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Os desafios de empreender com uma multinacional no Brasil

Por Danilo Tamelini, Co-fundador e Presidente LATAM da BusUp

Após a crise dos países considerados ricos em 2008, o Brasil tornou-se um dos mercados mais atraentes para investimentos. Mas, nos deparamos com uma pandemia avassaladora e que faria com que os investimentos estrangeiros na economia brasileira caíssem 50,6%, comparados com 2019. Em 2020 foram injetados mais de US$ 24 bilhões em negócios por aqui, de acordo com o Banco Central. Apesar de todos esses inconvenientes, trata-se de um país de muitas oportunidades. Nós temos uma população de 211 milhões de habitantes, com um consumo muito grande e repleto de carências. Nós temos muito que melhorar em diversas esferas. Todos os mercados deverão passar por dificuldades nos próximos anos por conta da pandemia, não somente o brasileiro.

Atualmente, estou na minha quinta empresa e sou empresário desde os meus 23 anos de idade. Quando olhamos para o dado de que seis em dez empresas fecham após cinco anos, olho com felicidade a minha trajetória e como estão meus empreendimentos hoje em dia. Nós viemos para o Brasil porque o negócio de transporte tem muito a evoluir e a crescer, não só aqui como a nível mundial. Como o mercado de fretamento brasileiro é muito grande e apresentava muita carência de tecnologia e gestão, vi que seria uma grande oportunidade trazer este negócio para o Brasil em 2018.

Mas, quando chegamos para empreender no Brasil, “burocracia” foi uma das palavras mais ouvidas quando falamos de negócios. E é ela que coloca o país na 4ª colocação no ranking de países onde companhias mais demoram em abrir uma subsidiária, tempo três vezes maior do que a média global. E como é preciso que toda documentação de sociedade de uma empresa estrangeira possua tradução juramentada, a contratação de tradutores experientes é essencial para o bom andamento do processo.

Além da burocracia, há ritos jurídicos que precisam constar na abertura de um negócio, mas muitos empresários deixam de cumprir e isso pode ser responsável pelo fechamento da empresa e o valor investido acaba escorrendo pelo ralo. Para ilustrar isso, em 2020 o Gestão 4.0 e o BVA Advogados divulgaram o Startups Legal Report, esse levantamento concluiu que 48,15% das Startups descumpriram a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e que 15,38% nem a conheciam. De aproximadamente 100 empresas analisadas nesta pesquisa, 76,92% se ausentaram de celebrar o Acordo de Sócios, item fundamental para regulamentar questões de governança entre sócios e administradores. Outro dado também assusta, 69,23% não possuíam o termo de cessão de propriedade intelectual nos contratos de trabalho e prestação de serviços.

Se a grande quantidade de detalhes já faz com que o andamento seja demorado, a dica é evitar permanecer nas mãos de profissionais despreparados que, mesmo com boa vontade, não possuam bagagem para agilizar documentações necessárias em tempo hábil, atrasando ainda mais o processo. Se nosso País não é para amadores, deixe as traduções juramentadas nas mãos de profissionais com larga experiência neste tipo de serviço. Mesmo diante de todos os entraves citados, o governo tem tentado mudar esse cenário através de novas políticas de incentivo, como a Lei do Microempreendedor Individual, o Simples e o recente Marco Legal de Startups.

Esses são notórios progressos que incentivam o surgimento de novos empresários que irão gerar mais empregos e soluções para um país em ascensão em diversas áreas. Além de arrecadar mais impostos, o governo auxilia a nova classe de empreendedores. Hoje, vejo muitas pessoas comentando que o Brasil é o Estados Unidos da década de 50: um país propício a empreendedores dispostos a resolver problemas. A grande verdade é que nosso país está melhor que os Estados Unidos daquela época. Não nos faltam oportunidades e problemas a serem resolvidos, desde uma falha de logística até o surgimento de uma classe média ansiosa por novos produtos e serviços.

O cenário atual cria um país aberto para novas empresas interessadas em criar valor aos seus produtos e serviços. Nunca tivemos tanto acesso à internet, por exemplo. Jamais vimos uma população tão conectada quanto nesse momento delicado vivido pela humanidade. Isso tudo, mesmo ainda com as inúmeras burocracias e pouco dinheiro, torna o Brasil um lugar perfeito para empreender.

Eu não tenho dúvidas que nosso País possui muito a conquistar. As nossas leis ainda são responsáveis por impedir o surgimento de muitas ideias, o acesso ao dinheiro poderia ser facilitado, as universidades poderiam focar em formas novos empreendedores. Todos esses quesitos ainda precisam ser melhorados. Porém, não tenho dúvidas que estamos em franco desenvolvimento de uma nação empreendedora. Ao pegar minha trajetória de co-fundador de uma empresa estrangeira, tenho convicção de que estamos no caminho certo para um país ainda mais inovador e tecnológico.

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Este conteúdo de divulgação foi fornecido
Por Fala Criativa Comunicação
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