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Portugal: a próxima parada da inovação

Programa StartOut Brasil recebe inscrições até 21 de junho para empreendedores interessados em levar suas startups para o país europeu

Como todas as nações, Portugal sentiu fortemente o impacto econômico provocado pela pandemia de Covid-19, com uma retração do PIB chegando a 6,1% em 2020. Com medidas sanitárias e de controle rigorosas, o país conseguiu atravessar o pior cenário e se tornou o primeiro da Comunidade Europeia a apresentar, em 21 de abril último, seu Plano de Recuperação e Resiliência ao bloco. E o destaque do plano é o compromisso de destinar 2% do PIB português ao investimento em inovação nos próximos quatro anos, visando fortalecer a autonomia econômica por meio da promoção de estratégias que foquem principalmente em pequenas e médias empresas, promovendo parcerias globais, o que se configura como uma grande oportunidade para as startups brasileiras.
Por isso, o novo ciclo do StartOut Brasil, programa de internacionalização de startups brasileiras, terá Lisboa como destino e a missão virtual já está sendo preparada. Para saber mais sobre o programa e como os empreendedores brasileiros podem aproveitar este momento, a revista Empreende conversou com Rafael Wandrey, Coordenador-Geral de Empreendedorismo Inovador e Novos Negócios da Secretaria de Inovação do Ministério da Economia, onde atua desde 2013.

Empreende – Como o cenário de pandemia afetou a área de startups globalmente e, especificamente, no Brasil?
Rafael Wandrey – O contexto atual de crise sanitária e econômica fez com que muitas empresas focassem no mercado nacional e aguardassem a situação global se restabelecer para explorar novos mercados. Portanto, a internacionalização é uma boa oportunidade para estabelecer parcerias ao redor do mundo.

Empreende – Por que Portugal é, hoje, um destino promissor para as startups brasileiras?
Rafael Wandrey
– Portugal oferece diversas vantagens para startups brasileiras. Os incentivos financeiros governamentais e de aceleradoras são só alguns deles. O país tem uma excelente infraestrutura, com qualidade de vida alta e custos de operação muito menores, em comparação aos países vizinhos. Além disso, nossa proximidade linguística e cultural é um grande facilitador para a adaptação de produtos e serviços brasileiros no ecossistema português, que é uma porta para o mercado europeu. Por isso, durante os últimos anos, Portugal deixou de ser visto apenas como um destino turístico para ser reconhecido como o país europeu das startups e se tornar o local procurado por empreendedores brasileiros que desejam se internacionalizar.

Empreende – Empreendimentos de quais áreas são mais promissores neste momento de atração portuguesa?
Rafael Wandrey
– O ecossistema português tem demonstrado aquecimento para empresas inovadoras na área de tecnologia de muitos setores, a partir da adoção de soluções que fazem uso da inteligência artificial (IA) e da Internet das coisas (IoT), por exemplo. A área da sustentabilidade também está em grande demanda, abrindo oportunidades para repensar cadeias logísticas, ciclos de vida dos produtos e plataformas para partilha e utilização comum de bens. Além disso, a pandemia e o isolamento social, impedindo o turismo e atividades de lazer presenciais, potencializa a demanda por conteúdos digitais e wearables: dispositivos “vestíveis” como smartwatches, que expandem as possibilidades de interação. Contudo, é importante lembrar que o StartOut Brasil não prioriza startups de determinado setor de atuação no processo seletivo, porque os nichos de mercado com o potencial de absorver empresas brasileiras são dos mais variados.

Empreende – Como fazer este caminho, como dar os primeiros passos rumo ao mercado internacional?
Rafael Wandrey
– Internacionalizar uma empresa é um caminho extenso e cheio de desafios. É necessário superar barreiras linguísticas, dominar profundamente sua área de atuação e contar com uma equipe determinada a atingir os mesmos objetivos. Inclusive, é interessante determinar uma equipe específica para este trabalho dentro da empresa. Quando um empreendedor decide iniciar uma imersão em um país estrangeiro, é imprescindível que ele faça análises de mercado e conheça intimamente o ecossistema local, porque a primeira pergunta a ser respondida é se o seu produto ou serviço será absorvido por aquele público e aquela cultura específica. Além disso, existem diversos detalhes a se pensar. É preciso construir uma rede de empresas parceiras no local de destino, lidar com impostos e tributos locais, verificar a possibilidade do estabelecimento de uma sede e, por último, questões pessoais também, como, eventualmente, a mudança para outro país. Por isso que o StartOut Brasil é uma grande ajuda para empresas que buscam se internacionalizar. As atividades realizadas no programa dão suporte teórico para a estratégia de expansão internacional das startups e o processo de matchmaking apoia a busca de empresas parceiras no destino, muitas vezes completamente desconhecido pelos empreendedores. Além, é claro, da possibilidade de apresentação de pitch para investidores no final do programa.

Sobre o Ciclo StarOut Brasil 2021
O Ciclo Lisboa 2021 do StartOut Brasil busca por empreendedores de startups em fases maduras com foco em expansão e internacionalização e empresas inovadoras de base tecnológica que já tenham produto ou serviço para comercialização finalizado, Produto Viável Mínimo (MPV) ou protótipo, e que já estejam faturando ou que tenham recebido algum tipo de investimento. As inscrições podem ser feitas até 21 de junho pelo site https://www.startoutbrasil.com.br/

Por Angelo Davanço