Inteligência artificial ajudará cafeicultores a colher na hora certa

Projeto da startup Adroit Robotics com apoio da Fapesp utilizará a tecnologia Leafsense, já empregada na citricultura, para a detecção do estágio de maturação de frutos, produtividade e pragas utilizando sensores de altíssima resolução, visão computacional e inteligência artificial

Os cafeicultores brasileiros devem ganhar em breve mais um importante aliado na hora de saber qual o momento exato de colher grãos de qualidade. A startup de inteligência artificial Adroit Robotics está iniciando um novo projeto financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para a aplicação da tecnologia Leafsense na cultura do café.

Segundo o diretor de pesquisa da empresa, Plinio Thomaz Aquino Jr., a expectativa é que ao término deste projeto se obtenha resultados consistentes. “Queremos possibilitar a detecção do ponto de maturação dos frutos e presença de pragas utilizando sensores, visão computacional e softwares inteligentes, permitindo a total automatização e aplicação em escala comercial nos cafezais”, destaca.

Como será o projeto

A pesquisa possui duração de 24 meses e tem como objetivo desenvolver tecnologias para o monitoramento contínuo e automático da evolução de lavouras da cultura. Assim, disponibilizará informações que permitam aos cafeicultores tomar decisões de manejo mais rápidas e assertivas.

De acordo com o diretor de pesquisa, serão utilizados sensores capazes de coletar imagens de alta resolução, montados nos tratores e máquinas agrícolas durante suas operações normais de manejo, de forma a garantir periodicidade e automatização no monitoramento. “Os dados coletados são enviados serão processados e disponibilizados para o cafeicultor de maneira muito rápido, alguns dias ou menos”, acrescenta.

O acompanhamento contínuo das características das folhas das plantas, outra funcionalidade pesquisada, permite a detecção de anomalias de crescimento e produtividade, que podem ser indícios de deficiência de nutrientes ou pragas como a ferrugem, cercosporiose, bicho mineiro, ácaro vermelho e outras, comuns à cultura. “Conhecendo-se o foco de tais anomalias, os cafeicultores podem tomar ações mais precisas e em fases ainda precoces, permitindo maior eficiência no uso de insumos e melhor controle no alastramento de pragas”, salienta Aquino Jr.

Momento certo de colher

O projeto conta com o apoio e consultoria de Samuel Giordano, doutor em engenharia agrônomica, Senior Lecturer do Pensa Agribusiness Knowledge Center – FIA-USP e professor coordenador da Universidade do Café. Para ele, um dos pontos altos da pesquisa será a mudança de como o cafeicultor se programa para colher. Isso diz respeito ao estágio de maturação dos frutos, importante parâmetro na qualidade do café. Conhecendo-se o grau é possível determinar o melhor período para a colheita, bem como configurar o maquinário de modo que eles extraiam apenas os grãos maduros. “Quanto mais vermelhos, completamente desenvolvidos e maduros, melhor será o café, mais qualidade ele vai obter após as técnicas de secagem e pós-colheita”, afirma o professor doutor.

 Ainda segundo o especialista, a tecnologia da Adroit será de grande relevância, pois dará o “start” de colheita. “Hoje o produtor colhe com informações subjetivas. A avaliação é feita visualmente por amostragem. Um funcionário ou ele próprio verifica os talhões e como estão os frutos. O risco é alto para erros. Com a tecnologia Leafsense ele será preciso, mais assertivo”, explica Giordano.

A cada safra utilizando a inteligência artificial da startup, o cafeicultor além de conseguir precisar a hora correta de colher cada ponto do cafezal, formará um rico banco de dados, fornecendo datas e confirmando os períodos mais críticos de colheita. O professor acredita que a ferramenta deve proporcionar de 30% a 40% mais qualidade no café colhido.

Grandes expectativas

A cafeicultura possui demandas latentes por soluções que permitam melhor acompanhamento da saúde, evolução e produtividade das lavouras. O Brasil é o maior produtor e consumidor mundial, detendo cerca de 36% da produção mundial, com área plantada que soma em torno de 2,16 milhões de hectares, dos quais 85% concentram-se nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo este último, responsável por de 75% deste total. O monitoramento contínuo e automático beneficiaria principalmente aos produtores de café, contudo a tecnologia não se limita apenas a eles.

As cooperativas poderiam estimular melhor a produção dos cooperados, além de garantir uniformidade na qualidade do café recebido. Já as seguradoras e bancos avaliariam melhor os riscos associados à cultura. Também possibilitaria maior precisão e alcance dos serviços oferecidos por consultorias agrícolas. Além de disponibilizar para Órgãos de Pesquisa Estatística, dados padronizados e coletados continuamente, aumentando a precisão e reduzindo tempo entre censos agrícolas. Ou ainda, poderia ser utilizada por Órgãos Certificadores como ferramenta de qualificação e acompanhamento dos produtores que possuem seus selos.

Expansão na atuação

A Adroit Robotics tem em seu histórico recente a atuação na citricultura. Mas a startup alça voos mais altos como este iniciado agora. “O projeto com a Fapesp é importante por financiar a pesquisa envolvida no desenvolvimento da nova tecnologia aplicada ao café. Possuímos experiência na citricultura e o projeto de pesquisa permitirá avançar na criação de novos produtos, a evolução dos sensores e softwares para atendimentos dos cafezais, que possuem características próprias”, projeta Aquino Jr.


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