Leandro Gotz, o que não pode é não empreender

Helpie muito mais que um aplicativo de serviços especializados: uma mudança estrutural e de grande impacto social no ecossistema econômico

Dotado de uma veia pulsante para o empreendedorismo e dono de um perfil analítico, para detectar novas oportunidades a sua volta, Leandro Gotz, cofundador da startup Helpie, uma plataforma desenvolvida para conectar prestadores de serviços com clientes, procura desenvolver em sua área atuação a junção entre a tecnologia e economia colaborativa. “Somos mais de 35 mil helpiers, em 400 tipo de serviços distintos”, esmiúça o empresário, e compartilha que a plataforma é muito mais do que conectar pessoas. “Promovemos o impacto social com a bancarização dessas pessoas, oferecendo um modelo de negócio totalmente digitalizado e com sistema de pagamento próprio”, alegra-se ao contar. “Temos que incentivar as pessoas a empreenderem. Não tem um momento certo. O momento é o agora. Se apaixone por um propósito e procure pessoas que estejam dispostas a batalhar por ele. O que não pode é não começar!”, enfatiza.

Primeiros passos do empreendedor

Antes de ingressar no ecossistema do empreendedorismo, Leandro formou-se em administração de empresas, em São Paulo-SP, e teve oportunidade de estagiar, aos 17 anos, e, principalmente, ganhar expertise para o desenvolvimento do seu futuro profissional, numa empresa de tecnologia sueca de ERP, de gestão integrada. “Conquistei um background de finanças e contabilidade essenciais”, conta. “Tudo acontece na gestão, mas acaba na contabilidade, por isso temos uma visão bem objetiva quando conseguimos entender as tendências de cada nicho”, salienta.

Leandro Gotz ceo helpie
Leandro Gotz, CEO da Helpie – Foto Divulgação


“Evolui e fui para o setor de consultoria, auxiliando os clientes com a implementação de software”, relembra e saliente que era muita responsabilidade para uma pessoa tão nova. Um marco profissional de destaque, segundo Leandro, foi quando atuou em projetos internacionais e ficou por 6 meses na Holanda e Inglaterra.

Nesse período, recebeu o convite para ministrar um treinamento para profissionais de nível sênior. “Foi um grande desafio. Eu tinha o domínio das ferramentas, mas não tinha o inglês fluente. Mesmo sabendo dessas dificuldades, aceitei o desafio; fiquei muito apreensivo”, lembra e conta que no dia do treinamento chegou cedo, mas a empresa teve um imprevisto, que acabou sendo, segundo ele, de grande ajuda. “Me deram uma lista com 30 pendências para resolver; peguei e em meia hora consegui finalizar tudo”, lembra.

“Eu estava na frente do computador totalmente cientes dos processos que precisava aplicar, para resolver aquelas demandas. Por conta da minha expertise e rapidez, ganhei prestígio e confiança entre os pares e pude ministrar o treinamento mais seguro das minhas habilidades”, diz. De acordo com Leandro, durante esse momento, soube que nenhum desafio seria como esse. “Hoje encaro todos os desafios”, fala.

Após todo conhecimento adquirido, e ainda muito jovem, Leandro foi convidado a atuar em uma empresa de software, mas com viés voltado para gestão de projetos de obras complexas, tendo oportunidade de atuar no desenvolvimento de obras estruturais da Copa do Mundo, no Brasil, em 2014.

Começo da Helpie

Para sanar uma demanda de serviço, de um novo empreendimento – o Panks, uma mistura para panquecas americanas, fabricada e comercializada pelo CEO e seus sócios -, Leandro teve que recorrer ao Google para encontrar um prestador de serviço. Porém, o empresário acabou deparando-se com uma carência dentro do mercado. “Na época, não existiam aplicativos voltados a serviços especializados. Então, por conta dessa lacuna, fiz a minha jornada de forma manual. Entretanto, tive um insight que esse poderia ser um nicho a ser explorado, em um formato mais digital”, lembra, e salienta que o momento econômico, na época, era favorável e ainda não tinha uma empresa sólida e ativa nesta linha serviço.

O setup para entrega do MVP (Produto Mínimo Viável) do projeto era de três meses, segundo a análise inicial idealizados por ele e mais seus três sócios. Contudo, foi inevitável estender o prazo para acomodar todas as melhorias, que foram demandando ao longo do processo. “O lançamento oficial foi em 2017, quando entendemos melhor o serviço que gostaríamos de entregar; tínhamos que projetar melhor a oferta e demanda dos produtos que iriamos disponibilizar”, explica, frisando que, sim, existiam aplicativos similares aos que eles estavam idealizando, mas ainda não eram populares e eficientes. “Os protótipos existentes desses aplicativos tinham modelo de ação muito limitado. Os profissionais ofereciam seus serviços em marketplaces de produtos, como a OLX, o que não era adequado, além de pouco prático ao longo da jornada”, fala.

Para conseguir emplacar o aplicativo Helpie, Leandro e seus sócios apostaram em publicidade paga para angariar prestadores de serviços e clientes. “No primeiro dia entraram em contato 250 profissionais e 4 clientes. E, com o passar dos dias, os números de prestadores só aumentaram; notamos que os anúncios pagos deveriam ser direcionados, apenas, para a captação de clientes, já que os prestadores estavam vindo de uma forma orgânica”, frisa, e fala que essa alta procura deve-se a precarização de profissionais autônomos e a falta recorrente de oportunidades. Outro obstáculo a ser transposto, foi como gerar consumo para tantas pessoas cadastradas. Esse questionamento gerou um Insight no time da Helpie. “Poderíamos partir por dois caminhos: Investir muito dinheiro em divulgação – comum em startups do tipo marketplace -, ou partir para um modelo de negócio mais estratégico de parcerias; foi o que optamos”, explica, que as parcerias são parte primordial no desenvolvimento da Helpie.

Além de facilitar a jornada do consumidor, Leandro conta que a Helpie tem como objetivo trazer melhorias dentro da aplicação e, por conta desse ideal, pode-se dividir a jornada da empresa em algumas etapas distintas, mas totalmente correlatadas. “Encontrar o profissional, começar e negociação, pagar pelo serviço, liberar o pagamento e avaliação; tudo feito dentro da plataforma”, garante Leandro. “Temos como ideal tornar o profissional, que está cadastrado com a gente, o mais exposto possível no digital, para que ele tenha, cada vez mais pessoas procurando pelos seus serviços”, conta. Além de impulsionar os profissionais autônomos cadastrados, Leandro e seus sócios fincaram o compromisso de tornar toda a jornada inteligente e digital. “Promovemos a bancarização desses profissionais. Temos um cartão pré-pago, o Helpie Card, da bandeira Mastercard, o qual depositamos os pagamentos do prestador de serviço. Com isso, estamos criando possibilidade das pessoas terem acessos também a serviços digitais, como, por exemplo, o uso de aplicativos como Netflix e comprar online. Fora todo os serviços que um banco digital oferece”, conta.

Atualmente, a Helpie conta com mais de 35 mil “Helpers”, nome dado aos profissionais autônomos cadastrados na plataforma, em mais de 400 tipos de serviços disponíveis no aplicativo; com a intenção de unir a facilidade da tecnologia aos profissionais autônomos. Leandro não deixa de destacar o momento desafiador, para grande parte dos empreendedores, que foi a pandemia mundial da Covid-19, que provocou uma mudança extraordinária na mudança do consumo e paradigma.

“Nos primeiros meses, abril e maio, a procura pelos nossos serviços teve uma queda. Contudo, após os primeiros meses, tivermos uma demanda e procura por serviços, antes poucos acessados, como, por exemplo: professores de idiomas, web designer, redatores e tradutores – só para citar alguns. Todos desempenhando seus ofícios de forma remota”, compartilha, e enfatiza que a empresa criou um programa de voluntariado para prestar auxílio aos mais vulneráveis ao vírus (idosos e pessoas com comorbidades), que não poderiam concluir algumas tarefas.

Preocupado com o bem estar de seus colaboradores, o time da Helpie, a empresa apostou em medidas preventivas e na educação dos seus prestadores. “Fizemos uma cartilha de boas práticas, distribuímos álcool em gel e máscaras para os nossos parceiros, para que a volta à casa das pessoas fosse feita de forma responsável e segura”. Diz.

Parceria com o Sebrae

De acordo com Leandro, um dos feitos, dentre de tantos, mais significativos para empresa é tornar o empreendedor de serviço totalmente independente e dono de seu próprio negócio. Foi por meio da parceria exclusiva com o Sebrae, realizada no final de 2019, que isso vem ser tornando possível “Os profissionais vão ter toda a expertise do Sebrae, na indicação de abertura de empresas, prestação de serviços com qualidade e formalização dos trabalhos, além de um canal para divulgarem seus serviços e conseguirem mais clientes”, finaliza.

Por Camila Firmino

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