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Iza sobe ao olimpo com carisma de deusa, empoderamento e autenticidade

A artista carioca colhe os louros de um talento multifacetado e um trabalho perfeccionista

Virginiana da safra de 1990 e detalhista em tudo o que faz, Iza é um fenômeno, um talento polivalente, uma voz marcante e uma presença física magnética e de brilho próprio. Impossível não notá-la. Em fevereiro deste ano, ela reinou pela primeira vez no carnaval carioca à frente da bateria da Imperatriz Leopoldinense com seu corpo escultural, plumas esverdeadas, samba no pé e inegável carisma, tal qual uma Grace Jones dos trópicos. Mas ela vai muito além disso. Cantora, compositora, letrista, produtora, influenciadora, feminista e ativista, Iza já concorreu ao Grammy Latino em 2018 e tornou-se uma das artistas brasileiras mais badaladas no exterior. Há quem diga que ela não deixa nada a dever a Beyoncé e Rihanna.

Nascida e criada em Olaria, subúrbio do Rio de Janeiro, ela fincou sua bandeira para o grande público em 2017 com o hit “Pesadão”, com participação de Marcelo Falcão. Seu primeiro álbum, “Dona de Mim”, também traz parcerias importantes com Ivete Sangalo e Carlinhos Brown, entre outros. Suas letras trazem autoconfiança, independência e empoderamento feminino com a visão de quem aprendeu a se valorizar. “Já não me importa a sua opinião/O seu conceito não altera minha visão”, diz um trecho da faixa-título. Por muito tempo, ela foi a única criança negra das escolas particulares em que estudava e cultivou um sentimento de inferioridade que persistiu durante a adolescência. Hoje, ela é ícone de moda e beleza e já estrelou uma campanha da L’Oreal ao lado da atriz Thais Araújo, valorizando os cabelos crespos naturais.

Em 2019, Iza virou jurada do The Voice Brasil, dublou a personagem Nala na nova versão de “O Rei Leão”, fez um dos shows mais elogiados do Rock In Rio e dividiu o palco com ninguém menos que Alcione. No mesmo ano, também gravou sua versão para “Divino Maravilhoso” com o próprio autor, Caetano Veloso. A roupagem musical é moderna, mas desde a primeira audição, fica claro que Iza tem os pés fincados nos clássicos da música negra norte-americana. Filha de um militar naval e de uma professora de música, ela teve boas influências desde o berço, mas demorou para decidir pela carreira artística. “Eu nunca tinha pensando em trabalhar com música. Eu cantava na Igreja, minha família era bem musical, tem muita gente envolvida com arte. A música era uma paixão e isso foi aflorando com o tempo. Cresci ouvindo Donna Summer, Etta James, Stevie Wonder e Nina Simone”, conta ela, que herdou o gosto do pai e que chegou a perder todos os seus discos em uma enchente.

Mudanças e novas escolhas

As coisas não foram exatamente fáceis. Antes conhecida como Isabela Lima, Iza concluiu sua graduação como bolsista do curso de Publicidade e Propaganda na PUC-RJ em 2013. Inicialmente, este foi o caminho escolhido para canalizar sua energia criativa. A experiência profissional serviu para que aprendesse a traçar metas, trabalhar com planejamento estratégico e se aprofundar no mundo da mídia e da comunicação social. Trabalhou como editora de vídeos e chegou a mandar currículo para atuar nos bastidores do Big Brother Brasil, mas em paralelo, uniu o útil ao agradável e começou a publicar vídeos cantando covers de diversos artistas, sempre imprimindo algo muito de autoral nas interpretações.

“Eu estava formada e trabalhando na área, mas não estava feliz. Comecei a pensar no que queria fazer pro resto da vida, mesmo que de graça. E a música foi a única resposta”, conta Iza. “Não foi uma decisão fácil, nem rápida, e quando decidi largar tudo para criar o meu canal e investir na música, coincidiu com a  época  em que meus pais se separaram e as coisas apertaram financeiramente em casa. Minha mãe me incentivou demais, me ajudou a não desistir”. De olho em novos talentos, a gravadora Warner a encontrou no YouTube e apostou em seu potencial. Em 2016, ela já tinha contrato assinado com a multinacional. Dali para as trilhas sonoras de novelas da Globo, foi tudo bem rápido e intenso.

Sobre o momento de transição, Iza garante que não hesitou em abraçar o novo. “Não sabia o que viria pela frente, mas apostei na minha paixão pela música e trabalhei muito. Claro que tudo aconteceu muito rápido e eu sou muito grata por isso, mas teve muito trabalho, muita dedicação”, afirma. Sua ascensão tem sido meteórica. Hoje, ela tem 3,62 milhões de inscritos em seu canal de YouTube, 4,2 milhões de ouvintes mensais no Spotify e mais de 13,3 milhões de seguidores no Instagram. Recentemente, ela se tornou a primeira artista negra brasileira a ser uma MAC Maker, ou seja, uma parceira da MAC, uma das mais glamurosas marcas de maquiagem do mundo.

Segundo Iza, o casamento entre seu ativismo e as grandes marcas ocorreu naturalmente. “Estas são minhas vivências como mulher negra, são meu ponto de vista. É interessante saber que meu ponto de vista é uma questão atual, que precisa ser falada, que também está na cabeça das outras pessoas e que elas acabam se conectando com isso”, conta.

Dona da própria carreira

Assim como Madonna e Anitta, Iza participa ativamente da condução da própria carreira, seja no conceito artístico de tudo o que faz, seja na administração financeira, da agenda, da escolha de parcerias e de todos os processos atrelados. “Gosto de tudo detalhado e de participar de tudo, desde as decisões com meu empresário, passando pela produção das músicas, dos clipes e das escolhas sobre a minha carreira”, afirma a cantora, que também sabe delegar as operações para a sua equipe dentro das especialidades de cada profissional. Casada com o produtor musical Sérgio Santos, ela também tenta equilibrar a carreira com a vida pessoal, mesmo com uma agenda disputada.

Em tempos pandêmicos, a quarentena tem sido oportuna para curtir sua própria casa. Iza tem usado seu tempo para produzir. “Tenho a sorte de ser casada com meu produtor e estamos criando muito. Estou compondo, ouvindo composições e aproveitando esse tempo. Deve vir algo novo por aí, com novas músicas e parcerias. Também voltei a desenhar. Achei desenhos de quando eu  tinha uns 12 anos e tem sido uma delícia! O The Voice também está de pé para esse ano, a princípio”, afirma a cantora, trazendo à tona a inspiração e a sabedoria intrínseca dos artistas para superar limitações momentâneas e tempos incertos.

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Por Renata D’Elia

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