A Etiqueta da Pandemia

Tudo mudou. O mundo apenas parece o mesmo, mas não é. Sob o céu azul e ensolarado do Brasil, uma ameaça constante e silenciosa paira. Estamos nos reinventando à velocidade da luz, para manter nossa cultura e sociedade parecidas com o que conhecemos. Nesse cenário, quais são as condutas esperadas e os comportamentos impecáveis nas corporações e no trabalho?

De repente o mundo foi obrigado a isolar-se, as pessoas foram separadas e a forma de existir precisou ser reinventada…como no famoso e romântico poema do brasileiro Vinicius de Moraes, Soneto da Separação

“De repente não mais que de repente (…)
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente. ”

Diante de abruptas mudanças, as fragilidades humanas são expostas com mais veemência e os sentimentos de insegurança, medo e até hostilidade brotam com facilidade, hora em que, a cultura, a educação e a racionalidade se fazem urgentes para acalmar o bicho instintivo que nos habita. E é nesse aspecto que a etiqueta, como forma de molde do comportamento humano, nos vem a ser um útil instrumento de contenção dos instintos primitivos.

Isto posto, temos visto um show de horrores em todos os âmbitos da vida (na política, nas redes sociais, entre familiares, artistas… enfim…) que poderia ser evitado com regras simples da boa educação, da etiqueta e da gentileza. Em tempos de “lives”, vídeo conferências e declarações nas mídias, tanta divergência poderia ser evitada com base no respeito e empatia ao próximo.

Pensando nisso, listamos as premissas básicas para o bom relacionamento em tempos desafiadores como os que vivemos, afinal, em tempos de crise ou evoluímos, ou morremos. Respeite a opinião alheia: Seja na família, na empresa ou na vizinhança, respeite posicionamentos políticos ou conceitos divergentes dos seus. A diferença é importante para a manutenção da liberdade e a tolerância é um dos cernes da etiqueta.

Mantenha-se positivo: Cuide da sua aparência pessoal, faça seu trabalho home office com disciplina, mantenha suas vídeo conferências sem interferência familiar e evite aparecer alimentando-se, arrumando-se ou com ar de desleixo.

Proteja-se físico e mentalmente: Manter-se saudável requer o esforço de seguir as políticas públicas de saúde, como usar máscara, lavar as mãos, evitar aglomerações e contato físico, mas além disso, é preciso manter o equilíbrio interno, o bom tratamento com as pessoas e a higiene mental, não vociferando xingamentos e alarmismo.

Seja ético em seu comportamento: Querer, dever e poder são premissas deontológicas importantes que nos fazem ter empatia pelo próximo. Fazer pequenos sacrifícios pessoais em prol da coletividade. Por exemplo, fazer uma festa nesse momento de pandemia é correto? Você até pode querer, entretanto não deve, pois coloca em risco a saúde da coletividade. Por isso a conclusão para este dilema ético é NÃO. Você não pode colocar sua vontade acima da segurança dos outros.

Ajude em todos os sentidos que puder, sendo apoio para amigos, familiares e idosos isolados. Doando o que pode ou simplesmente prestando um serviço para alguém que necessite. Ajude a não propagar nem o vírus, nem pânico ou fake news.

Devemos isso à sociedade em que vivemos e nas belas palavras do poetinha Vinicius de Moraes, para encerrar, “A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.”

Até a próxima.

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Andréa Staciarini

Consultora de Etiqueta.
Especialista em etiqueta e assessoramento de imagem e comportamento para Pessoas Públicas
@mesaetiqueta