O pioneirismo do GetNinjas no mercado de prestação de serviços no Brasil

“A ideia, em si, não era nova. Contudo, o que existia no mercado era muito amador, que carecia de melhoramentos; as soluções não estavam bem resolvidas no mercado” diz Eduardo L’Hotellier.

Eduardo L’Hotellier, fundador e CEO do GetNinjas, plataforma online que tem como finalidade conectar prestadores de serviço a clientes, não podia prever a grandiosidade de seu empreendimento quando trocou o mercado financeiro pelo ecossistema das startups. Porém, hoje, o empresário está à frente de um time de 160 funcionários e colecionando títulos importantes para sua carreira, como Small Giants (Forbes, 2017), Top 10 CEOs mais inspiradores do Brasil e 40 abaixo de 40 da Revista Época, de 2014. Para conhecer mais, nós, da Revista Empreende, conversamos com o empresário para saber mais sobre sua trajetória profissional, desafios de empreender no país e como o mercado está enfrentando a Covid-19. Vale a pena conferir!

Eduardo L’Hotellier, fundador e CEO do GetNinjas -Foto Divulgação

A juventude pede por mudanças

Sob forte influência de sua predileção pelas ciências exatas, em especial matemática, o paulista naturalizado mineiro, de Juiz de Fora- MG, optou por seguir a carreira acadêmica no curso de engenharia, no Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro- RJ. Nos primeiros anos da graduação, durante a conclusão das cadeiras básicas do curso, Eduardo escolheu o ramo de engenharia da computação. “Como muitos engenheiros brasileiros, que se formaram há 10 anos, comecei a minha carreira no mercado financeiro. Na época, mexi um pouco com tecnologia, mas não existia, ainda, os unicórnios ou essa onda de startups”, conta. “Depois de 2 anos, me cansei do powerpoint e excel e investi no desejo de empreender”, alegra-se ao contar.

Eduardo sempre observou seu pai, como uma figura empreendedora e, mais que isso, como uma parte importante para concretizar suas conquistas. “Quando decidi largar o meu trabalho e seguir por um caminho que fizesse mais sentido na minha jornada, meu pai me encorajou e disse que quando se é jovem é o momento de se arriscar mais e traçar o próprio destino”, compartilha. Porém, é sabido por Eduardo que o apoio emocional e financeiro foram aspectos primordiais, para que ele pudesse tomar uma decisão mais assertiva. “Essa energia de tomar riscos vem desde a juventude. Claro que ter um pai médico, dotado de uma boa condição financeira, me auxiliou muito, me proporcionando uma rede de suporte; dá uma tranquilidade. Se não desse certo, sabia que um mês de aluguel já estava garantido”, comenta e frisa que, infelizmente, a maioria dos empreendedores não podem contar com esse amparo. “Foi um privilégio que eu tive, o que possibilitou ter a cabeça em ordem para enfrentar todos os riscos”, fala.

GETNINJAS, o começo!

Cansado do mundo coorporativo convencional cheio de planilhas e apresentações, como costuma falar, Eduardo apostou toda sua expertise, aprendida na faculdade, e a falta de startups ligadas a prestação de serviços para abrir o GetNinjas. “Para o primeiro protótipo juntamos as peças que estavam disponíveis no mercado e lançamos a primeira versão”, fala e salienta que, naquela época, em 2011, não tinha um nome de peso na área. “A ideia, em si, não era nova. Contudo, o que existia no mercado era muito amador, que carecia de melhoramentos; as soluções não estavam bem resolvidas no mercado”. Ainda saliente o pioneirismo, nesse aspecto, estabelecido por ele e seu time: “fomos o primeiro a ter uma aderência de produto e uma maior atração”, conta. “O que sempre vai diferenciar um produto de outro é a sua execução”.

Mesmo com uma finalização diferenciada, o empreendedor teve que captar os prestadores de serviço, que faria parte do projeto, de uma forma pouco convencional: usando a lista telefônica. “Pegamos as páginas amarelas e começamos a ligar para os profissionais convidando-os para entrar na plataforma, que seria, no início gratuita. Foi desta forma que divulgamos e captamos pessoas para a nossa plataforma”, explica. Mas como gerar credibilidade no mercado? Para Eduardo, só poderia ser feito mediante ao trabalho prestado pelos profissionais, que seriam indicados para outras pessoas e, em consequência, sua plataforma também. “A indicação foi a nossa maior contribuição para captar novos prestadores de serviço”.

Por mais que o “boca a boca” ajudasse na divulgação do empreendimento, o GetNinjas precisou recorrer aos anúncios online, redes sociais e buscadores desta época, para chamar, cada vez mais, novos consumidores. “Na verdade, o cliente e o prestador de serviço precisam chegar ao mesmo tempo. O cliente só vai estar satisfeito se tiver um profissional – é uma roda de serviço”. Segundo o empreender, por ser um negócio novo, problemas surgiram no trajeto. “Ao mesmo tempo que estávamos decolando o avião, estávamos trabalhando e construindo o motor. O começo é um pouco conturbado, pois precisamos alinhar procedimentos de todas as áreas, mas, com o tempo, as soluções de algumas questões se transformam em combustível para as demais; é uma energia de ativação”, fala.

Primeiros investimentos

Ao aparecer no programa Pequenas Empresas e Grandes Negócios, Eduardo viu sua ideia ganhar visibilidade e alcançar aspectos fundamentais para o desenvolvimento financeiro do empreendimento. “Não éramos ainda uma empresa e, muito menos, um grande negócio, mas após uma semana depois de exibição, fui procurado para bater um papo para falar de investimentos”, relembra, e diz que foi a primeira vez que teve contato com investidores que estavam à procura de startup de “garagem”, que ainda estavam em processo adequação no mercado. “A participação no programa não rendeu, apenas um investimento, mas sim, uma presença significativa na mídia, além de propor uma alternativa para os profissionais autônomos que desejavam desenvolver seus ofícios”, destaca.

Depois do primeiro investimento, o GetNinjas foi atrás de outros investidores que acreditasse e estivessem dispostos a injetar capital no projeto. Dessa vez, o investimento foi mais robusto, no valor de R$ 40 milhões de reais. “Nenhuma rodada de investimentos é fácil. Sempre tiveram desafios. O primeiro foi uma surpresa, pois não estávamos esperando. Entretanto, o segundo, foi feito um processo para escolher. Optamos por um investidor que já tinha feito lances em empreendimentos similares ao nosso”, relata. De acordo com Eduardo, desde sua fundação, em 2011, o GetNinjas acumula o montante de 47 milhões de investimentos. Entretanto, vale ressaltar, que todo os investimentos foram adquiridos de forma gradativa.

Pandemia de 2020: mudança de paradigmas

É sabido que a disseminação do vírus do Covid-19 assolou a economia e mudou os hábitos de consumo da população mundial, em especial, aquelas que não tinham a serviços voltados para o digital. A respeito dessa questão, Eduardo esmiúça o cenário que o GetNinjas enfrentou em 2020. “No ano passado foi um carrossel de emoções; do desespero a euforia. Tivemos um impacto negativo por conta da mudança de hábitos dos consumidores, mas, depois, começamos a entender o que estava a nossa volta e adequamos os nossos serviços”, diz e enfatiza que os setores de serviços, como bartender, churrasqueiros, por exemplo, tiveram uma queda substancial. Porém, outros profissionais, que não careciam de desenvolver seus serviços de forma presencial tiveram uma alta. “Professores particulares, psicólogos tiveram bastante procura”, fala de algumas ocupações no meio de 2 milhões de pessoas cadastradas na plataforma. “A pandemia acelerou a digitalização dos processos”. O empresário salienta a importância de manter os profissionais, que atuam em sua empresa, sempre informados e seguros, diante da crise de saúde que estamos passando. “Mandamos vídeos educativos, mensagens de web, e-mails com dicas e procedimentos que devem ser adotados durante as visitas técnicas (uso de álcool, luvas e retiradas dos sapatos antes de entrar na residência) e incentivamos que a conversa, com os clientes, seja feita por WhatsApp, para diminuir o contato”, fala. “Essas medidas são fomentadas para manter a saúde dos envolvidos, pois mesmo passando por um pandemia alguns serviços de reparação não podem ser postergados”, conta, e diverte-se ao lembrar que um prestador vinculado ao GetNinjas já “consertou” uma máquina de lavar por videoconferência; tudo para manter o distanciamento social, requerido como meio de prevenção, e manter a relação boa com os clientes da plataforma. “Estamos tentando automatizar e digitalizar o máximo de serviços possíveis”, finaliza.

Por Camila Firmino

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