Alguns motivos para manter a calma em tempos de incerteza

O cenário que vivemos atualmente é, de fato, uma situação nunca vista na história, pela sua característica e velocidade de disseminação, a COVID-19 trouxe uma deterioração do cenário econômico global muito forte e aprofundada.

No mercado financeiro, o apetite por risco dos investidores teve uma queda pronunciada e isso afetou fortemente todos os ativos brasileiros, com impactos sobre a nossa moeda e sobre as nossas commodities. Logo, isso vem trazendo um tom bastante pessimista para o mercado, mas algumas medidas do Banco Central podem de fato trazer algum alívio para aqueles que estão sendo mais afetados.

O choque econômico, assim como em outros países, ocorre por ondas. Na primeira onda, temos a restrição de movimentação, fechamento de locais de trabalho, escolas e serviços não essenciais. E todas as consequências deste ato que, apesar de necessário, gera ainda mais um clima de preocupação em investidores e na população em geral.

A segunda onda, que estamos começando a viver agora, é a redução de demanda e postergação de decisões, ou seja, uma impactante redução de atividades econômicas. E é neste momento que temos o efeito indireto da redução de renda e algumas perdas de valores financeiros. Então, passamos a ter uma busca no mercado por liquidez e aqui a incerteza gera também uma considerável elevação de custo no crédito.

Como todos estes fatos já ocorreram e já foram mapeados em outros países, foi possível ao Banco Central ter uma visão dos fatos, compreender tudo que está acontecendo no mundo e trazer algumas soluções que realmente podem significar um novo fôlego para o mercado.

Como já sabemos que agora haverá uma busca por liquidez, o Banco Central está se disponibilizando a facilitar e garantir através de debêntures a liquidez de uma boa parte deste crédito, e como ele não pode realizar esta operação diretamente, os procedimentos serão distribuídos através dos bancos que já possuem um profundo know‑how desta intervenção.

Assim, teremos um pouco menos de incertezas à frente, facilitando expressivamente o acesso ao crédito. Mesmo que não haja uma operação de compra de dívidas, há uma expressiva tentativa do Banco Central em manter uma linha de crédito facilitada para que, principalmente os pequenos e médios empresários, possam ter garantias mínimas, conservando ainda mais uma relativa segurança do mercado.

Quanto à recuperação, a expectativa é que ela deve ser um pouco mais lenta do que as crises que já tivemos, compreendendo que o setor mais afetado agora é justamente o de serviços, que responde por 63% do PIB nacional. Este impacto, infelizmente, é mais difícil de ser recuperado pela característica dos serviços que, diferente dos produtos, não possuem compensação após a recuperação, ou seja, uma pessoa que precisa cortar o cabelo hoje não irá cortar o cabelo três vezes na mesma semana quando o quadro de isolamento acabar. Por isso que, diferente da indústria, não deverá ocorrer um consumo compensatório ao final da crise, mesmo assim haverá uma melhora espontânea.

Uma parte positiva sobre o mercado de serviços é o fato de muitos deles terem a capacidade de serem executados de forma remota. Estes tendem a sofrer um impacto menor durante a crise e ainda devem ter igualmente um aumento de suas atividades após o fim do período de isolamento


Francisco Perez
glebba.com.br

Head de investimentos da Glebba, uma fintech que capta investimentos imobiliários via crowdfunding. Além disso, é Matemático e Engenheiro Eletricista, com pós-graduação em Negócios pela EAESP-FGV e Finanças Corporativas pela FDC. Gestor de recursos pela CVM, possui mais de 20 anos de experiência em gestão de investimentos e desenvolvimento de novos negócios como diretor da Oi, Banco Alfa e da Inseed Investimentos.