuir o número de mortes pela COVID-19, foi deixar a população do planeta inteiro em casa e isolada.

Certamente essa não era a melhor saída. Uma boa solução não causa graves efeitos colaterais, mas uma solução ruim, sim! Podemos enumerar vários efeitos colaterais negativos que essa “solução” ocasionou, mas vamos focar em três principais fatores que foram impactados gravemente por ela, são eles: saúde mental, liberdade e trabalho.

Saúde Mental

A maneira como estamos lidando com a pandemia, nos fez interromper nossa jornada, ou seja, nossa vida mudou profundamente. Nossas emoções estão alteradas, muitos de nós estão incapacitados de focar e pensar racionalmente devido ao medo de não sobrevivermos ao vírus. Estamos com dificuldades de sentir prazer com as coisas que nos davam prazer antes. Estamos mais reativos, nossas relações estão ficando desgastadas e estamos mais intolerantes do que nunca. Nosso cérebro não é capaz de lidar com tamanho estresse. Somos apenas seres humanos, não super-heróis.

Mas como atravessar esse momento com mais equilíbrio emocional?

Até retomarmos a vida, um pouco mais parecida do que tínhamos antes da pandemia, devemos respirar fundo, cuidar da nossa alimentação, evitando alimentos e bebidas que aumentam o cortisol – hormônio do estresse – no organismo. Praticar atividades físicas ao ar livre, tomar sol. Conversar regularmente com as pessoas que você ama. Não ver notícias constantemente, escolha apenas um momento do dia para se atualizar. Faça coisas que te dão prazer, para liberar endorfina, dopamina e serotonina – hormônios do bem-estar. O equilíbrio emocional é essencial para atravessarmos esse problema com o mínimo de dor e obter clareza nos pensamentos.

Liberdade

A quarentena – solução encontrada para a pandemia – fez com que nossa liberdade de sair de casa ficasse restrita. Não podemos “passear” no clube, na praia e no parque. Não podemos jantar em nosso restaurante favorito. Não podemos ir ao shopping, não podemos nos encontrar com amigos numa festa de aniversário. Não podemos viajar nas férias. Aliás, muitos foram obrigados a sair de férias e passar por toda ela dentro de casa. Muitas pessoas foram impedidas de retornarem ao seu país de destino. Nossa liberdade de ir e vir foi abalada e o sentimento de impotência nos deixou ainda mais ansiosos e estressados.

Trabalho

E como se não bastasse ter nossa liberdade restringida, muitas pessoas foram impedidas de trabalhar. Apesar dos governos tentarem bancar financeiramente o trabalhador que foi impedido de exercer seu trabalho, ele se esqueceu de uma classe muito importante, o empresário. Ao obrigar as empresas – de todos os tamanhos – a suspenderem suas atividades, o empresário deixou de receber o seu pró-labore, o seu sustento. Você, leitor da Empreende, sabe que uma empresa é capaz de gerar receita para sustentar seus funcionários, fornecedores e sócios. Mas se ela está fechada, não há faturamento, logo não há receita para pagar todos aqueles que dependem dela. Milhões de pessoas são impactadas por essa medida a ponto de não terem recursos financeiros para fazerem as compras do mês no supermercado.

E o que podemos fazer?

Diante de tantos efeitos colaterais negativos, é evidente que nossos governantes não estão tomando decisões inteligentes para passarmos da melhor maneira por essa pandemia. Mas podemos aprender muito com essa experiência inusitada e dessa maneira encontrar soluções que sejam inteligentes e suficientes para gerar o mínimo de impactos negativos para os próximos grandes desafios da humanidade. Além disso, devemos aprender a dominar nosso medo e a pensar racionalmente, temos que nos reinventar e descobrir como vamos trabalhar, nos relacionar e viver neste novo normal.

Novo Normal

Fato é que o novo Coronavírus não vai deixar de existir. Para se ter uma ideia, o H1N1, vírus da pandemia de 2009, existe até hoje e, mesmo com uma vacina, mata mais de mil pessoas todos os anos no Brasil. Portanto, teremos que nos adaptar a essa nova realidade para conviver de maneira satisfatória com o Coronavírus. Pensando nisso, a Empreende, preparou esta edição especial para que você, empreendedor, possa compreender os impactos da COVID-19 nos principais setores da economia e ao mesmo tempo saber o que os grandes especialistas pensam sobre esse novo normal. Dessa maneira você poderá refletir sobre essa nova realidade e agir inteligentemente em sua carreira ou empresa afim de superar, com o mínimo de dor, esse momento sem precedentes.

Digitalização dos Negócios

Para os negócios fechados, que sumiram do dia para a noite, o custo de oportunidade deixou de existir. É muito importante olhar além do horizonte, ou seja, além da sua capacidade de ver o momento imediato, pois é preciso se questionar para entender o que virá depois. Mesmo com tantas incertezas, podemos dizer que temos uma certeza, depois da pandemia, o que conhecemos será diferente do que era, portanto não precisamos proteger nossos negócios do jeito que eles são, mas sim pensar em como eles deverão ser no pós-coronavírus.

Diante desse cenário, a digitalização tornou-se, para muitos negócios, a única maneira de manter-se ativo nessa fase. De repente, todos precisamos aprender sobre como trabalhar, fazer reuniões e vender, tudo de forma on-line. A barreira tecnológica foi quebrada, e com ela surgem novos comportamentos. Ainda não sabemos como será daqui para frente, mas podemos tentar novos modelos, pois se esperarmos que tudo volte ao normal, pode ser fatal para sua empresa.

Nesta edição especial da Empreende, entrevistamos grandes nomes dos principais setores da economia, que compartilharam conosco o que estão fazendo em suas empresas para ajudar você, leitor, a encontrar um horizonte para seu negócio e, mais do que isso, para a vida nos pós-pandemia. A boa notícia é que podemos reescrever nossa história de um jeito melhor, colocando em prática tudo aquilo que um dia gostaríamos de fazer, mas não fazíamos porque estávamos confortáveis.

Boa leitura!

Por Déborah Dorascienzi e Thiago Luzzi