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ESG como ferramenta de geração de valor e de negócios

Definitivamente, as empresas já perceberam que o tema ESG está crescendo de forma rápida nos últimos anos, já ocupa a agenda dos Conselhos de Administração, das Diretorias e Assembleias Gerais de Acionistas, e que já consta dos planos de negócios e das divulgações de resultados.

A questão deixou de ser de mera preferência ou ideologia e passou a ser de interesse geral, afetando a todos os stakeholders, diretos e indiretos. Na mesma linha, a preocupação (ou não) com a maneira como se concebe e opera projetos e negócios gera ou destrói valor, conforme seja o caso. Metas de boas práticas em governança e sustentabilidade têm passado a integrar de maneira relevante os desafios, e até o descritivo de tarefas (job description), dos líderes e dos gestores nas organizações. Em algumas empresas mais comprometidas, os fatores simplesmente financeiros já não são os principais, especialmente se sacrificarem as bases da sustentabilidade.

Leonardo Barém Leite sócio do escritório Almeida Advogados . Credito Foto: Tadeu Brunelli

Se houve um tempo em que alguns, equivocadamente, achavam que governança e compliance fossem apenas custo ou travas à gestão, felizmente já ficou pelo caminho – e o mesmo está acontecendo com o ESG. Equipes e consultorias de valuation já consideram a efetiva previsão de sustentabilidade como um dos importantes fatores de cálculo de atratividade do negócio para investimentos.

Os questionários de Due Diligence para fusões e aquisições, joint ventures e emissão de dívida têm incluído esse tema na primeira página, como um dos pontos básicos de verificação de risco e de sustentabilidade dos projetos e das empresas. Muitos dos maiores e principais fundos de investimentos já informaram aos mercados de que focarão na sustentabilidade. As normas básicas de investimento de alguns fundos, que antes consideravam o grau de investimento como determinante para a tomada de decisão, já estão sendo revistas e ampliadas para considerar mais aspectos.

Em decorrência desses movimentos, bolsas de valores estão criando índices que consideram o ESG, passando um importante recado aos mercados – e isso tende a ser um grande motor de conscientização “forçada” sobre a urgência e magnitude do tema. Também já se percebeu que os projetos de startups e os mandatos de M&A não param em pé se ignorarem esse super fenômeno de inovação empresarial, e de negócios, que estamos construindo.

Há quem considere que realizar negócios da maneira antiga e não sustentável perdeu a chance de ser considerado inovação, que, por sua vez, pressupõe uma nova visão de proteção das pessoas e do Planeta. Ninguém mais consegue, de fato, conceber uma empresa realmente inovadora que não se preocupe com a causa maior em que não esteja incluindo a sustentabilidade, a diversidade, o meio ambiente e a boa governança no seu conceito e modelo de negócios.

Em breve as empresas de todos os segmentos, idades e tamanhos perceberão a dificuldade para conquistar mercado, e para atrair e reter talentos, assim como investimentos, afetará muitíssimo os caminhos das que teimarem em seguir na contramão. Tanto as novas gerações quanto as mais experientes que sejam realmente conscientes estão se movimentando para apoiar essa causa, provocando uma linda revolução na maneira de se criar e de se fazer negócios.

Muitos executivos, antes festejados pela entrega de valor em termos de lucros no quarter, já se preocupam com a sustentabilidade como fator determinante para que recebam seus bônus, assim como para que seus currículos e imagem no mercado se mantenham atrativos. Escolas e faculdades estão correndo para criar cursos, MBA’s e eventos com foco em ESG, assim como empresas, consultorias e escritórios já criam áreas e práticas ligadas ao tema.

Financiamentos para projetos não sustentáveis estão se tornando mais raros e mais caros, o que tende a inviabilizar o crédito aos não conscientes. Assim, quem pensou que essa evolução da boa governança pudesse ser apenas uma grande jogada de marketing, ou um mero modismo, felizmente errou. Da mesma forma que quem não deu a devida atenção à questão ao longo dos últimos 10 a 15 anos agora precisa correr.

Seja pelo aspecto original da evolução das melhores práticas de governança corporativa, seja pela conscientização da importância da sustentabilidade, ou pelo crescente foco em direitos humanos, diversidade e meio ambiente, esse conceito vem tomando conta das principais entidades, jornais e revistas, seminários, cursos e rodas virtuais de empresários. Ou seja, estamos evoluindo como sociedade e como comunidade de negócios.

Já tivemos ondas de focos isolados em governança e em compliance, com a bandeira do fazer as coisas corretamente, mas conseguimos crescer. E justamente a união de tudo isso, e a sua evolução, construiu o contexto que recebeu todos os holofotes do mercado nos últimos tempos. Agora, tudo isso está sendo integrado no ESG.

Houve também um tempo em que muita gente acreditava (erroneamente) que apenas empresas grandes ou já estruturadas e maduras devessem cuidar da governança e do compliance, até pelo investimento, por vezes confundido com custo. Agora, já vemos empresas preocupadas em nascer organizadas – inclusive em termos jurídicos – e respeitando práticas e legislações, mesmo para provar que o modelo de negócio esteja correto. Caso não seja sustentável, certamente haverá muito a melhorar. O que nem todos perceberam ainda é que o ESG gera valor, e negócios, pois os investidores procuram cada vez mais o retorno global de seus investimentos e querem sustentabilidade.

Empresas que comemoravam o resultado apenas financeiro, ou especificamente neste ou naquele ano (ou até quarter), bem como as que desrespeitavam o meio ambiente, as pessoas, a legislação, e as melhores práticas globais – por vezes escondendo-se atrás de terceirizações, como se essas afastassem a responsabilidade por erros – estão com a sobrevivência bastante comprometida e terão de correr bastante para recuperar o prejuízo, em especial no tocante à imagem e à reputação.

A própria conscientização da sociedade em geral, que há pouco talvez nem conhecesse o acrônimo ESG, vem ajudando colaboradores, parceiros de negócios e consumidores a comprar essa causa, e incentivando a considerar a sustentabilidade global como um dos principais fatores na indicação de decisão de compra, parceria, emprego e investimento.

Dessa forma, o que ainda é um diferencial competitivo e um reforço de imagem e de marca, logo passará a ser um item obrigatório e fator de sobrevivência. Repetimos, portanto, que ESG gera valor e negócios, e que os movimentos de fusões e aquisições, assim como de lançamento de ações no mercado de capitais, já estão considerando a sustentabilidade, cultura e prática do ESG para a decisão final, por perceberem tanto a criação quanto o aumento de valor de um lado, quanto à perda de valor do outro.

O antigo diferencial será fator de sobrevivência dos negócios e das empresas. O que ainda é oportunidade passará a ser determinante de viabilidade. Consultores, advogados, auditores e demais parceiros passarão a integrar mais e mais os grupos que ajudarão as empresas a pensar e implementar todos esses conceitos. Em benefício dos negócios, da sociedade e também da sustentabilidade. Fiscais e guardiães da boa governança e do ESG estão, felizmente, chegando às diretorias e aos conselhos de administração. Diretores Jurídicos, de Compliance, de Governança, de Recursos Humanos e de Inovação (entre outros) precisam estar alinhados com esse conceito, que já se prova o melhor caminho.

Novos tempos e novos negócios – agora mais sustentáveis!

Por Leonardo Barém Leite, sócio do escritório Almeida Advogados, especialista em Direito Empresarial, Societário, Contratual, Fusões e Aquisições (M&A), Mercado de Capitais e Governança Corporativa.

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