Tecnologias de voz tornam-se as novas possibilidades para o ensino híbrido

Por Ricardo Murer é CTO & cofundador da Voxall Edtech

A transformação digital na educação começa a ser abordada mais intensamente no País, face ao desafiador ano de 2020. Com a pandemia de COVID-19, milhões de estudantes ficaram sem aulas. Com o fechamento das escolas, os alunos mais afetados na continuidade dos estudos foram aqueles que não possuíam computador ou notebook e acesso às redes WiFi, componentes necessários para a maioria das soluções de ensino a distância baseadas em streaming de vídeo. Segunda pesquisa TIC Educação 2019, no Brasil, 40% dos estudantes não possuem um computador em casa, e 86% das escolas públicas não possuem estrutura de ensino a distância, tornando o efeito do fechamento das escolas desde o ano passado em algo ainda mais grave.

Ao recorrer às tecnologias para alavancar o ensino a distância, foi possível impedir a paralisação total da educação. Contudo, é preciso encontrar alternativas tecnológicas às soluções atuais, baseadas em vídeo, e aos modelos que buscam simular aulas presenciais com local e hora marcada.

Neste sentido, o que se busca com as novas tecnologias é substituir, em alguns casos, e potencializar, em outros, alguns dos elementos que formam a jornada de aprendizagem dos alunos. Entre esses elementos está, sem dúvida, o mais importante: o professor. E sua principal ferramenta é a voz.

Em todas as aulas, professores “falam” e fazem uso de outros componentes da jornada de aprendizagem como meios para “materializar a voz”, tais como cadernos ou livros. O que as tecnologias de voz, quando aplicadas à educação, estão de fato oferecendo é a potencialização do meio de transmissão de conhecimento mais natural e fluído que é a voz.

Outro relevante aspecto a ser observado na transformação digital na educação é a mudança de comportamento dos estudantes, nativos digitais, que

possuem alto grau de exigência quanto às possibilidades de interação dos dispositivos e sistemas que utilizam. Estudantes que realizam múltiplas tarefas ao mesmo tempo e entendem que o celular é sua principal ferramenta para absolutamente tudo.

As interfaces para os usuários baseadas em voz ou Voice User Interfaces (VUIs) começaram a se tornar mais comuns na última década, embarcadas em celulares, como a Siri no iPhone e o Google Assistant nos dispositivos Android. Mais recentemente, a tecnologia Alexa Voice Service (AVS) da Amazon cresceu em número de usuários, ultrapassando mais de 100 milhões de dispositivos.

De acordo com a Comscore, em 2020, 50% de todas as buscas na Web foram feitas por voz. Além deste fato, pesquisadores da Universidade de Stanford demonstraram que, com sistemas modernos de reconhecimento de voz a sua eficiência (velocidade e assertividade) é três vezes maior quando comparada à digitação típica em um smartphone. Então, é fácil compreender porque está cada vez mais comum usarmos “recados de voz” no WhatsApp.

A chegada dos dispositivos de voz na educação tem ocorrido de forma ainda isolada, mas consistente. De um lado, eles podem ser úteis em atividades de suporte acadêmico. A Universidade de St. Louis, nos Estados Unidos, criou uma rede de 2.300 Amazon Echo Dots, distribuídos nos dormitórios dos estudantes e outras partes do campus, que pode responder a mais de 135 perguntas sobre eventos, horários de aulas e informar até as opções de refeições nas proximidades do campus.

De outro lado, assistentes e dispositivos de voz podem apoiar a jornada de aprendizagem do aluno, oferecendo aulas, atuando como monitores inteligentes, com jogos educativos e testes para auto avaliação. Com a chegada do ensino híbrido, tecnologias de voz são uma alternativa leve, fácil de usar e inclusiva. Um nicho de mercado que está sendo explorado com sucesso por algumas Edtechs (startups focadas em Educação) ao redor do planeta. Trata-se de uma solução inovadora, de baixa fricção e sem barreiras técnicas para adoção e uso. É a prova de que os dispositivos de voz, quando possuem software de inteligência artificial com recursos avançados de conversação, podem representar a próxima onda para o ensino híbrido.

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