Educação financeira também é assunto de mulher

Jornalista e escritora, Carol Sandler construiu sua carreira falando para as mulheres sobre a importância da educação e independência financeira

Educação financeira também é assunto de mulher - Carol Sandler
Carol Sandler – Foto Edu Malta

Na casa de Carol Sandler, dinheiro sempre foi assunto. Além das matérias aprendidas na escola, finanças pessoais era aula dada pelos pais em casa. E todos esses anos de aprendizado se transformaram em carreira para a mulher que, com 35 anos, se tornou jornalista, escritora, fundadora de um portal sobre educação financeira chamado Finanças Femininas e sócia da Ella’s Investimentos.

“O meu trabalho hoje é, no fundo, o fruto do que aprendi em casa com meus pais”.

Enquanto com o pai, que trabalha no mercado financeiro, a intenção era ensinar a organizar e controlar os gastos, sua mãe foi o exemplo de autonomia. “Com ela, aprendi que nunca poderia depender de homem nenhum. Tinha que ter minha própria carreira, dinheiro e independência”.

Desde a primeira mesada, Carol aprendeu que “dinheiro não aceita desaforo” – uma das frases escutadas pela casa. Portanto, desde pequena era reforçada a importância de saber ganhar, guardar, gastar sabiamente e também doar. “Cresci com esses quatro pilares da educação financeira dentro de casa, tanto no que aprendi com meu pai e minha mãe”.

Mas ao tirar o pó dos álbuns de fotografia e viajar ao passado, é evidente que seus principais companheiros na infância eram os livros – ou talvez um caderno, onde ela mesmo arriscava escrever seu caminho dentro de um mundo em que se sentia tão bem.

Portanto, ao chegar na faculdade, o caminho traçado para se tornar uma jornalista especializada em cobertura econômica foi, segundo Carol, muito natural. Além de se formar em jornalismo, ela também conquistou uma bolsa para passar um ano estudando em Paris.

“Eu guiei todo o meu curso em economia e finanças, então quando voltei para o Brasil, fui trabalhar na Agência Estado cobrindo mercados financeiros, depois mercados internacionais, macroeconomia. Fui guiando essa paixão da comunicação para o universo financeiro, que sempre gostei”.

Educação financeira para mulheres

Já atuando na área, foi em um jantar com duas amigas que Carol daria seu primeiro passo em direção ao empreendedorismo. Em 2012, época em que blogs de moda estavam em alta e compartilhar os looks do dia era parte da rotina, ela e suas amigas notaram que não havia lugar na internet que falava com as mulheres sobre finanças, pelo menos no Brasil.

“Conteúdo na internet para mulheres era moda, beleza, casamento e maternidade. Começamos a pesquisar e vimos que não existia nada parecido no Brasil, mas fora já existia um mercado para a educação financeira para mulheres”, relembra.

Carol Sandler relembra que quando criou o Finanças Femininas, descobriu um estudo feito pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) que afirmava que levar educação financeira para mulheres era estratégico. De acordo com a pesquisa, as mulheres são multiplicadoras de conteúdo, compartilhando o aprendizado para sua rede de contatos.

“Me apaixonei por essa tese, falei ‘tenho tudo que preciso para montar esse negócio’ e montei com uma visão de negócios mesmo. Quando minhas duas amigas não ficaram no projeto, lancei ele sozinha no dia 30 de novembro de 2012. São quase 8 anos”. Além do blog, que depois também migrou para o YouTube, foram dois livros lançados: “Detox das Compras” e “Finanças femininas: Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos”, escrito com o economista Samy Dana.

Por sinal, se você pensa em empreender, o conselho da Carol é o mesmo que ela usou para abrir o Finanças Femininas: planejar. “Você ter paixão pelo seu negócio é algo que é fundamental, mas quando você empreende, você tá fazendo algo que é muito maior que é só trabalhar com aquilo que você gosta”.

Desde as áreas de gestão e administrativas, até o operacional e recursos humanos, montar um bom plano de negócios e se preparar para realmente entender quanto dinheiro vai precisar, quais capacidades precisa ter e se preparar é o que faz diferença para um negócio dar certo. Para Carol, esse planejamento deu certo, afinal são quase 8 anos empreendendo e aprendendo no dia-a-dia como montar um negócio e também tendo experiências marcantes com pessoas que foram atingidas com seu trabalho.

“Toda vez que recebo uma mensagem por e-mail, no Instagram, um comentário no Youtube ou alguém que me procura pós-evento para me contar como conseguiu transformar sua vida financeira, todas essas vezes sinto que todo esse trabalho já valeu a pena”. Mas não se engane se acredita que não houveram tropeços ao longo do caminho. E nos momentos de fracasso, Carol também volta o olhar para o positivo, transformando uma tentativa falha em aprendizado.

Foram vários fracassos! E acredito que isso é também a principal aprendizagem como empreendedora, entender que os projetos não dão certo e que é com eles que a gente se prepara para dar maiores passos na nossa vida”.

Momento de flexibilidade

A Empreende também não poderia deixar de falar com a jornalista sobre o cenário econômico atual, causado pela pandemia do COVID-19. Carol vê neste momento o interesse cada vez maior por finanças e também a necessidade de ser flexível. Para a mulher de 35 anos, a flexibilidade se tornou vital neste ano de imprevisibilidade. “Saber planejar é essencial, mas se tornou vital entender quais momentos que o planejamento não cabe e que você precisa rever tudo, pois as circunstâncias mudaram”.

Já dentro de casa, Carol espera que as pessoas se preocupem cada vez mais na importância de cuidar melhor do dinheiro e também de sempre ter uma reserva para aliviar momentos de tensão como esse. “Estamos vendo um aumento muito grande nos nossos números de audiência e na preocupação que as pessoas estão tendo com seu dinheiro. Esse pode ser um ganho que teremos com essa crise tão dura que estamos passando, em tantos sentidos”.

Por Isabella Grocelli – Revista Empreende