Marcopolo mantém resultado positivo apesar da queda de mercado causada pela pandemia

Companhia responde por metade da produção de carrocerias de ônibus no país, embora resultados tenham sido impactados pela retratação do transporte de pessoas

Caxias do Sul, 3 de agosto de 2020 – Apesar da brusca queda de mercado de transporte causada pela pandemia de Covid-19 no Brasil e no exterior, a Marcopolo manteve resultado positivo no 2T20. A companhia registrou lucro bruto de R$ 130,5 milhões (contra R$ 175,5 milhões no 2T19) e lucro líquido de R$1,3 milhão (contra R$ 90,9 milhões no mesmo período do ano passado).A produção total da Marcopolo atingiu 2.335 unidades no segundo trimestre deste ano, 45,7% inferior na comparação anual. A retração está em linha com a da produção total de ônibus no país, que teve queda de 43,2% em relação ao 2T19, somando 3.300 unidades.

As operações da Marcopolo foram afetadas pela concessão de férias coletivas nas duas primeiras semanas de abril na operação brasileira, assim como pelas paralisações em praticamente todas as operações da companhia no exterior, por conta da pandemia.Atualmente, todas as unidades já se encontram em atividade, no entanto, a maioria opera com níveis menores de produção e mão-de-obra na comparação com igual período de 2019.

“Como resposta a esse cenário, a Marcopolo estendeu a duração da carteira de pedidos, e rapidamente concentrou esforços em duas grandes frentes: adequação de custos e preservação de caixa, por um lado, e o desenvolvimento de alternativas que viabilizem nossos clientes a voltarem a operar com segurança, com o lançamento da plataforma Marcopolo BioSafe”, afirma José Antonio Valiati, diretor financeiro e de Relações com Investidores da Marcopolo.

“Trata-se de uma série de soluções de biossegurança, desenvolvidas para tornar o transporte coletivo mais seguro contra contaminações de vírus e bactérias e resgatar a confiança dos passageiros, de que terão condições sanitárias adequadas ao viajarem. Essas iniciativas vêm sendo bem recepcionadas pelo mercado, com parte das carrocerias produzidas a partir de junho sendo equipadas com componentes da Marcopolo Biosafe”, acrescenta.

A receita líquida da companhia no 2T20 somou R$ 798,5 milhões, uma redução de 30,1% ante o 2T19. Esta receita se refere à venda de 2.591 unidades, das quais 1.799 foram faturadas no Brasil (71,9% do total), 524 exportadas a partir do Brasil (12,4%) e 304 no exterior (14,8%).O diretor financeiro da Marcopolo ressalta que, mesmo com o cenário adverso, a companhia praticamente manteve a sua participação de mercado no país, com 53,4% de market share no primeiro semestre de 2020 contra 49,4% no mesmo período de 2019, e segue líder na produção brasileira de carrocerias de ônibus.

As atividades de fretamento, linhas rodoviárias intermunicipais e vendas públicas, principalmente no âmbito do programa federal Caminho da Escola, seguem sustentando as vendas de rodoviários leves, urbanos, micros e Volare. No trimestre, a companhia entregou 724 unidades vinculadas ao programa Caminho da Escola e o ritmo de entregas deve se acelerar no 3T20.

O EBITDA foi de R$ 40,9 milhões no 2T20, com margem de 5,1%, versus EBITDA de R$ 105,5 milhões e margem de 9,2% no 2T19.

Mercado externo

As exportações da Marcopolo mostram melhor desempenho na comparação com o mercado brasileiro em função da desvalorização cambial e do bom momento nas entregas ao continente africano. O menor volume de unidades segue sendo parcialmente compensado pela maior rentabilidade das operações, considerando o atual patamar do câmbio.

A companhia prevê que as exportações devem aumentar novamente a partir do 4T20, tendo em conta a sazonalidade do período e novas entregas para a África.”Todos os segmentos de mercado foram afetados pela retração de demanda, causada pelas restrições nos transportes no Brasil e no exterior. Mesmo neste cenário, podemos destacar a menor queda de volumes da nossa controlada australiana Volgren. A unidade teve a produção interrompida por apenas 10 dias, trazendo lucro no segundo trimestre e com perspectivas positivas também para o segundo semestre”, diz Valiati.

Ainda sobre as coligadas, a operação colombiana da Superpolo obteve uma rápida retomada a partir da volta da produção no início de maio e deve permanecer entregando resultados consistentes durante todo o ano de 2020, tendo uma carteira de pedidos mais extensa associada à renovação da frota de Bogotá. Já as coligadas na Índia e no Canadá trouxeram impactos negativos. A partir de outubro, a Marcopolo espera uma recuperação de volumes por conta de encomendas já efetivadas, especialmente em exportações, bem como em função do arrefecimento da pandemia e reabertura gradual das cidades, já iniciada na grande maioria dos países.

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Por Nancy Cmpos – Maquina Cohn & Wolfe
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